<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552</id><updated>2011-04-21T22:41:34.020-04:00</updated><category term='mapa'/><category term='vida'/><category term='misantropia'/><category term='endereço'/><category term='dinheiro'/><category term='maturidade'/><category term='Zebedeu'/><category term='digressões'/><category term='morte'/><title type='text'>O Psicopata Enrustido</title><subtitle type='html'>Um cara fodido num mundo fodido. Foda-se você também.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>109</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-1831188002179408032</id><published>2008-07-21T17:07:00.002-04:00</published><updated>2008-07-21T17:22:36.688-04:00</updated><title type='text'>Epitáfio</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando cheguei na porta dele suas últimas palavras ainda reverberavam em meu crânio. Tava tudo errado. Eu não devia estar ali. Mas toquei a campainha mesmo assim. Ele abriu a porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A gente precisa conversar - disse eu, sem cumprimentá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Entra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Apê legal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não disse nada. Só trancou a porta e foi em direção ao sofá. Estava de cuecas apenas. A TV ligada num enlatado americanóide. O &lt;span style="font-style: italic;"&gt;notebook &lt;/span&gt;zumbia no sofá. Ele sentou e colocou-o no colo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem breja na geladeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deixa que eu pego... Caralho! E eu achava que minha cozinha era bagunçada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cala essa boca e traz uma pra mim também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abri a geladeira e percebi que, caso quisesse outra coisa além de cerveja estaria na roça. A não ser que eu tomasse cerveja com mostarda escura. Catei duas latas e sentei do seu lado no sofá. Na mesma hora um gato pulou no meu colo, quase me fazendo derrubar as latinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que PORRA você tem com gatos, cara?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gosto de criaturas autênticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É esse o problema?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele abriu a cerveja e tomou um gole. Depois deixou a lata no chão e digitou alguma coisa no teclado. Fiquei sem minha resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Escrevendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Xavecando no MSN.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Putz...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que foi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recostei-me. Era tudo tão diferente da última vez. O clima, o ambiente, tudo. Bem diferente. Mas estranhamente familiar. Familiar até demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então é isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Assim, sem explicações?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que explicação você quer ouvir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Qualquer uma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esse é o problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- "Qualquer uma"? Isso lá é resposta? Isso por acaso é um diálogo? Não, não é. Isso não é interessante. Isso não é instigante. Isso não é nada. É morno. É perda de tempo. De criatividade. Desperdício. E eu odeio desperdícios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você mudou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você também. Ambos mudamos. Acontece. Estou mudando agora. Mudando a mim mesmo. Mudando você. E mudanças requerem sacrifícios. Chega uma hora que a gente percebe que não tem mais porque teimar com uma coisa que não tem mais futuro. É como escavar um poço seco. Acabou, muda de lugar. Muda. Para não cansar. Para não desgastar. Para não entediar. E, depois de quatro anos da mesma porcaria, já estou ficando entediado. Tenho mais medo de tédio do que da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu também achava que tinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E não acha mais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Taí tua explicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo não estava indo bem. Virei mais um gole e acendi um cigarro. Ele me passou um cinzeiro forrado de bitucas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe o que o doutor me disse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro que sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- "Você está curado, Zebedeu". Foi isso que ele disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Arrã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você concorda com isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sou psiquiatra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não brinque comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele finalmente fechou o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;notebook &lt;/span&gt;e colocou-o sobre o pufe à nossa frente. Acendeu um cigarro e se ajeitou no sofá. O gato foi pro seu colo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que sua cura nunca foi o objetivo. Talvez a minha. Mas será que eu estava realmente doente? Será que você era a causa ou o sintoma? Ou a reação imunológica? Para você tanto faz. Para mim é que a coisa pega. Em determinado momento nós nos dissociamos. Deixamos de ser o reflexo retraído de um e viramos dois. Foi o primeiro passo. Daí percebi que dois era demais. Queria voltar a ser apenas um. Uma unidade autêntica. Mas para isso eu teria que escolher com qual personalidade ficaria: a minha, a sua ou uma amálgama das duas. A escolha era óbvia. Foi óbvia. Mas para isso eu teria que matar eu e você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pensei que o suicida era eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ninguém está falando em suicídio. É uma metáfora. Minha "morte" já aconteceu. Matei a maneira que eu era e hoje sou outro. Só faltava matar você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas você não me matou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Eu te curei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso não é matar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- No seu caso é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Puta que os pariu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Entendeu, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E é só isso? Caixão lacrado, tchau e bênção?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Arrã. Ao menos por enquanto. Nada na vida é definitivo. Nem mesmo a morte. Se preferir substitua a palavra "morte" por "animação suspensa". Mas não alimente esperanças. Perdi a Inspiração. Ela me virou as costas. Queria apenas amizade. Mas a Inspiração nunca pode ser apenas uma amiga. Precisa ser uma amante. Tem que queimar por dentro, tirar o fôlego e tudo o mais. Se não tenho mais uma inspiração digna deste rótulo, de que adianta adiar o inevitável? Sou contra a decadência. E engole esse choro! Olha que coisa mais triste. Eu xingando e você chorando. Inverteu tudo, porra! Que motivo você pode me dar para eu mudar de idéia? Nenhum. Não adianta. Para finalmente evoluir eu preciso matar o psicopata enrustido. Então é isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E o que eu faço agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é mais problema meu. Termina tua cerveja. Pega outra se quiser. Mas depois vai embora. Some daqui e não volta nunca mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele abriu o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;notebook &lt;/span&gt;novamente e o pousou no colo. O papo havia terminado. Levantei e joguei a lata no lixo. Abri a geladeira e peguei outra. Pensei em voltar ao seu lado no sofá mas vi que ele tinha razão. Era hora de ir embora. De mudar. Eu estava curado, se é que algum dia estive doente. Atravessei a porta e peguei o elevador. Saí na noite da cidade. Respirei o ar poluído e caminhei até a portaria. Era uma noite feia, fria e fedorenta. Mas era minha noite. Minha derradeira noite. E eu ia aproveitá-la ao máximo. Entrei no carro e dirigi para longe dali. Para longe daqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valeu, doutor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-1831188002179408032?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/1831188002179408032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=1831188002179408032' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/1831188002179408032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/1831188002179408032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2008/07/epitfio.html' title='Epitáfio'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-7619164090748369306</id><published>2008-07-02T15:28:00.004-04:00</published><updated>2008-07-02T15:39:09.676-04:00</updated><title type='text'>Autossomia Dissociativa</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a melhor maneira que encontrei de iniciar um de meus relatos semi-biográficos-calcados-no-absurdo sempre é localizá-lo em um bar. É, este é um daqueles. Tem quem goste, tem que odeie, tem quem está pouco se fodendo. Me incluo no último grupo. Então, estou num bar. A cena típica. Bunda no tamborete, cotovelos no balcão, uma cerveja amornando à minha frente. Imagine você mesmo a decoração e a música ambiente (embora eu sempre imagine um velhinho sentado em um piano de cauda tocando bossa nova, mas espero que Jung explique essa). Pouco importa. É aquele momento típico de reflexões incongruentes. Neste momento sento-me ao meu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Começou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro. Achou sinceramente que ia permanecer incólume nesta situação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tinha esperanças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedi um uísque. Espero que eu tenha dinheiro para pagar. A bebida chega e tomo um trago, estalando a língua. Aproveito e acompanho-me com um grande gole do chope morno. Sabia que ia precisar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É esquizofrenia ou múltiplas personalidades?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei. Pode ser uma reação ao álcool e os tarja pretas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seria pedir demais uma simples overdose acidental?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminei o chope e empurrei o copo, indicando que queria um refil. Eu ia precisar, pois logo em seguida sento-me do meu outro lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É uma convenção?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que não. Só se for de egos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não tenho um ego tão grande assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem. Um superego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peço um gin tônica. Por que fiz isso? Sempre odiei gin tônica!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não odeia, não. Pensa que odeia. Mas no fundo gosta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que tenho que acreditar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E o senhor, vai querer alguma coisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levanto o rosto para xingar o garçom, mas o garçom sou eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Até tu, brucutu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eles eu até esperava. Mas e você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sou apenas uma auto-referência egomaníaca. Vai beber o que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem cianureto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ri. Quatro vezes. E me servi mais um chope.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Qualé o papo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem começa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer um guardanapo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pra quê tantas perguntas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observo uma bunda apertada numa calça jeans passar enquanto checo as horas, lavo copos e sinto vontade de fugir correndo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É só comer e jogar fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É só se degradar por conta de uma boceta insignificante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O segredo da vida está no colo de um útero. Ou no fundo de um copo de tequila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai, meu saco...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que foi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele quer que falemos alguma coisa útil ou pulemos fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Odeio usar gravata borboleta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Odeio vocês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro que odeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pega o telefone e liga pra alguém. Alguém especial. Alguém que mereça dividir sua vida com você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Essa pessoa não existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não ouça o que ele diz. Você sabe que existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu já encontrei a pessoa ideal...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ninguém está falando com você. Traz mais uma dose.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Imagina você estrangulando a vida dessa vadia pouco a pouco. Beijando seu último suspiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não tem suspiros. Serve amendoim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E qual o sentido de matá-la? O que eu ganharia com isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que você perderia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Viu? Até ele concorda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Psicologia reversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bato a cabeça no balcão. Quatro vezes. Quando levanto ainda estou lá, me cercando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cadê a porra da minha cerveja?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E meu uísque?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E meu gin?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fico meio perdido. Daí arranco a gravata borboleta e confidencio comigo mesmo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nada disso é necessário. Você sabe o que é necessário. Sabe o que tem que fazer. Pare de dar ouvido a contradições. Levante e aja. Chega de se dissociar. Seja. Chafurdar em autocomiseração não adianta nada. Você é um bosta, mas até aí todos somos. Levanta essa cabeça e manda todo mundo tomar no cu. Agarre a vida pelo pescoço. Olhe para ela bem no fundo de seus olhos e beije-a na boca como se fosse a última vez. Talvez seja. Nunca se sabe. Não racionalize. Não perca tempo com elocubrações. Cale-se e ouça. Olhe em volta. Você está sozinho. Sempre esteve e sempre estará. É com você. Foda-se. Enfie cerveja, uísque e gin no rabo se quiser. Não adiantará nada e não trará sentido algum. E para mim chega. Estou fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partimos. Um para cada lado. Só eu fiquei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E quem vai me servir mais um chope, cáspite?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-7619164090748369306?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/7619164090748369306/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=7619164090748369306' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/7619164090748369306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/7619164090748369306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2008/07/autossomia-dissociativa.html' title='Autossomia Dissociativa'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-1952164903682713873</id><published>2008-06-16T11:54:00.003-04:00</published><updated>2008-06-16T12:34:58.574-04:00</updated><title type='text'>FODA-SE JESUS!!!</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se tem uma coisa que me tira realmente do sério é desrespeito. Todo mundo tem o direito de me odiar e de me xingar, mas não falte com o respeito. Respeito é o último bastião de racionalidade. Sem ele passaríamos o dia atirando merda uns nos outros como chimpanzés tarados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com religião eu penso da mesma maneira. Respeito a creça alheia caso respeitem minha ausência de crenças. Cada um na sua e foda-se. Se o pelego curte acreditar em contos de fadas e deixar sua grana para algum pastor ganancioso, problema dele. Não me meto e não dou opinião enquanto não tentarem me dogmatizar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois agora tentaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sábado fui numa porcaria de uma casa noturna no centro encontrar um povo e, como não estou em condições de lidar com prejuízos ou franquias, deixei meu carro num estacionamento perto do local. Fora o fato de eu ter inadvertidamente escolhido o estacionamento mais caro da região (R$13,00) não me importei muito. São os custos de viver numa cidade de merda onde o comunismo tomou uma direção completamente diferente do que os marxistas jamais imaginaram. Aqui a propriedade só é sua enquanto não a tomarem de você. E não estou falando apenas de ladrãozinho de galinha. Mas divago. Fui no tal bar e até me diverti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na saída encontrei o estacionamento fechado. Uma plaquinha avisava que eu precisava pegar meu carro num outro estacionamento, duzentos metros rua acima. Claro que graças ao álcool consumido estes duzentos metros se tornaram quase quatrocentos. Mas consegui chegar ao local. Fiquei até envergonhado ao entrar. Era o estacionamento de um prédio daqueles chiquérrimos. Não sei se era hotel, condomínio ou templo da Opus Dei. Tanto faz. Paguei e entreguei o tíquete. Em pouco tempo minha chimbica fedorenta foi colocada na porta para que eu finalmente fosse embora. Fui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caminho decidi ligar o rádio, mais para distrair o cérebro macilento e não desmaiar no volante que outra coisa. Apertei o botão e ouvi um grito estourar as caixas acústicas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"ARREPENDEI-VOS, IRMÃOS, POIS JESUS ESTÁ VOLTANDO!"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase bati o carro com o susto, mas ao menos serviu pra me acordar. Dei risada até. Abaixei o volume e apertei o botão da memória do rádio. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Na fé e na vida tudo se baseia em uma só coisa: quem será você quando chegar o dia do juízo?"&lt;/span&gt;. Outro botão: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Estamos de volta com O Despertar da Fé..."&lt;/span&gt;. Outro:&lt;span style="font-style: italic;"&gt; "Jesus..."&lt;/span&gt;. Outro: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"A salvação está..."&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando as névoas de satanás... quero dizer, os pensamentos ébrios confusos se dissiparam e as idéias de possessões evangélicas automobilísticas foram descartados, veio a epifania: Algum manobrista crente bitolado havia trocado TODOS os botões de memória de meu rádio por estações evangélicas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que leva uma criatura ignóbil fazer uma coisa dessas? Será que ele achava que eu, de alguma maneira, iria de repente me converter só porque as memórias de meu rádio estavam gritando isso em uníssono em minha cabeça? Será que foi assim que ele se converteu, numa possessão radiofônica repentina do motoradio de seu fusca enferrujado? Será que este CRETINO nunca chegou a cogitar a idéia de que há pessoas que não se importam nem um pouco com as "verdades" profetizadas por seus larápios líderes? Ou com o retorno de Jesus, Maomé, Buda, Babalaorixá ou do Papai Noel?!? Guardadas as devidas proporções, não vejo diferença entre um animal que faz uma coisa dessas ou um que se explode numa lanchonete. Nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juro que pensei em voltar lá e prestar uma reclamação. Colocar esse filho de uma vaca na rua, pra ficar implorando piedade pra sua assombração favorita. Pensei mesmo, mas não estava nem com condições nem com disposição para tanto (sim, doutor, eu estava "pregado"), então fui pra casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, em homenagem a nosso IDIOTA manobrista evangelizador corno manso, uma frase que uso apenas em ocasiões especiais:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote style="font-style: italic;"&gt;Para mim só existem dois tipos de evangélicos: os otários e os salafrários.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;E tenho dito. Qualquer problema é só mandar seu deusinho "todo poderoso" de merda falar diretamente comigo. Porque não perco meu tempo com mensageiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai tomar no cu, viu?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-1952164903682713873?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/1952164903682713873/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=1952164903682713873' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/1952164903682713873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/1952164903682713873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2008/06/foda-se-jesus.html' title='FODA-SE JESUS!!!'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-8253964425809424730</id><published>2008-06-12T23:46:00.003-04:00</published><updated>2008-06-13T01:05:34.982-04:00</updated><title type='text'>O Último Poema</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;peço relutantemente desculpas pelo texto incoerente da madrugada passada. Foi escrita sob o efeito de psicotrópicos legais e ilegais misturados a um filme sobre anões e o dia dos namorados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá, pode fechar a boca agora. Seu queixo deve ter caído no umbigo, né? Limpa a baba. Velho babão é nojento. Ainda mais com esse seu cavanhaque ridículo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senhor bem sabe que não sou ligado a datas ou tradições. Estou pouco me fodendo para páscoa, natal ou qualquer feriado de merda como estes. Só curto a folga. É um domingo de brinde, nada mais. Sem significados ou espíritos presentes, passados ou, deus me livre, futuros. Também não ligo a mínima para feriados comerciais. Dia das mães, pais, crianças, sogras, papagaio, lontra, orgasmo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não o dia dos namorados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não no sentido que meus detratores devem estar resmungando resignados neste momento. Não no senso romântico. Sei lá. Me faz mal. Se tenho com quem passar esse dia eu simplesmente desapareço. Se não tenho me afundo num anonimato seguro em minha toca hermética. Telefone fora do gancho, internet desconectada, celular morto. Não quero ninguém, não desejo ninguém. Só quero ficar sozinho e celebrar minha liberdade egoísta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que não foi sempre assim. Como todo imbecil que possui um badalo útil entre as pernas já fui um babaca iludido à procura da tampa de minha panela suja de vômito. O chinelo puído pra esfregar meus pés fedorentos. Alguém pra chamar de... Vou parar antes de declamar Wando. Você entendeu. Qualquer um entenderia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não interessa quem ela era, como nos conhecemos, como era seu corpo, como ela gemia enquanto me chupava, o jeito como arranhava minhas costas quando gozava, o... Caralho! Não, ela não tinha caralho. Droga, embananei tudo. Foco, Zebedeu, foco!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que interessa é que eu estava perdido. Bobo mesmo, sabe? Sorrindo pra qualquer bobagem e pensando no, deus me livre, futuro. Planos, doutor, eu fazia planos! Sim, não é uma projeção. Aconteceu mesmo. Paixão de moleque, claro, mas aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quê? Ah, o dia dos namorados, claro. Calma. Tinha um detalhe importante. Ela morava longe pra burro. Tipo uns 1.200km de distância. E ainda não existia internet. E interurbano era caro demais pra desperdiçar com namoricos. Era tudo na base de cartas (pois é...) e visitas mensais. Ficamos assim um ano e meio. Foda. Era complicado pra cacete viver daquela maneira, mas eu estava disposto a qualquer sacrifício. Trouxa, idiota, cretino, pastelão, mocorongo, debilóide!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a aproximação do dia dos namorados pintou a idéia de um presente originalmente cafona. Acionei meus contatos em sua cidade e consegui providenciar o envio de um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bouquet &lt;/span&gt;(buquê é muito ralé) de rosas vermelhas com um cartão com um poema de meu próprio punho para sua casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Pausa para que leitoras incautas recuperem o fôlego]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lindo isso, né? O doutor sabe, no fundo sou um romântico enrustido. Mas depois daquele dia dos namorados eu apenas enrusti essa faceta um pouco mais. Bem mais. A encomenda chegou como planejado, logo de manhã, antes de ela ir para a faculdade. Ansioso como uma bichinha chiliquenta fiquei ao lado do telefone esperando sua ligação. Não teve suspense inútil, não teve ataque de pânico, nada disso. Foi perfeito. O telefone tocou no horário planejado. Era ela. "Oi, gostou das flores?", "Adorei, Zê, mas...", "Mas?", "A gente precisa conversar...".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resto é bem óbvio, né? Não quero entrar em detalhes. Não porque doa. O doutor sabe que dor não me incomoda, mesmo que traumática. Aconteceu como aconteceu com todo mundo ao menos uma vez na vida. A primeira de muitas, marcante apenas pelo fato de ter sido a primeira. Nada demais a não ser por um detalhe. Uma epifania tardia causada por aquele prosaico e clichê momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anos depois, quando as experiências e decepções subseqüentes já não era mais tão intensas, percebi que aquele foi um momento libertador. Formador de caráter. Um caráter distorcido e repugnante, mas meu. Eu era livre. Eu sou livre. E escolhi como dia para celebrar esta liberdade o exato dia que a garanti involuntariamente. Do dia que escrevi meu último poema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi isso, doutor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com licença que preciso recarregar meu copo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um brinde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não a você, doutor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não a você.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-8253964425809424730?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/8253964425809424730/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=8253964425809424730' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/8253964425809424730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/8253964425809424730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2008/06/o-ltimo-poema.html' title='O Último Poema'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-8581941619956713404</id><published>2008-06-12T01:54:00.003-04:00</published><updated>2008-06-12T01:57:23.265-04:00</updated><title type='text'>Reflexão Retirada de um Filme Mela Cueca</title><content type='html'>&lt;blockquote style="font-style: italic;"&gt;O casamento transforma o amante em parente.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por enquanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por não sei quanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foda-se o que você pensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento sou eu contra o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não sinto piedade do mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-8581941619956713404?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/8581941619956713404/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=8581941619956713404' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/8581941619956713404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/8581941619956713404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2008/06/reflexo-retirada-de-um-filme-mela-cueca.html' title='Reflexão Retirada de um Filme Mela Cueca'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-8081749663747803271</id><published>2008-05-24T01:41:00.004-04:00</published><updated>2008-05-24T01:52:00.333-04:00</updated><title type='text'>Catarse numa hora destas?</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando o barato termina, o cigarro se apaga e o uísque seca no fundo do copo a gente saca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simplesmente saca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saca que somos descartáveis. Que somos um acúmulo casual de células fadadas à dissociação. À reassociação. À dissolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem solução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bêbado uma vez disse: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;If you're gonna to try, try all the way. Otherwise not even start it.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graças a ele aprendi inglês, olha só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bela merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos todos merdas belas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acúmulos fecais fortuitos autômatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Merdas ambulantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com licença, vou dar uma volta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-8081749663747803271?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/8081749663747803271/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=8081749663747803271' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/8081749663747803271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/8081749663747803271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2008/05/catarse-numa-hora-destas.html' title='Catarse numa hora destas?'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-3855208089902945660</id><published>2008-05-08T17:26:00.002-04:00</published><updated>2008-05-08T18:12:07.454-04:00</updated><title type='text'>Um tanto súbita, mas não morte</title><content type='html'>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"&gt;Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu não sabia como havia acabado lá, mas o certo é que abri os olhos e vi apenas o breu. Pés juntos em sapatos apertados. Alfinetes espetavam minhas costas através do tecido vagabundo do paletó idem. Eu navegava em pétalas fedorentas de rosas brancas. Assoei o algodão das narinas e gritei, o ar já rarefazendo em meu esquife. Enterrado vivo. Era só o que me faltava. Livrei as mãos e esmurrei a tampa acetinada. Berrei uma, duas vezes, sem resposta. Silêncio absoluto. Morte inevitável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu havia parado ali? Que médico imbecil consegue cometer uma gafe dessas em pleno século XXI? Forcei meu cérebro tentando recordar o que poderia ter acontecido. Nada. Nem uma pista mínima. Fui dormir e acordei aqui. Simples assim. Teria sido eu vítima do crime perfeito? Cheguei a ficar envaidecido. Quem em sã consciência perderia tempo planejando minha morte de maneira tão eficaz, tão limpa? Quem eu poderia ter provocado a ponto de querer minha morte? Parei de listar os nomes quando passaram de vinte. Sim, doutor, você estava na lista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um instante minha face se contorceu num choro desesperado. Eu ia morrer! E da pior maneira possível! Sufocando lentamente em uma caixa de madeira lacrada e fedendo a rosas. Numa roupa ridícula. Sem chances de me vingar ou mesmo de arrastar meu assassino comigo. De fazê-lo provar um pouco de seu próprio veneno. De vê-lo dar seu último suspiro segundos antes do meu. Fui privado da única satisfação que eu poderia tirar de minha morte: minha vingança!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não podia me render assim! Não, eu não tenho uma vida que mereça ser poupada, é claro. Sou uma seqüência de desperdícios desde o momento que nasci. Desperdícios próprios e alheios. Realmente quem fez o que fez deve ter algum motivo. Não o julgo. Mas, como bom egoísta, quero mais que estas racionalizações se fodam. Eu precisava sair dali. Esperneei e gritei o máximo que deu. Não movi a tampa nem um milímetro sequer. Desespero pela inevitabilidade. Tantas vezes pensei ter chegado a este ponto, mas nada se compara ao que senti naquele momento. Gritei até a voz acabar. Rasguei o forro de cetim da tampa e mastiguei pétalas até ficar exausto. Depressão. Ninguém me ouviria. Era o meu fim. Acabou. Morri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fodeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi em meu silêncio mórbido que ouvi as primeiras batidas do cinzel no lacre de concreto. Alguém tinha me ouvido. Tentei continuar gritando, mas quase morri engasgado pelas pétalas. Tossi tanto que, durante as convulsões, bati a cabeça na tampa do caixão algumas vezes. Dane-se. As cinzeladas continuavam, cada vez mais fortes. As lágrimas que escorriam agora eram de alívio. Será que havia ar suficiente em meu esquife para que meu salvador chegasse? Tentei relaxar. "Se eu sair daqui prometo que tudo será diferente", pensei. Eu mudaria. Seria uma pessoa melhor. Alguém respeitável. Alguém que faria a vida valer a pena. Chega de desperdício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente meu mundo inteiro tremeu. O caixão era erguido. Quase lá, quase. Senti a pancada quando fui jogado ao chão. Um parafuso. Outro. Mais um. Pode respirar à vontade agora. Tem ar suficiente. Mais outro. E outro. Quantos parafusos tem essa porra de caixão, caralho?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tampa então é aberta e a chuva cai torrencialmente em meu rosto, lavando as lágrimas. Parado ao lado do caixão uma criatura disforme pela precipitação e ofuscação. Um cigarro em sua boca continua aceso mesmo sob a chuva. Será?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem é você? - perguntei antes mesmo de agradecer. Ele não respondeu. Apenas bateu de leve com o indicador em sua têmpora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que merda era aquela? Era ele que tinha me colocado lá? Levantei, espalhando flores pelo chão molhado. A roupa apertada limitava meus movimentos, mas mesmo assim consegui agarrá-lo pelo pescoço. O cigarro caiu e assobiou no chão. Sua expressão era de medo. Medo genuíno. Que delícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não... fui... eu... que... - engasgou ele. Apertei mais seu pescoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou pouco me fodendo. Você está perto. É o suficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele começou a se debater, mas estranhamente não tinha força alguma. Era apenas uma sombra raquítica, uma imagem projetada de um ego inflado. Uma xerox amarelada e borrada. Não valia o esforço. Com uma joelhada em seu estômago larguei-o sobre uma poça d'água. Foi quando eu vi o ego original escondido sob um oratório. Seus olhos estavam arregalados como os de um cachorro prestes a ser atropelado. Olhei para ele e sorri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está com medo do que? Não era isso o que você queria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não respondeu. Ficou ali, parado com sua cara de pastel amanhecido. Não me fiz de rogado e chutei sua criatura mais uma vez. Acho que ambos sentiram o golpe. Espero que tenham sentido. Puxei catarro e cuspi no rosto disforme aos meus pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você queria isso que eu sei - eu disse, em meio a uma risada. - Agora agüenta. E não me diga que não avisei!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se virou e saiu correndo. Apenas observei enquanto ele cambaleava por entre os túmulos em direção à saída. Não o persegui. Sabia que o veria de novo ainda. Alguns carrapatos são mais difíceis de se livrar que outros. Mas a mensagem estava dada. Ajeitei o máximo que pude meu paletó vagabundo e fui embora. Para casa. Para a nova vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora agüenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não diga que não avisei.&lt;small&gt;&lt;/small&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-3855208089902945660?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/3855208089902945660/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=3855208089902945660' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/3855208089902945660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/3855208089902945660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2008/05/um-tanto-sbita-mas-no-morte.html' title='Um tanto súbita, mas não morte'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-7278396731032885814</id><published>2008-05-05T15:59:00.001-04:00</published><updated>2008-05-05T15:59:16.064-04:00</updated><title type='text'>Anti-atividade</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;Doutor,&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;sabe como aumentar sua respeitabilidade no ambiente de trabalho com apenas uma frase? É simples. Deixa eu explicar passo a passo pois você é meio lentinho:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;blockquote&gt;1) Aguarde o exato momento quando estão instalando alguma coisa, tipo carpete, divisórias, etc. Programas de computador não vale.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;2) Quando começarem a espalhar aquela cola que tem aquele cheiro característico (é, ESSA mesmo) pare do lado e abra um sorriso.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;3) Quando algum superior seu passar por perto, simplesmente largue a frase: "Ah, que saudades do meu tempo de moleque...".&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;4) Aproveite o respeito recém adquirido.&lt;br/&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br/&gt;Viu que fácil, doutor? &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Vou longe nesta empresa, não acha?&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-7278396731032885814?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/7278396731032885814/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=7278396731032885814' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/7278396731032885814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/7278396731032885814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2008/05/anti-atividade.html' title='Anti-atividade'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-917557888977165620</id><published>2008-04-28T15:24:00.001-04:00</published><updated>2008-04-28T15:24:30.402-04:00</updated><title type='text'>Arrotando Tutu</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;Doutor,&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;você bem sabe que não tenho e nunca tive pretensão nenhuma de ficar rico. Nenhum objetivo de angariar mais dinheiro que eu possa gastar. Sei bem de minhas capacidades econômicas e já a algum tempo assumi essa minha limitação. Sou pobre e sempre serei. Vivo num apartamento modesto, dirijo um carro velho e estropiado e me visto com roupas puídas e fora de moda (aliás, o que é moda?). Sou o que sou e não tenho vergonha nenhuma disso. Não tenho orgulho, mas tampouco tenho vergonha. Tenho o estilo condizente com os meus rendimentos e não mais que isso. Sou...&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Ah, você entendeu!&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O que EU não entendo é essa mania que o povo tem de aparentar mais grana do que realmente tem. Manja aquele negócio de comer tutu e arrotar caviar? Gastam tudo e um pouco apenas mais para ostentar o que não tem. Compram carrões em crediários gigantescos, apartamentos caríssimos com juros escorchantes, roupas de &lt;i&gt;griffe&lt;/i&gt; pornograficamente caras, acessórios e balangandãs inúteis só para mostrar que são ricos. Quando não são. Mas não interessa o que se é. Interessa o que os outros acham que você é. A opinião alheia é mais importante que a própria. Realmente não consigo compreender.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Digo isso pois ontem eu estava voltando de um churrasco e, numa crise de bobeira, deu uma fome absurda. É, eu mais bebi que comi no churrasco (MUITO mais). Convenientemente estava passando ao lado de um McDonald's. Como estava com preguiça para cozinhar e sem saco para entrar em restaurante, embiquei no &lt;i&gt;drive-thru&lt;/i&gt;. Na minha frente um baita carrão daqueles, sabe? É, porque eu mesmo não sei. Não entendo porra nenhuma de carros. Só sei que era daqueles que chamariam a atenção até em feiras de automóveis. Novo, limpinho, brilhante, coisa fina. De curiosidade olhei para  o espelho retrovisor, só para sacar a cara do motorista. Era uma garota de, no máximo, uns 25 anos. Linda, toda arrumada e emperequetada. O braço esquerdo estava com ao menos umas 20 pulseiras com aparência de caras. O cabelo loiro indefectível, o que, num domingo a noite, é coisa rara de se ver. Rosto bem maquiado. Roupa impecável. Linda mesmo. Sério.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Mas como expliquei no primeiro parágrafo, tenho plena noção de meu estado atual e do que as pessoas pensam de mim. Sabia nesta primeira análise que uma mulher daquela só chegaria perto de mim se fosse pra dar esmola ou enxotar. Ou ignorar acintosamente. Aumentei o volume de meu rádio até que as caixas estourassem e estragassem completamente a música. A fila andou um pouco e chegou a vez da mini-perua-em-experiência fazer seu pedido. Fez. Forma de pagamento? A mão excepcionalmente manicurada entregou um cartão daqueles "platina" ou "diamante". Ela digitou a senha e ambos aguardamos. Meu estômago roncava. Cartão recusado. Deu outro. Mesmo ritual. Mesmo resultado. Mais um cartão, mais uma recusa. Outro! E mais um! Todos sumariamente recusados. O pessoal na fila começava a ficar impaciente. Buzinadinhas, "puta que os pariu" escapando pelas janelas abertas. Eu só observando enquanto a graça e a pose da vaquinha desapareciam aos poucos. Quando ela entregou um VALE-REFEIÇÃO vi que já não havia mais esperanças de redenção de sua pose. E pior: igualmente recusado!&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Aí decidi interferir. Desci do carro e perguntei qual o motivo de tamanha demora. Ela engasgou ao tentar responder. O atendente ficou elegantemente mudo. Disparei: "Querida, se não tem como pagar, porque não sai fora? Tem gente com fome aqui querendo comer...". Ela nem se dignou a tentar responder. Sacou o celular e ligou pra alguém. Meu movimento motivou os motoristas atrás de mim a dispararem suas buzinas. Por conta do barulho ela teve que gritar no telefone: "Sou eu, benhÊÊ. Estou no Mac e não estou conseguindo passar nenhum cartão. Já tentei. Esse também. TODOS! Juro! Não sei, espera", e se dirigiu ao atendente: "Moço, aceita cheque?". Até eu, na minha ignorância completa, sei que o MacDonald's não aceita cheques faz tempo. O desespero e as buzinas iam a mil.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Eu podia ter feito tanta coisa ruim, doutor. Tanta crueldade. Podia deixá-la como uma galinha d'angola numa montanha russa desgovernada se eu quisesse. Claro que podia. Mas ao invés disso simplesmente perguntei ao atendente quanto tinha saído a compra dela. "Dezessete e cinqüenta". Saquei a carteira e paguei com uma nota de vinte. O cara não acreditou, mas confirmei com um gesto de cabeça. Vai nessa, pode cobrar. Me dá o troco.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Só aí que a perua-destronada percebeu o que estava acontecendo. Ela tentou dizer que não era pra eu fazer aquilo, que ela ia conseguir, essas coisas. Rejeitei magnanimamente seus argumentos com um sorriso. Ela não sabia onde enfiar a cara. Desligou o celular na cara do BenhÊÊ e me pediu o número de minha conta, que ela me pagaria aquilo amanhã mesmo, essas coisas. Recusei solenemente. Ao invés disso cheguei perto dela e soltei o golpe fatal:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- Relaxa, linda. Eu arroto tutu.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Voltei pro meu carro antes que ela conseguisse entender o que eu tinha dito. Duvido que algum dia entenda, mas tenho esperanças. Ela pegou sua sacola marrom e saiu fritando pneus. Fiz na seqüência meu pedido e fui pra casa comer.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Garanto uma coisa: foi o melhor Big Mac da minha vida.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-917557888977165620?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/917557888977165620/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=917557888977165620' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/917557888977165620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/917557888977165620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2008/04/arrotando-tutu.html' title='Arrotando Tutu'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-1247431680161933205</id><published>2008-04-23T17:24:00.001-04:00</published><updated>2008-04-23T17:24:07.142-04:00</updated><title type='text'>Capitulação</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;Doutor,&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;eu desisto.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Desisto de tentar. Qualquer coisa. De buscar e se decepcionar. De fugir e não conseguir se esconder. De procurar soluções e se frustrar ao descobrir que elas de nada servem ou apenas servem para gerar mais problemas.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Desisto da humanidade. A humanidade está fadada ao fracasso inexorável. Por mais que teimemos em prolongar nossa permanência nefasta no planeta um dia perceberemos que o mundo estará bem melhor sem nós. Sim, doutor, eu me incluo nessa turba. E te incluo. A todos nós. Você também, meu caríssimo leitor ignóbil que vem aqui sem ser convidado. Sua mãe também. Toda sua família. E a minha. E daí?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Foda-se quem jogou a porra da menina pela janela. Se foi o pai, a madrasta, o Peter Pan ou o espírito santo. Foda-se o destino do padre-voador-bisonho e suas bexigas multicoloridas. Foda-se a terra que treme e a falta de assunto da TV aberta. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Desisto também de tentar me matar, seja rápida ou lentamente. Apenas sigo em frente estagnado. Desisto de sentir raiva ou tristeza ou mesmo qualquer sinal de alegria. De procurar sentido numa realidade niilista. De mijar dentro do balde. De respeitar qualquer lei. De batalhar dia a dia tentando prolongar minha existência medíocre. De ajudar os outros a prolongarem suas. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Não, doutor. Não desisto da vida. Desisto de me preocupar em existir.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;E, na boa, pouco me interessa sua opinião ou a de qualquer um a este respeito. Foda-se se parece "emo" ou qualquer outra merda rotulada por cabecinhas limítrofes. Pensem a porra que quiserem. Chafurdem em seus raciocínios lógicos. Simplesmente cansei. Não tento mais nada. Sou um subproduto do mero acaso e é com isso que arrastarei meus dias. Chega de vitórias mesquinhas e declarações de renda. De contas infinitas e ganhos limitados. De psicanalistas sem respostas e malucos sem perguntas. De idiotas que não entendem piadas ou que as levam ao pé da letra.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Eu abraço a insanidade e beijo-a de língua.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Pau em violenta ereção sem nenhum motivo aparente.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Pega e chupa quem quiser.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Pouco importa.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Eu desisto.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;E ponto final.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-1247431680161933205?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/1247431680161933205/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=1247431680161933205' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/1247431680161933205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/1247431680161933205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2008/04/capitulao.html' title='Capitulação'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-8296332475660803185</id><published>2008-04-22T23:30:00.002-04:00</published><updated>2008-04-22T23:34:20.071-04:00</updated><title type='text'>Sacode!</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sentiu a terra tremer? Não, não eram os feijões pururuca que você comeu na janta. Foi terremoto mesmo. Que nem nos filmes. Chique, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que eu tenho a ver com isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porra nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que vai ser foda agüentar amanhã a turba cretina dos evangélicos falando que este é o primeiro sinal do apocalipse. Não vai ter outro assunto na Universal por dias!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única coisa que vamos ter em comum é a decepção por não ter morrido ninguém...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-8296332475660803185?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/8296332475660803185/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=8296332475660803185' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/8296332475660803185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/8296332475660803185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2008/04/sacode.html' title='Sacode!'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-4993677471066747963</id><published>2008-04-14T10:57:00.009-04:00</published><updated>2008-12-11T06:50:59.879-04:00</updated><title type='text'>Top 5 - Momentos Bizarros no Cinema</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;li &lt;a href="http://rosebudeotreno.com/?p=835"&gt;aqui&lt;/a&gt; uma divertida lista de momentos bizarros acontecidos no cinema. É uma lista interessante, e alguns dos momentos são mesmo bizarros. Mas, como o doutor bem sabe, o maior ímã de maluco que existe é este que voz escreve irregularmente. Então, numa demonstração de completa falta de originalidade de minha parte, faço aqui a minha própria lista semelhante:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;5- O Resgate do Soldado Ryan&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SAN7G3Rqt7I/AAAAAAAAAPo/RkuY1b3BLUU/s1600-h/ryan.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SAN7G3Rqt7I/AAAAAAAAAPo/RkuY1b3BLUU/s200/ryan.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5189126553508427698" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Sala cheia. Lotada. Infernal. Do meu lado senta uma loira simplesmente deslumbrante junto com o namorado. Normalmente eu ficaria feliz apenas pela visão daqueles peitos no decote, mas ela já demonstrou sua limitada capacidade mental logo nos comerciais. Eu sabia que ia ficar irritado mas como não havia mais lugares disponíveis na sala, me resignei. Ela passou a primeira meia hora do filme (quem assistiu sabe do que estou falando) soltando gritinhos como "Ai, que horror!", "Nossa!", e levando sustinhos histéricos na cadeira, como se tivesse um vibrador intermitente em seu assento. Mas isso não foi o pior. Logo que a invasão da Normandia termina e o filme em si começa, ela dispara: "Quem é o soldado Ryan?". O namorado pacientemente explica que é quem eles tinham que resgatar (que ela conseguiria descobrir caso tivesse prestado atenção na PORRA do nome do filme...). Não funcionou. Ela passou o filme inteiro perguntando pro namorado "Esse é o Ryan?" pra cada soldado que passava na tela. Levando em conta que é um filme de guerra e TODOS os personagens na tela são soldados, imagina como eu estava? Quando finalmente surge o maldito soldado Ryan, viro e aponto pra ela: "ESSE é o Ryan! Satisfeita agora?". O namorado ri. E ela coloca a cereja no bolo: "Mas o Ryan não era o Tom Hanks?". Assistimos o resto do filme em total silêncio depois disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;4- Twister&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SAN7SnRqt8I/AAAAAAAAAPw/Ksi0FWWpoGI/s1600-h/twiter.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SAN7SnRqt8I/AAAAAAAAAPw/Ksi0FWWpoGI/s200/twiter.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5189126755371890626" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Assistir lançamento de blockbuster é sempre uma merda. Adolescentes lotavam a sessão. Como esse é um filme que se sustenta nos efeitos visuais e sonoros, o volume estava no máximo. Isso não foi o suficiente para um moleque do meu lado calar a boca durante o filme inteiro. Comecei de leve, dando aquela famosa olhadinha de esguelha. Não adiantou. Ele queria aparecer mais que o filme. Gritava, fazia piadinhas, batia palmas, etc. Em determinado momento mandei-o calar a boca. Ele respondeu alguma coisa, mas não deu pra ouvir. Foi quando a famosa cena da vaca passou. Ele simplesmente se descontrolou. Ria e berrava como uma hiena anfetaminada. Não deu mais pra agüentar. Levantei da cadeira e fui em sua direção. Desci o braço. Consegui esmurrá-lo umas 5 ou 6 vezes antes das luzes se acenderem e os seguranças chegarem e nos colocarem pra fora do cinema. Nunca assisti ao final desse filme (estava uma merda mesmo sem a intervenção do moleque).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;3- Parque dos Dinossauros&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SAN7hHRqt9I/AAAAAAAAAP4/LGdDgpLfAPc/s1600-h/jurassic_park_ver1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SAN7hHRqt9I/AAAAAAAAAP4/LGdDgpLfAPc/s200/jurassic_park_ver1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5189127004479993810" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Fui assistir esse com minha prima que tinha vindo do interior. A sala estava em silêncio estupefato durante a projeção (os efeitos eram realmente impressionantes para a época). Nada podia atrapalhar. No momento mais tenso do filme, a cena da cozinha, um maluco se levanta umas duas ou três fileiras na frente da minha, pega um cara da platéia pelo colarinho e o arrasta até a parede. Lá começa a aplicar uma senhora surra no coitado. Filme pára, luzes se acendem, o caos governa. De repente todo mundo estava  no meio da briga. Minha prima se assustou e eu, para descontraí-la (sim, eu tinha planos) disse: "Relaxa. É cinema 3D". Ela riu nervosa, mas o cara do meu lado soltou um "Não tem a menor graça..." e em seguida "Vou resolver isso agora!". Se levantou e tirou um revólver da cintura! Sério, doutor, não estou brincando! Puxei minha prima e nos escondemos entre os encostos. O maluco ergueu a pistola e disparou duas ou três vezes para o alto. Aí virou um pandemônio. A briga realmente terminou, mas todo mundo saiu correndo, se acotovelando e gritando apavorados. Não tinha como eu fugir também, pois pra sair teríamos que passar pelo maluco, então ficamos lá, abaixados. De repente a sala ficou vazia. Não sei bem o que aconteceu. Sentamos na cadeira pra nos refazer do susto quando apareceu um funcionário do cinema. Perguntei: "Não dá pra ligar o filme de novo? Estava REALMENTE legal...". Não deu certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;2- Traídos pelo Desejo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SAN71nRqt_I/AAAAAAAAAQI/y79x7vQn8zY/s1600-h/Crying_game.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SAN71nRqt_I/AAAAAAAAAQI/y79x7vQn8zY/s200/Crying_game.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5189127356667312114" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Esse eu levei uma paquerinha do tempo do colégio. Na verdade nem queríamos assistir filme nenhum, só arrumar um lugar escuro pra se beijar sem interrupções. Escolhemos o filme a esmo. Entramos e começamos a sessão esfrega-e-agarra. Só que o filme era interessante. Começamos a prestar atenção (mesmo parando de vez em quando). Chega a cena que o terrorista leva a "corista" pro quarto dela. Éramos adolescentes fazendo coisas proibidas, hormônios à flor da pele. O clima estava perfeito até a maldita "corista" tirar seu robe e libertar sua mandrulha assassina. Brochamos os dois na mesma hora. Perto da gente percebi que o efeito foi semelhante. Metade da platéia se levantou e foi embora. Nós os acompanhamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;1- Factotum&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SAN8CHRquAI/AAAAAAAAAQQ/tZbBLP-B980/s1600-h/factotum.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SAN8CHRquAI/AAAAAAAAAQQ/tZbBLP-B980/s200/factotum.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5189127571415676930" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Esse eu fui assistir na única sala que foi exibido por aqui, numa quarta feira a tarde (eu estava de férias). Pra quem não sabe, o filme é baseado na obra homônima de Charles Bukowski, escritor famoso pelo tom explícito, quase pornô e altamente escatológico. Eu adoro. Mas qual não foi minha surpresa ao ver que só havia duas velhinhas na platéia. Era eu e elas. Uma delas estava totalmente alienada, como se estivesse num transe medicinal. A outra estava fazendo TRICÔ! Muito bizarro mesmo. Começou o filme, ao qual assistimos inteirinho sem interrupções (a velhinha em transe podia estar morta, pensei, mas não foi o caso). Quando o filme terminou fiquei alguns momentos ainda digerindo a experiência (assista ao filme pra entender). Ao meu lado a velhinha tricoteira me olhava com um sorriso. Sorri de volta. Ela então soltou: "Bukowski é foda, não é, meu filho?". Demos umas boas risadas. Levantei-me e nos abraçamos.  Não, doutor, não rolou nada. Saímos da sessão e nunca mais nos vimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS.: Para quem além do doutor ler isso: não é uma porra de um meme, nada disso. É só um plágio. Fiz porque quis. Faça uma se quiser. Só não me avise, ok?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PPS: Não, doutor, eu não assisti a "Clube da Luta" no Morumbi. Eu tava na sala ao lado...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-4993677471066747963?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/4993677471066747963/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=4993677471066747963' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/4993677471066747963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/4993677471066747963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2008/04/doutor-li-aqui-uma-divertida-lista-de.html' title='Top 5 - Momentos Bizarros no Cinema'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SAN7G3Rqt7I/AAAAAAAAAPo/RkuY1b3BLUU/s72-c/ryan.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-7458969711482706346</id><published>2008-04-10T15:02:00.004-04:00</published><updated>2008-04-10T16:10:44.973-04:00</updated><title type='text'>Bisonhices na madruga</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;noite passada, após a habitual luta diária contra a insônia, consegui finalmente pregar os olhos às 2 da manhã. Televisão, computador, rádio, cérebro, tudo desligado. Deitei e fechei os olhos, pronto para encerrar mais um dia miserável igual a todos os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é claro que essa história não teria a menor graça se fosse apenas isso. Não, caro doutor, a desgraça é uma companhia teimosa e inconveniente. Poucos minutos após ter encostado o encéfalo cansado no travesseiro puído começo a sentir uma coceira chata no antebraço esquerdo. Não era uma simples coceirinha. Era uma daquelas. Inchou muito rápido. Enquanto ainda coçava a primeira veio a segunda picada. A terceira. A quarta. Era um ataque! Arremessei o cobertor longe, temendo pulgas, e comecei a me coçar inteiro, maldizendo a mim mesmo por não ter um pote de calamina ou algo que o valha por perto. Acendi a luz e descobri que o problema não eram pulgas, mas mosquitos. Um enxame deles! Corri para a área de serviço. Iria terminar a emboscada mosquitífera com doses maciças de inseticida. Peguei o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;spray&lt;/span&gt; e, quando estava pronto para substituir toda a atmosfera de meu apê em uma nuvem venenosa lembrei-me de minha gata. Queria matar mosquitos, mas não ela. Não ainda. Ela tem sua utilidade. Não sei bem qual, mas que tem alguma, isso tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toca procurar a gata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei-a embaixo do sofá, roncando de boca aberta. Sem muita paciência (lembre-se: eu estava coçando inteiro) puxei-a e a coloquei no colo. Meu plano era simples: com a gata no colo eu passaria inseticida. Depois nos abrigaríamos no banheiro até a nuvem tóxica se dissipar. Simples assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só esqueci de um simples detalhe: gatos e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sprays &lt;/span&gt;não se dão exatamente muito bem juntos. Assim que apertei a válvula do inseticida e o primeiro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tisss...&lt;/span&gt; se fez ouvir, minha gata se transformou imediatamente num demônio da Tasmânia. É, igual ao desenho. Uma nuvem de garras, dentes e pêlos dilaceraram meu braço, peito e pescoço. Derrubei a lata e a gata ao mesmo tempo, berrando e sangrando. A lata rodopiou pelo chão até se esconder debaixo do sofá. A gata se desmaterializou como por mágica. Acho que acordei o prédio inteiro com os xingamentos. Fui no banheiro e estanquei o sangue o melhor que pude (com pedaços de papel higiênico, pois os bandêides tinham terminado). Com metade do corpo coberto de trapos higiênicos, saí em busca da maldita felina. Não para matá-la, como deveria, mas para prendê-la no banheiro. Fiquei imaginando os mosquitos vendo todo aquele sangue em mim e babando como moleques de rua ao verem uma pilha de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;crack&lt;/span&gt;. Mesmo assim levei absurdos 45 MINUTOS para conseguir capturá-la, tão arisca ela estava após o susto. Agarrei-a pelo cangote e prendi-a no box do chuveiro. Em seguida esvaziei a lata de inseticida no apartamento inteiro e me tranquei no banheiro. Esperei lá por quase duas horas, até que o cheiro de veneno se dissipasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saldo da bisonhice: só consegui deitar efetivamente já passava das 5 e meia da manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desliguei o despertador e usei as últimas idéias coerentes para inventar uma desculpa para faltar no trabalho hoje. Não consegui inventar nenhuma boa, mas dormi assim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei às 8 da manhã com a voz de minha diarista me dizendo: "Seu Zebedeu, não tem um produto de limpeza aqui. 'Cabou tudo. Tem que comprar, senão não dá pra trabalhar, não...". Meia hora depois estava eu no supermercado, comprando produtos de limpeza como um zumbi. Peguei uma fila monstruosa para pagar a compra mirrada. Quem além de alguém completamente desesperado vai ao mercado às 9 da manhã?! Ou o mundo está povoado por desesperados ou há poucas esperanças para a humanidade. Mas divago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei pra casa e já passava das 10. Entreguei o pacote e peguei minhas coisas, resignado a ter que ir trabalhar com pouco mais de 2 horas de sono mesmo, quando a faxineira me pergunta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seu Zebedeu, a gata tá trancada no box por alguma razão? Ela tá miando que nem uma louca...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Putz, a gata! Resisti ao primeiro impulso de ir lá libertá-la e, olhando para as feridas em meu braço e lembrando da dor da noite anterior, sentenciei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deixa ela lá. Ela merece. Se começar a desidratar liga o chuveiro e tá tudo certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu poderia enquadrar a expressão de minha faxineira e olhar todo dia antes de ir pro trabalho. Clássico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se alguém da APA* ligar aí, você não me conhece, hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;* Associação Protetora dos Animais&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-7458969711482706346?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/7458969711482706346/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=7458969711482706346' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/7458969711482706346'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/7458969711482706346'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2008/04/bisonhices-na-madruga.html' title='Bisonhices na madruga'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-2855746943855969468</id><published>2008-04-09T00:08:00.002-04:00</published><updated>2008-04-09T00:16:03.806-04:00</updated><title type='text'>Histórias</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;certas histórias são tão intensas, tão poderosas, que você sente que se as colocar em palavras irá apenas diminuí-las. Desmerecê-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim vou manter esta apenas para mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-2855746943855969468?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/2855746943855969468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=2855746943855969468' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/2855746943855969468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/2855746943855969468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2008/04/histrias.html' title='Histórias'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-6362747593318708268</id><published>2008-04-01T00:58:00.005-04:00</published><updated>2008-04-01T01:54:27.911-04:00</updated><title type='text'>Tragédia?</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu fiz tudo certo. Fiz sim. Fiz do jeito que você disse. E foi do jeito que você disse. Libertei minha psique dos grilhões, por mais cafona que possa parecer. Estou mais leve, mais centrado. Agitado ainda, é certo, mas é uma agitação boa, como há muito não sentia. Adrenalina e endorfina. O drinque dos deuses. O veneno de Phobos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O medo acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz tudo certo. Tudo direitinho. Segui-a depois do trabalho. Ela nem me percebeu. Ela nunca me percebeu. Segui-a até o metrô. Entrei no vagão incógnito como o resto. Mais um rosto cinza, por mais que eu teimasse em não parar de suar, mesmo sob o forte ar-condicionado. Ela ficou lá, segurando a barra de aço com dedos murchos. Imaginei-a batendo uma punheta com aqueles dedinhos frouxos. Imaginei que deveria ser semelhante a receber um boquete de uma mendiga desdentada. A boca ruminava um chiclete. Os olhos tontos meio chapados davam a ela um ar de retardada. Mas eu sabia que ela não era de retardada. Estava só se fazendo. Estava só atraindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que não demorou. Um pedreiro, peão, sei lá, chegou perto e, com a discrição de uma jaca num &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sushi-bar&lt;/span&gt;, começou a esfregar-se em sua bunda perfeitamente confinada pelo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;jeans&lt;/span&gt;. Ela se virou, fazendo ar de indignada, e se afastou. O peão também, resmungando. Puta. Piranha. Vagabunda. Instiga e depois esnoba. Vaca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuei seguindo-a quando ela saiu do vagão. Quase a perco no tumulto da estação. Na rua a tarefa era mais difícil, mas consegui não ser descoberto. Ela chegou em sua casa, abriu o portão e entrou. Eu fiquei lá. Sabia que ela não morava sozinha. Rádio peão. Em poucos minutos sua colega de quarto iria embora, trabalhar ou numa loja de conveniência ou num puteiro. Só alguns minutos. O tempo exato para bolar um plano de invasão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final foi mais simples que eu imaginava. A colega saiu e não trancou a porta. Só bastou esperar a luz do banheiro acender para entrar. Corri, ouvindo a sua cantoria de harpia no banheiro. Entrei em seu quarto e travei por um instante, incerto do que estava fazendo ali. Ainda tinha volta. Que idéia estúpida! Vai embora, Zebedeu. Ainda dá tempo. Sai daí!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Óbvio que, tão centrado estava em minhas dúvidas que não percebi que ela tinha terminado seu banho. Só me toquei quando ouvi a cantilena mais e mais alta no corredor. E como o pânico geralmente atrai clichês, corri e me escondi no armário. Pela fresta a vi entrar no quarto, nua, a toalha enrolada na cabeça. Linda, linda, perfeita em cada curva, cada desenho em sua pele. Notei com prazer que ela tinha os convenientes apoios para polegares em suas costas. Sabe? Aquelas pequenas depressões gêmeas na base das costas, logo acima das nádegas, que apenas as mulheres mais deliciosas têm? Apenas as mulheres anatomicamente perfeitas para serem enrabadas? Seria uma pena, um desperdício...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto ela se ajeitava, ainda nua, na banqueta em frente a uma antiga penteadeira, eu me despia, controlando-me ao máximo para não fazer barulho. Agora não tinha mais volta. Ela passava cremes e mais cremes no rosto. Alguns no corpo. Deu para ver sua pele se arrepiar mais de uma vez. Era quase uma masturbação. Uma masturbação que beirava o auto-lesbianismo. Uma ninfa narcisística. Que infelizmente foi interrompida por seu celular estridente (alguma música techno-trance-qualquer-merda-dessas). Atendeu. Alôs, gritinhos e gracinhas. Putinha. Vaquinha. Piranhinha. Comecei a tremer. Segurar o cabo da faca ajudou. Ela continuava fofocando no telefone. Fofocando do mesmo modo que fofocava no escritório. No almoço. Toda hora. Fofoqueira de merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem? O Zebedeu? Aquele estranho da área de... Nãããããããooooo, menina! Aquele é uma bicha. Não pega ninguém, não. Claro que falo! Tá protegendo por que? Nada. Se não for bicha é brocha, o que no final das contas dá no mesmo, né? Hahahahahahahaha. Você não existe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chutei a porta e finalmente saí do armário. Nu. De faca em punho. Ela gritou, arremessando o celular no susto, que quicou duas vezes antes de pousar perto de meu pé direito. Peguei-o e li o nome na tela. Próximo alvo. Desliguei a ligação e arremessei o aparelho pra longe. Ela já choramingava e escondia a nudez pateticamente. Perguntou alguma coisa, xingou algumas vezes. Berrou, pediu ajuda, desculpas, piedade. Arrastou-se perto de mim e ameaçou abocanhar meu pau em riste. Uma bofetada a fez mudar de idéia. Pânico. Gostei. Se arrastou para longe. Segui-a lentamente, tal qual um monstro de um filme B. Funciona. Por mais que ela se esforçasse, apenas dois passos meus já a deixavam sob meu alcance novamente. Não a deixei chegar ao corredor. Puxei-a pelos cabelos e, com um corte limpo, abri sua garganta de lado a lado. Uma nova boca que, quiçá, vai expelir menos merda. Um pouco mais de sangue, é certo, mas menos merda. Ela gargarejou e se retorceu. O grito já nasceu afogado. Ninguém para te ouvir, lindinha. Ninguém para testemunhar seus estertores além de mim. E eu os testemunho com gosto, até o último espasmo. Morta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não acabada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ajeitei seu corpo o melhor que pude. Abri suas pernas e vi por alguns minutos seu sexo. Uma bela boceta, lábios gordos, depiladinha, mas completamente seca. Árida. Puxei um escarro das entranhas e cuspi em cima dela. Cuspi também em meu próprio pau. Em seguida penetrei. Doeu pra burro, mas não parei por causa disso. Meti, fodi e trepei até quase gozar. Daí saí de cima dela. Coloquei em sua boca e finalmente me aliviei. Seus lábios inertes sorveram com cuidado cada gota. Levantei-me, peguei minhas roupas, me vesti e fui embora. Sorridente. Feliz. Realizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desenrustido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma data a ser comemorada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doutor, que dia é hoje?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-6362747593318708268?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/6362747593318708268/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=6362747593318708268' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/6362747593318708268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/6362747593318708268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2008/04/tragdia.html' title='Tragédia?'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-2366072844127422429</id><published>2008-03-03T10:55:00.002-04:00</published><updated>2008-03-03T10:59:34.916-04:00</updated><title type='text'>Panorâmica sem cortes</title><content type='html'>O sangue espirrou no asfalto e no tênis novo de Amadeu, fazendo-o xingar tão alto que ofendeu o evangélico Baltazar, que sempre teve orgulho do nome bíblico, apesar de não saber absolutamente nada a respeito do tal personagem, da mesma maneira que Carine também não o conhecia, mas sentia o cheiro acre do suor exalado em suas pregações no meio da praça, torcendo o nariz da maneira que Daniel mais gostava, daquele jeito de menina sapeca que as sardas ressaltavam e o faziam recordar da paixão juvenil por Eleanor, sua primeira professora que, por pura coincidência narrativa, passava ao largo naquele exato instante sem reconhecer os ex-alunos, desviando-se quase na última hora de Felipe, cuja pressa não permitia que perdesse tempo com bobagens, o que o fez trombar com Gisele, assustando-a de tal maneira que seus gritos por um breve instante retiraram Hugo da meditação contemplativa das pombas da praça e o fizeram pensar novamente em Ivana, sua mulher, que havia marcado o encontro com ele lá, na saída do escritório, mas que, graças a Juarez, o chefe da repartição que saía naquele momento da garagem com seu sedã preto, se atrasara, obrigando seu Lima a adiar o fechamento do prédio e a afastar o sono de doze horas de pé com mais uma xícara de café que dona Maria, a copeira, havia salvado da última garrafa térmica da reunião da diretoria, para irritação de sua supervisora, a famigerada e temida Neide, relações pública e torturadora amadora, descontando nos pobres incautos a frustração de sua paixão não correspondida pelo diretor de aquisições, o Dr. Otacílio, que não era doutor em nada, mas gostava de ser chamado desta maneira, pois acreditava que inspirava respeito, algo que seu funcionário e puxa-saco de plantão, o Plínio, fazia questão de ressaltar, para ódio e frustração de Quênia, cujas últimas promoções foram sumariamente rejeitadas por conta do tal puxa-saco e de seu escudeiro, o fofoqueiro Rodrigo, que a havia flagrado aos beijos com Saulo na saída de emergência e ameaçado contar tudo para a namorada traída, Tânia, que por acaso também era a estagiária predileta de Ubirajara, o vice-presidente de tecnologia que estava tão entretido ao telefone com Veridiana, sua esposa, tentando convencê-la de que não conhecia nenhum nome que começava com a letra X para dar a seu bebê que nem notou quando Zé,  analista de sistemas e deprimido, se atirou pela janela, espatifando-se como um melão maduro na calçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Taí, doutor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você queria uma amostra do que ando escrevendo, então coloco para você um texto reciclado. Antigo, apócrifo e anormal. Como eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que odeie.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-2366072844127422429?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/2366072844127422429/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=2366072844127422429' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/2366072844127422429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/2366072844127422429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2008/03/panormica-sem-cortes.html' title='Panorâmica sem cortes'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-7418193950066557421</id><published>2008-02-26T11:58:00.002-04:00</published><updated>2008-02-26T12:12:02.147-04:00</updated><title type='text'>Estaca Zero</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá estava eu novamente, remoendo idéias lubrificadas com álcool vagabundo, sentando a bunda num tamborete dum balcão de um bar qualquer. O copo, o guardanapo, o maço amassado, o isqueiro com pouco fluido, os olhos fixos, o cérebro a mil. Quando, para variar, alguém senta-se do meu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Problemas, amigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Normalmente apenas resmungo em resposta. Mas desta vez olhei para ver que figura meu Ímã de Malucos havia atraído. Um garoto. Imberbe. No máximo dezoito anos (o que deduzi apenas por estar bebendo um chope e não uma coca). Olhos claros. Cabelos impecavelmente longos. Camiseta branca. Pegou meu isqueiro sem pedir e acendeu um cigarro. Cravo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é da tua conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro que não - riu ele, soprando fumaça enjoativa em minha direção. - Nunca é da conta de ninguém. Todos somos ilhas flutuando num oceano de indiferença. Não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu mereço...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas seus problemas eu sei quais são. Você está cansado de ser bonzinho. De ser o último idiota da Terra. Cansou de ser passado para trás. Estou errado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora ele tinha conseguido minha atenção. Mas não o suficiente para que eu desse alguma trela. Isso não o impediu de continuar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A verdade é que você descobriu a duras penas que ser bom, ser correto só lhe traz problemas. Só lhe traz complicações. Não é isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E quem te disse que eu sou bom?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sei tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto, agora quem sabia era eu. Mais um megalomaníaco pra minha coleção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe tudo? Você é um tipo de deus?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ufa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sou o filho Dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha cabeça desabou e quicou duas vezes no balcão. Resmunguei algo como "putaqueopariuporquesempretemumaMERDAdefilhodaputaseachandoJesusnomeucaminho?". Ele riu. Levantei a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E o que o filho do cara está fazendo num boteco fedorento...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi mal, Zé. Traz outra, por favor? Continuando, o que o Jesus reencarnado está fazendo aqui, conversando com um merda como eu? Não tem uma humanidade inteira lá fora para você salvar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A humanidade está além de qualquer salvação. Não retornei para salvar a humanidade. Retornei para salvar o homem. Os homens como você. Não sou o cordeiro. Sou o lobo da evolução. Sou a mão esquerda. Aquela que destruirá, e não a que afagará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom trabalho. Espero que tenha sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Terei. Pode acreditar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Perdoe minha falta de fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tomou mais um gole do chope e tragou novamente o cigarro. Tossiu, com certeza pouco habituado aos vícios mundanos. Um Jesus moleque. Não sei por que mas fui com sua cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá, Jesus. Me conta uma parábola então. Algo que me faça pensar a respeito de perguntas que nunca fiz e que não me interessam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não tenho parábolas. Não sou o mensageiro, sou a mensagem. Não trago iluminação, trago epifania.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai ter que fazer melhor que isso pra me convencer, pirralho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não preciso te convencer. Você já é um convertido. Você é minha ferramenta. Através de você espalharemos a nova palavra no meio da perdição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Refleti a respeito disso um instante, enquanto Zé colocava uma dose em minha frente e levava o copo vazio embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer que eu seja seu apóstolo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um apóstolo de um messias da destruição da humanidade? Não era uma idéia tão ruim assim. Eu realmente havia chegado a uma conclusão que não adiantava nada ser bonzinho. Bonzinho só se fode. Bonzinho paga o preço dos cruéis. De repente era hora de mudar de estratégia. Espalhar o caos, a destruição, o ódio. Uma eugenia forçada. O mundo seria meu labirinto e os humanos meus ratos. Gostei da idéia. Ia responder isso a ele, mas vendo-o fumar com tanto prazer seu cigarrinho de cravo fiquei com vontade de fumar também. Puxei o maço, tirei um cigarro todo torto de dentro e resgatei o isqueiro. Clique, clique, nada. Só faísca. Sacudi-o. Clique, clique, clique. Porra nenhuma. O Zé não estava à vista. No bar apenas eu e Jesus. E ele tinha usado meu isqueiro pra acender o seu cigarro. Estava lá, me observando com cara de chapado. Nem para oferecer uma brasa. Tinha alguma coisa errada. Muito errada. Quando me vi estava amassando meu cigarro na mão. O cheiro de tabaco não-incinerado misturado à sua fumaça de cravo me embrulhou o estômago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uma parábola - pedi a Jesus. - Apenas uma. Acho que mereço, se você pretende que eu seja seu apóstolo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sou o deus das parábolas. Não mais. Agora sou o deus dos eufemismos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem esperei-o terminar. Chutei o pé se sua banqueta para trás. Ele caiu para frente, o rosto atingindo em cheio o balcão. O banco rolou para longe. Ele, para perto. De mim. Agarrei seus cabelos e o ergui. Foi uma pancada feia. O lado esquerdo de seu rosto estava inchado e com certeza ficaria roxo. O lábio sangrava. Olhava-me apavorado, com aqueles olhos azuis irritantes. Tremia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Levanta! - berrei. - Levanta, seu merda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que foi que eu fiz?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lágrimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nada. Esse é o problema. Não fez porra nenhuma. Não fez o que eu queria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E o que é que você queria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora não interessa mais o que eu queria. Interessa o que eu quero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E o que você quer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A outra face.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esmurrei-o do lado direito. Ele caiu para trás, a cabeça quicando no piso como uma bola de boliche. Gemeu. Em meus dedos haviam tufos de seu cabelo agora não mais impecável. E seu sangue nos nós de minha mão direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Messias é o meu caralho - rosnei em sua direção. Ele tentou rastejar para longe de mim. Escorregou. Não ia longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deixa ele! - gritou Zé às minhas costas. Parei, sem olhar para trás. Sabia que com certeza ele estava me apontando a medíocre vinte e dois que sempre deixava muquiada embaixo do balcão para emergências. Avaliei a situação por um instante. Não valia a pena. Sem me virar saquei a carteira, tirei uma nota e joguei-a no chão. Jesus continuava lá, sangrando e gemendo ridiculamente. Passei por ele sorrindo. Duvido que ele fosse esquecer de mim tão cedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Escreve isso no teu evangelho, moleque - disse, o mais cheio de escárnio que consegui. Ele não respondeu. Apenas sorriu de volta. Um sorriso assustador. Um sorriso de cumplicidade. Me pegou de surpresa. Sem saber mais como lidar com aquilo saí do bar. Já na rua atirei seus cabelos na sarjeta e fui pra casa. Demorei a dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso aí, doutor. De volta à estaca zero.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-7418193950066557421?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/7418193950066557421/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=7418193950066557421' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/7418193950066557421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/7418193950066557421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2008/02/estaca-zero.html' title='Estaca Zero'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-3483706887794756174</id><published>2008-02-14T16:45:00.003-04:00</published><updated>2008-02-14T16:57:15.944-04:00</updated><title type='text'>Sobre Amizades e Mulheres</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;permita-me citar outro doutor aqui, o cachorrão &lt;a href="http://papodehomem.com.br/category/dr-love"&gt;Dr. Love&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;a href="http://papodehomem.com.br/nelson-rodrigues-enviou-uma-perguntas/"&gt;Caro FDP, amizade entre homem e mulher é uma brincadeira de fósforos. Hora se acende, hora se apaga.&lt;/a&gt;&lt;/blockquote&gt;A verdade é que a gente nunca segue a máxima de sua tia,  avó, mãe, ou vizinha-varizenta-mal-amanda e sempre acaba brincando com fogo, mesmo sob a perspectiva nada lisonjeira de se mijar todo na cama de noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brinca e se queima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a queimadura dói pra cacete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque se tem coisa pior que perder uma pessoa por quem se tem sentimentos é perder uma amiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não tem jeito. Como continuar sendo amigo de uma pessoa que você já se envolveu emocionalmente? Ou que continua envolvido? Como evitar um surto psicótico destrutivo se por acaso você testemunhar sua amiga se agarrando a outro cara numa balada? Como evitar os murros no espelho do banheiro, as falanges esfaceladas com os cacos, o prejuízo na conta, o vexame de ser arrastado pra fora do bar por um segurança três vezes maior que você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas que me deu uma vontade imensa de quebrar alguma coisa agora, isso deu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me encontre amanhã nas páginas policiais, doutor.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-3483706887794756174?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/3483706887794756174/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=3483706887794756174' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/3483706887794756174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/3483706887794756174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2008/02/sobre-amizades-e-mulheres.html' title='Sobre Amizades e Mulheres'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-6327050309239162995</id><published>2008-01-31T17:55:00.000-04:00</published><updated>2008-02-01T14:13:11.643-04:00</updated><title type='text'>Enxaquecas pré-carnavalescas</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estou com dor de cabeça. Daquelas. Quase uma cefaléia. Sinto meu cérebro quicando em minha caixa craniana a cada batida de meu coração. Dói. Pra caramba. Parece que vou explodir. Só o ruído de meus dedos judiando do teclado parece uma escola de samba em meu cerebelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando em escola de samba, é chegada a hora de tirar a Lecy Brandão do formol. Filha da puta! Porra de país de merda que tem como festa oficial essa porcaria de ziriguindum, ticutuco, todas essas merdas. ODEIO carnaval. Meu sonho é ver algum dia algum sambódromo pegar fogo inteiro. Aí eu ia assistir. Todos aqueles idiotas morrendo carbonizados em suas fantasias altamente inflamáveis. Paetês em chamas. Plumas transformadas em labaredas. Explosões de peitos de silicone. Tochas homossexuais gritando como loucas até a morte agonizante, numa poça de sangue e órgãos que nem de longe lembram uma chuva de purpurina. Sangue, ossos e morte. Couro de gato retorcido. Carros alegóricos se tornando bólidos inflamados. Comissões de frente trombando-se em pânico. Pierrôs e Columbinas com reais motivos para chorar. Porta-bandeiras portando mortalhas. E a platéia despencando como gotas de termita em ignição, espatifando-se no asfalto numa explosão de fagulhas. Isso seria o carnaval perfeito pra mim. A isto eu assistiria com gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os bailes? Acho que até o próprio Demo acharia aquilo um inferno. Minha vontade é entrar lá com um carregamento de ácido sulfúrico travestido de tubos de lança-perfume. Os babacas iam lá, davam uma cafungada e em segundos seus órgãos internos seriam transformados em geléia. Vomitando as tripas. Cagando os próprios intestinos. Aos som de batucadas tribais e marchinhas cinqüentenárias. Foliões escorregando na sopa visceral de outros foliões, caindo e quebrando membros. Sendo pisoteados pela turba em pânico descontrolado. Sem ter pra onde fugir. Não era o caos que vocês buscavam? Taí, caos verdadeiro e justificado. Tão reclamando do quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha primeira briga foi num baile de carnaval. Eu era pequeno demais pra saber o que aquela porra significava, e deixei minha mãe me fantasiar. Acho que era de caubói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá, eu espero você parar de rir. Não precisa disfarçar, não, pode rir à vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora cala a boca senão enfio teus sapatos caros pela tua goela abaixo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, estava eu lá, um caubói perdido no meio de um monte de crianças ranhetas com fantasias esdrúxulas se despedaçando a cada marchinha que saía da vitrola velha de minha avó. Em poucos minutos o lugar era de uma sujeira insuportável. Misture confetes, serpentinas, refrigerante, docinhos e salgadinhos mil, tudo pisoteado e arremessado de um lado pro outro no chão imundo. Nojento, nojento. Sentei num canto do salão e fiquei torcendo pra que aquilo acabasse logo. Mas não tem jeito. Mãe é aquela criatura filha da puta que gosta de torturar o rebento. Tratam os filhos como se fossem bonecas que respiram. Vestem-nos das maneiras mais ridículas possíveis. Transformam-nos em reflexos de suas próprias frustrações. Daí minha mãe veio e me puxou de volta pro inferno. Não dei dois passos e um idiotinha veio e me jogou um punhado de confetes bem no meio da boca. Engoli quase metade daquele papel higiênico sujo reciclado e picotado. Engasguei, cuspi e vomitei no meio do salão. Começou uma gritaria de mães tentando amenizar a bagunça que eu tinha criado, mas já era tarde demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu havia descoberto a violência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pulei em cima do moleque, batendo em sua cara o mais forte que eu conseguia. Espanquei-o sem perdão. Acho que quebrei seu nariz. E alguns dentes de leite. Ele chorava sangue e confetes. Tentaram separar a briga mas eu estava incontrolável. Arrastei o fedelho até a poça do meu vômito e esfreguei a cara dele nela. Chutei ainda sua cabeça duas vezes antes de conseguirem finalmente me tirar de lá. Minha mãe ficou duas semanas só repetindo "Ai, meu Deus, que vergonha!". Mas ela nunca mais me levou a outro baile de carnaval.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, doutor, não é por isso que eu odeio carnaval, não. Eu já odiava antes disso. Só não sabia exatamente porque. Desde então sempre que essa merda de festa começa eu simplesmente me tranco em algum lugar e desapareço da existência. Quatro dias de fuga desenfreada da realidade. Acredite, é melhor assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na quarta estou de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas só depois do almoço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-6327050309239162995?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/6327050309239162995/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=6327050309239162995' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/6327050309239162995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/6327050309239162995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2008/01/enxaquecas-pr-carnavalescas.html' title='Enxaquecas pré-carnavalescas'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-5203972652917796472</id><published>2008-01-22T17:45:00.000-04:00</published><updated>2008-01-22T18:05:40.308-04:00</updated><title type='text'>Imaturo</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sou assim. Sou do jeito que me vendem. Sou uma besta para muitos. Cativante para poucos. Amargo por vocação e solitário por opção. Bagunçado, desorganizado, escrachado. Bebo demais. Uso drogas por prazer. Tomo tarja preta sem receita. Durmo pouco. Trepo com ou sem amor. Não faço distinção. Mas sempre com paixão. Pois não sou burocrático. Sou cínico. Revoltado. Sacrílego. Escroto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maldito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me apaixono estupidamente fácil. E sigo em frente mais fácil ainda, mesmo com a ferida aberta sangrando e expondo minhas entranhas ainda esfaceladas. Uma hemorragia ambulante. Mas com a cabeça erguida. Sigo em frente, pronto para a próxima decepção. Para o próximo tombo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou o pesadelo nietzcheano de Jack.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sou assim e quero que se foda a sua opinião. A opinião de qualquer um. Sou uma fuga de mim mesmo. Uma fuga alheia. A saída de emergência que dá invariavelmente num abismo. Há quem caia comigo. Há quem se acovarde com apenas um vislumbre e retorne ao labirinto escuro de sua própria mediocridade auto-infligida. Pouco me importa. Sofro sozinho. Mas livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu mesmo limpo minhas lágrimas, obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Limpo-as com o sangue que escorre de minhas mãos. E com um sorriso macabro estampado na face. Sem olhar pra trás. Sem arrependimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que, você me questiona?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque sou imaturo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voluntariamente imaturo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é assim que persevero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem quiser que me compre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só não me alugue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso nunca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-5203972652917796472?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/5203972652917796472/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=5203972652917796472' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/5203972652917796472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/5203972652917796472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2008/01/imaturo.html' title='Imaturo'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-1352093934572700484</id><published>2008-01-17T09:05:00.000-04:00</published><updated>2008-01-17T10:11:27.863-04:00</updated><title type='text'>Balada de uma caipirinha</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu não deveria estar naquele lugar. Estava tudo errado. Lugar errado. Decoração errada. Iluminação errada. Música errada. Pessoas erradas. Tudo. E minha presença lá era o maior erro de todos. Como é que eu me deixei convencer a vir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá tudo bem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, tá tudo errado. Não deu pra perceber pela minha cara, não? Não agüento mais isso. Quem estou enganando? Essa não é minha vida, não é o que eu gosto. Não sou eu aqui nesta mesa arrumadinha, limpinha, bonitinha, com estas pessoas fresquinhas, limpinhas, arrumadinhas, idiotinhas. A gola da camisa está pinicando meu pescoço. Odeio sapato social. E que merda de gosma é essa que você passou no meu cabelo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mais cerveja, senhor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero. Não! Espera. Chega de cerveja. Empapuçou. Preciso de algo mais forte. Dá aqui o cardápio. Puta bar caro do caralho! Assim não é possível. Tem que ter alguma coisa mais forte que cerveja a um preço que eu possa pagar. Calma, não vai embora. Aqui. Pronto. Me faz uma caipirinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro, senhor. De quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é? Caipirinha. Não sabe o que é caipirinha? Como assim "de quê"? E você, tá rindo por quê? Acha engraçado um garçom que não sabe o que é uma caipirinha? Eu acho triste, isso sim. Babaca...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Zê...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me deixa! Olha cara, pedi uma caipirinha. Não dá pra ser mais direto que isso! O que mais você precisa saber?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De vodca, saquê, rum, gim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é que é? Esse cara tá me tirando. Eu pedi uma caipiroska? Ou uma caipiríssima? Não. Nada disso. Eu pedi uma caipirinha! Deixa eu ser mais claro: CAI-PI-RI-NHA. Entendeu agora? É com pinga, porra! Pinga! Cachaça! Cana! Mé! Água que a PORRA do passarinho não bebe! Saquê? Quem é que inventou essa merda? Caipirinha com saquê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Saiquirinha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pára! Não, aí já é demais! Saiquirinha? Isso é nome de bebida séria? Parece nome de suco de caixinha! Não, sem essa de saquê. Coisa de viado. É com pinga mesmo. Pinga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Muito bem. E com que fruta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é sério? É pegadinha? Cadê as câmeras? Como assim com que fruta? Eu não fui claro o suficiente? Você é gringo? Retardado? Bebe Diabo Verde no café da manhã? Com que fruta você acha que eu quero a PORRA da minha caipirinha? Hein? Adivinha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom, temos morango, abacaxi, kiwi, carambola, lima da pérsia, cupuaçu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cupuaçu? Que merda é essa? Não faço a menor idéia do que é cupuaçu! Isso é fruta? Me larga, porra! Será que chegamos a tal ponto nessa BOSTA de país onde nem mesmo uma caipirinha tem mais identidade? É a bebida nacional! Aposto que se eu fosse num bar na Tanzânia e pedisse uma caipirinha o garçom não ia ficar me azucrinando com essas perguntas cretinas!Limão, caralho! Limão! Sabe o que é limão? Aquela fruta verde que quando a gente chupa fica com a cara da tua mãe! Sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Caipirinha de pinga com limão. Perfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso. E, por favor, não precisa falar desse jeito. Só "caipirinha" já basta. O próprio nome pressupõe pinga e limão. Não, eu tô mais calmo. Desculpe. Me desculpem. É que tem certas coisas que me tiram do sério. Não, eu tô melhor. Obrigado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você tá aí ainda? O que foi agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Açúcar ou adoçante?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantei e fui embora. Aí já era demais. Só me faltava agora tomar uma caipirinha &lt;span style="font-style: italic;"&gt;diet&lt;/span&gt;! Não tem jeito. Não era meu lugar. Não era. Estava tudo errado. Está tudo errado. Comigo. Com o mundo. Depois reclamam quando alguém perde a cabeça e sai atirando em todo mundo na rua. Caipirinha com adoçante?! Sacrilégio! Esse mundo tá perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me deixa!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-1352093934572700484?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/1352093934572700484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=1352093934572700484' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/1352093934572700484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/1352093934572700484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2008/01/balada-de-uma-caipirinha.html' title='Balada de uma caipirinha'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-2744419076888066178</id><published>2008-01-14T13:08:00.000-04:00</published><updated>2008-01-14T13:17:40.259-04:00</updated><title type='text'>Sim, eu sou egoísta</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;éramos apenas eu e a televisão na madrugada. Eu assistindo a mim mesmo. Eu estava lá. Era eu. Sou eu? Quase. Bem quase. O ator não se parece nada comigo. É indubitavelmente mais bonito. Mas fora o físico todas as outras idiossincrasias estão lá. Todas. Eu assistindo a mim mesmo numa noite insone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E era uma boa história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vendo-me de fora percebo que não tenho do que reclamar. Mesmo quando eu reclamo na tela vejo que são reclamações pueris. Bobagens que só servem para o roteiro seguir em frente. Crises medíocres que se resolvem com a geração de novas crises. Ganchos de vida. Coisas que fazem os capítulos correrem. A história continuar. Uma justificativa para a continuidade. Para alegria dos patrocinadores. Dos espectadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;"Na terra dos preguiçosos o tempo prega peças em você.&lt;br /&gt;Um dia se está sonhando.&lt;br /&gt;No outro já é realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a melhor época de todas.&lt;br /&gt;(Se ao menos alguém tivesse me avisado...)&lt;br /&gt;Erros foram cometidos,&lt;br /&gt;corações foram partidos,&lt;br /&gt;licões difíceis foram aprendidas.&lt;br /&gt;Minha família segue em frente sem mim,&lt;br /&gt;Enquanto eu me afogo num oceano de bocetas insignificantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei como cheguei aqui.&lt;br /&gt;Mas aqui estou eu.&lt;br /&gt;Há coisas que preciso entender.&lt;br /&gt;Ao menos pelo bem dela.&lt;br /&gt;O relógio está correndo.&lt;br /&gt;A distância aumentando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não vai sempre me amar incondicionalmente."&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;(Como eu queria ter escrito isso!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas na madrugada solitária a televisão corre o risco de transmutar em espelho. Em quase-experiência de pré-morte. Ou pré-experiência de quase-morte. Tanto faz. Mas no final não há a solução final. Há outro capítulo ainda. Outra temporada talvez. Com sorte. Azar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho de relance para o relógio. Três da manhã. Preciso dormir. Amanhã eu trabalho. Na tela eu durmo. Sozinho e cheio de pensamentos conflitantes. Na realidade perco o sono. O que acontecerá amanhã? Que crises irei contornar com meu humor ácido, meu sarcasmo incurável e um estranho carisma que faz com que as pessoas não saiam de perto, mesmo quando essa é a alternativa mais racional? Não entendo. Não racionalizo. Os saltos temporais não permitem. Nova situação. Nova crise. Novas soluções e resoluções que apenas geram novas crises.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Malditos fractais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou eu e estou feliz em ser. Estranho isso? Claro que é. Especialmente pra mim. Algo de muito errado vai acontecer. Alguma hecatombe se prenuncia no horizonte. Não pode ser uma história tão boa. Algo precisa acontecer para estragar essa coerência. Bebo demais. Escrevo de menos. Magoo as pessoas que me importam. Mas de algum as coisas caminham prum rumo certo, uma solução satisfatória. Isso não pode ser assim. A vida não tem revisões de roteiro. Não tem coincidências coerentes permeadas de referências obscuras. Não sou eu. Não pode ser eu. O polegar sobre o botão emborrachado do controle remoto treme de leve. Desliga isso, Zebedeu. Não é você. Não pode ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis que então eu na tela falo comigo mesmo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;"Você reclama até de não ter do que reclamar."&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Aperto o botão. A tela apaga. Agora sou só eu novamente. Com meus pensamentos de travesseiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bosta de vida. Não serve nem para virar um filme. Apenas um seriado idiota. Apenas uma metalingüagem rala e egoísta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bosta de vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-2744419076888066178?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/2744419076888066178/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=2744419076888066178' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/2744419076888066178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/2744419076888066178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2008/01/sim-eu-sou-egosta.html' title='Sim, eu sou egoísta'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-3429390650313231144</id><published>2008-01-03T09:03:00.000-04:00</published><updated>2008-01-03T09:45:16.040-04:00</updated><title type='text'>Palavras Suicidas</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;éramos apenas duas pessoas, deitados numa cama em um quarto pequeno demais para nós, mas grande o suficiente para se tornar um microverso particular. Uma entropia pessoal. Éramos apenas nós dois. E era o suficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer sair?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem fodendo. Não me imagino em nenhum outro lugar além desse onde eu gostaria de estar agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nem eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuamos abraçados. Olhando a parede. Em silêncio absoluto. Lá fora as primeiras explosões prenunciavam a revolução apocalíptica inevitável. Aqui dentro apenas nosso silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gostou do quarto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabia que a maioria dos suicídios acontece em quartos de hotel?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabia. Já li esse gibi. E já me hospedei sozinho em quartos de hotel como esse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E por que será que é assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É simples. Primeiro tem o lance da sujeira. Ninguém gosta de bagunçar a própria casa. A maioria dos suicídios são sujos. Bala na cabeça. Pulsos cortados. Enforcamentos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Enforcamentos são sujos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São. Nojentos. A pessoa perde o controle dos intestinos. Se caga toda. E ninguém gostaria de pendurar um lustre cagado em sua própria casa. Já num quarto de hotel ninguém liga. Na manhã seguinte a arrumadeira chega e tudo volta a sua ordem natural. O bom suicida não quer chamar a atenção. O gerente do hotel também não. É tudo muito simples, muito discreto, muito efetivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você fala como se já tivesse pensado nisso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E você não? Quando se está num ambiente estéril como um quarto de hotel, sozinho e com mágoas para remoer esse pensamento é quase inevitável. Somos humanos. Guardamos coisas que não deveríamos. Tristezas. Arrependimentos. Feridas que só abrem quando estamos sozinhos. Abandonados à nossa própria sorte. Às nossas próprias reminiscências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum, adoro seu cafuné.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segredo é não focar em um único ponto. Tem que variar. Explorar. Mexer em cada canto da cabeça até que nada fique incólume. Bagunçar. Aqui podemos. A arrumadeira vem de manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Haverá uma manhã?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso importa? Lá fora o mundo explode. Pode ser que vejamos o sol nascer novamente. Pode ser que não. Não importa. Não interessa. Interessa o agora. Interessa nós dois, aqui, juntos, sozinhos, isolados em nossos pensamentos compartilhados. Em nossas palavras suicidas. O resto é detalhe. Cenário. Foda-se o resto da humanidade. São todos figurantes. Extras. Descartáveis. São grafitos na parede, contornos semi-amorfos de criaturas que nunca deveriam ter existido. São sombras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esse gibi eu também li.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São moldes em gesso de Pompéia. Reflexos de nada que voltaram ao pó. Uma nuvem de elétrons. Que orbitam involuntariamente a nossa volta. Somos o núcleo do universo. Um próton e um nêutron, abraçados e dançando uma dança eterna. Prestes a explodir numa hecatombe atômica sem precedentes na história do universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não pára...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não paro. Não consigo parar. Está além de meu controle. De nosso controle. Inevitabilidade cósmica. Malditos fractais! É quase hora. É quase. Vem, me dá um beijo. Um último beijo. Misturemos nossos fluidos corporais. Saliva. Suor. Porra. Somos um só caldo primevo. Somos a massa primordial. Vem. Junte-se para que nos separemos em uma explosão. A única explosão que interessa nesse mar de explosões. Iniciemos a reação em cadeia que iniciará tudo mais. Vem. Agora. Vai...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mmmmmmm...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fora as explosões se intensificam. É a hora zero. A hora da virada. A hora do recomeço. Elétrons colidem uns nos outros. Atraem-se e se repelem. O caos toma conta. O caos se torna realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, no quarto de hotel, nós dois viramos um por um instante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então explodimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nada muda no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas aqui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-3429390650313231144?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/3429390650313231144/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=3429390650313231144' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/3429390650313231144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/3429390650313231144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2008/01/palavras-suicidas.html' title='Palavras Suicidas'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-3044911276310139929</id><published>2007-12-28T12:01:00.000-04:00</published><updated>2007-12-28T12:04:41.675-04:00</updated><title type='text'>O Cúmulo da Ironia</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu, no caixa do banco, saco o talão de cheques e ouço:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpe. Não aceitamos cheques.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não? - perguntei, em minha infinita inocência. - Por que não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se banco aceitasse cheque ia à falência!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se nem caixa de banco confia em cheque, por que raios essas merdas são emitidas?!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois reclamam quando são assaltados com armas de brinquedo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-3044911276310139929?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/3044911276310139929/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=3044911276310139929' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/3044911276310139929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/3044911276310139929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2007/12/o-cmulo-da-ironia.html' title='O Cúmulo da Ironia'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-1050572260901032947</id><published>2007-12-10T15:08:00.000-04:00</published><updated>2007-12-10T15:17:33.787-04:00</updated><title type='text'>Um raso sacrifício</title><content type='html'>- Bom?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom? Mais que bom. Perfeito. Mais que perfeito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Perfeito demais pra ser realidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que ele quer dizer com isso? Nada é perfeito demais pra ser realidade depois de se tornar realidade. Por mais irreal e idealizado que algo possa ser, depois de realizado é algo alcançável. É passado. História. Realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nem sempre. A realidade é subjetiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso quer dizer que ele não achou tão bom? Que ele está com dúvidas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não. Você que está. Eu já estou decidido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que é sempre assim? Por que sempre me envolvo com os malucos? Por que não posso ter uma vida normal como qualquer outra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque você é bidimensional. Restrita. Limitada. É uma criaturinha medíocre e fadada a um destino prosaico e sem grandes conseqüências para a humanidade. Você é simplesmente uma bolha no oceano. Um nada cheio de nada. E sabe disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei? Não sei mais nada. Que papo é esse, meu Deus? Estava tudo tão perfeito, tão idílico, tão ideal! Depois de tanto procurar, quebrar a cara, me decepcionar, eu finalmente encontro o homem perfeito. E agora, depois de tudo o que passamos juntos, ele vem com esse papo. É demais pra minha cabeça. É demais pra mim. Não agüento mais. Acho que vou explodir!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer suas pílulas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero. Dá aqui esse frasco. Vou tomar todas. Na sua frente. Vou morrer de uma forma grotesca para que você não possa mais me machucar assim. Nem a mim nem a nenhuma outra. Quem você pensa que é pra falar assim com uma mulher? Uma mulher como eu! Que absurdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desce melhor com uísque. Toma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dá aqui essa porra! Você vai ver, seu puto. Vou estrebuchar e vomitar em cima de você. Vou morrer em seus braços de uma maneira que você nunca vai esquecer. Ah, se vou. E eu achando que tinha encontrado o homem perfeito, aquele que finalmente abriria meu coração e com quem eu passaria o resto da minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E estou realizando seu desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está? Está. Não, não posso terminar assim. Não posso morrer agora. Preciso vomitar. Me leva prum hospital. Isso não pode estar acontecendo. Parece um roteiro de filme ruim. Não tem sentido. Você é um personagem de um filme ruim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, eu não sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ufa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é quem é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levanta a cabeça. Abre os olhos. Como é? Como é? Você está louco? Louco, louco, eu só conheço loucos. Será que a louca sou eu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Não é louca. Só é pouco desenvolvida. Uma personagem ruim, só isso. Não quero criar nada para você. Não quero usar você. Estou descartando-a. Apagando sua participação ridícula em minha trama. Você não presta nem como alívio cômico. E nada do que eu possa fazer pode melhorá-la. Nada. Como eu disse, bidimensional, fútil, esquecível. Está me ouvindo ainda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na... Estou. Isso não pode ser verdade. Não, não. Eu sou interessante. Mereço pelo menos uma ponta na sua trama. Escreva sobre mim? Por favor? Qualquer coisa. Qualquer uma...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu acabei de fazê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;será que isso pode ser contabilizado como uma vítima?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-1050572260901032947?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/1050572260901032947/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=1050572260901032947' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/1050572260901032947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/1050572260901032947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2007/12/um-raso-sacrifcio.html' title='Um raso sacrifício'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-308468120732032518</id><published>2007-12-05T15:12:00.000-04:00</published><updated>2007-12-06T15:30:59.568-04:00</updated><title type='text'>Antiplatonismo aplicado</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ela podia ser feia. Podia ser gorda demais, daquelas boas para destrinchar na faca. Ou magra demais, para que eu passasse alguns dias só mascando seu tutano. Deformada, para que eu aloprasse psicologicamente sua já destruída auto-estima. Vesga. Caolha. Com protuberâncias ou pelos em lugares estranhos. Verruguenta. De cabelos ruins e buço gritante. Bochechuda, para levar uns bons tabefes. Corcunda. Manca, para que eu me divertisse ao vê-la se desequilibrando numa patética tentativa de fuga. Podia. Claro que podia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela podia ser burra. Totalmente ignorante. Uma besta quadrada até para os padrões mais permeáveis. Cheia de preconceitos, achismos e teorias surrupiadas de canais abertos de televisão. Uma autêntica anta, que não conseguiria conversar dois minutos sem soltar uma gafe histórica. Podia falar 'menas', 'a nivel de' e extrapolar todos os limites do gerundismo. Podia só ler revistas de fofoca e Paulo Coelho. Podia achar que se cortasse o cabelo na lua cheia um santo qualquer iria tirá-la do atoleiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela podia gastar todas as economias em cartomantes e videntes. Podia ser evangélica, adventista, católica ou qualquer outra merda dessas. Ela podia acreditar em duendes, fadas, elfos, &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Time_Machine"&gt;morlocks&lt;/a&gt; ou em espíritos reencarnados de guerreiros da Lemúria. Pode ter chorado assistindo "Quem somos nós?" ou tido várias idéias cretinas com "O Segredo". Podia ter uma amiga macumbeira e ser viciada em fazer simpatias esdrúxulas. Podia ter medo de ter idéias próprias. Podia ser domesticada. Podia ser uma total ameba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podia sonhar em casar e em constituir família. Podia achar que o máximo de sucesso seria se ela fosse mãe de um casal de moleques ranhentos e estúpidos. Que ter um marido gordo, mal-humorado e que não sai de dentro do puteiro é bom, pois ele traz dinheiro pra casa. Podia achar que chorar sozinha na cama de madrugada era um preço barato pela felicidade. Que masturbação era uma aberração do demônio. Que drogas são o mal da sociedade. Que o máximo de arte que ela tem acesso é novela. Que ela sofre nessa vida mas terá uma muito melhor depois de morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de tudo isso ela podia ser uma pessoa boazinha. Querida por todos. Uma autêntica flor, que nunca na vida soltou um único palavrão. Podia ser delicada, cheia de pudores e frescuras. Podia só fazer amor com as luzes apagadas. De &lt;span style="font-style: italic;"&gt;babydoll&lt;/span&gt;. E só em ocasiões especiais, pois sexo por prazer é pecado. Podia lavar a boceta com água benta enquanto o maridão ronca alto no quarto. Podia fazer gargarejo e usar Vagisil. Podia fazer parte de um grupo de senhoras de bairro. Podia ajudar em obras assistenciais. Podia ser canonizada em vida. Podia envelhecer mal. Ficar varizenta. Caída. Assustadora. Mas adorável. Podia ser mais uma velhinha horrenda e adorável da sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podia ter esqueletos no armário. Taras particulares nunca extravasadas. Traumas idiotas. Sonhos desfeitos por inação. Podia ter uma paixão não correspondida na juventude. Podia ter vontade de se matar de vez em quando. Ou de matar outros. Podia ir se confessar depois. Podia se sentir bem com isso. Satisfeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podia tanta coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só tem uma coisa que ela não podia ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não podia ser ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nem eu tão covarde.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-308468120732032518?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/308468120732032518/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=308468120732032518' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/308468120732032518'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/308468120732032518'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2007/12/antiplatonismo-aplicado.html' title='Antiplatonismo aplicado'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-7982619603227624842</id><published>2007-12-04T18:12:00.000-04:00</published><updated>2007-12-04T18:17:15.045-04:00</updated><title type='text'>O sentido de uma fuga sem sentido</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ando fugindo. Fugindo de tudo. Fugindo de mim. Tudo é desculpa para fugir. E a fuga é a única desculpa que tenho. Fujo, corro, me escondo, desapareço. Nem sombra sou, pois sombra é na verdade a imagem de algo. Não sou nada. Não faço nada. Não existo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E fujo dessa inexistência também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São comichões, doutor. Sintomas esparsos entre as fugas. Momentos de lucidez depressiva. Julgo tudo o que faço. E só faço merda. Afogo-me em litros de álcool e quantidades abusivas de drogas. Não vejo mais sentido. Não encontro mais sentimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não me apaixono mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não sinto falta de alguém em minha vida. Não. Seres humanos não me convém. Tampouco animais. Muito menos você, que ora lê essas linhas e já pensa no comentário que fará a seguir. Não me interessa. Pense a mediocridade que quiser. Pouco me importa se você ou toda a humanidade de repente desaparecer num último suspiro ignóbil. Foda-se. Fodam-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por alguma razão um pensamento se repete. Uma idéia sem nexo, sem motivo, cisma em ressurgir nessas sinapses caóticas. Imagino-me enfiando lascas de madeira embaixo de minhas unhas. Vejo-me enfiando-as bem fundo, até a raiz. O sangue escorrendo, a unha se desprendendo da carne juntamente com as lágrimas em meus olhos. Tento imaginar a dor mas não consigo. Outro dia enfiei a ponta da faca de meu canivete sob a unha de meu polegar esquerdo. Doeu, mas foi como uma dor de dente de leite mole. Uma dor punctual. Medíocre. Mas não tive coragem de continuar. Nem sei por que. Parei, simplesmente, como sempre. Não fazia sentido. A dor permaneceu e depois aumentou o suficiente para que eu novamente fugisse. Uma dose exagerada de analgésicos me anestesiaram na dose certa para que o tormento permanecesse. E a dor não trouxe nenhuma realidade. Trouxe apenas mais um caminho de fuga. E eu, covarde que sou, rapidamente o acolhi. Entre sorrisos bestas e idéias desconexas. Inação e inanição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Niilista que sou, parei de buscar sentido nas coisas. Mas esta falta de sentido torna a vida um quadro branco. Não há estímulos, não há reações. O que todos fazem não importa. O que faço não interessa. Nada, nada, simplesmente nada. A tinta teima em secar na ponta da caneta, forçando-me a lambê-la. A mancha em minha língua é a única impressão que existe, o único traço da realidade. E mesmo assim é efêmera. Engulo-a rapidamente. Fagocito-a. E o quadro permanece em branco. Nulo. Inexistente. Desnecessário. Inominável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal como eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E você.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-7982619603227624842?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/7982619603227624842/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=7982619603227624842' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/7982619603227624842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/7982619603227624842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2007/12/o-sentido-de-uma-fuga-sem-sentido.html' title='O sentido de uma fuga sem sentido'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-4164799767216404450</id><published>2007-11-06T14:06:00.000-04:00</published><updated>2007-11-06T14:34:55.757-04:00</updated><title type='text'>Regras para que te quero!</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desde que começamos a compreender o mundo que nos rodeia uma das primeiras coisas que nos ensinam são as REGRAS. Regras para tudo. Regras para convivência, para sobrevivência, de consciência, etc. Isso tudo começa quando você se assusta com o primeiro NÃO! que sua mãe lhe grita. NÃO derruba a papinha! NÃO enfia o dedo na tomada! NÃO martela a cabeça da tua irmã! NÃO mostra o pinto pras coleguinhas no recreio! NÃO sobe aí, moleque! NÃO olha pro lado! NÃO tenha idéias próprias! NÃO PENSE!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí a gente cresce e essas regras vão se mesclando a nossa personalidade, tal qual um cabresto invisível amalgamado a seu sistema nervoso periférico. É a MORAL se entranhando em sua psique. É quando os mais espertinhos começam a formular os primeiros questionamentos, pois normalmente estas regras foram apenas outorgadas a nós, sem maiores explicações. E quando analisamos cada uma delas percebemos finalmente que "Porque sim!" não é resposta para porra nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas essa constatação não nos livra do surgimento de novas regras. Regras sociais. Regras de acasalamento. Regras profissionais. Regras e mais regras, que nem de longe são causadas pelo bom senso, e sim por um senso comum deturpado pela tal MORAL citada acima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, no final das contas ouvimos muito mais "Porque sim!" quando adultos do que quando moleques. É a resposta da ausência de argumentos. É a resposta da pré-violência. Se o argumento vazio falhar, só na porrada mesmo, mermão. Não tem jeito. É assim desde o início dos tempos. Pensar sempre foi visto como a estratégia dos fracos, dos frescos, dos frutinhas. Nada que resista a uma boa machadada entre os cornos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que a maioria das pessoas ainda não conseguiu compreender é que em tese as regras deveriam ser criadas para AUXILIAR nossa existência, e não castrá-la, como comumente é feito. É preciso saber quando é hora de jogar tudo para o alto e agir de acordo com determinada situação, independente de quaisquer regras imputadas anteriormente. É a SUA vida, porra! Assim como serão SUAS as conseqüências de determinado ato. Isso é ter bom senso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem é tão difícil assim, é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regras simplesmente servem para privar nossa audácia, nossa coragem. As seguimos apenas porque é "certo" ou "errado". Ou seja, por conceitos subjetivos e elásticos demais para serem tomados como pedras fundamentais de QUALQUER COISA!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Traduzindo: quando chegar a hora certa, cala a boca e beija logo. Pra não se arrepender depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E viva a vida desregrada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-4164799767216404450?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/4164799767216404450/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=4164799767216404450' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/4164799767216404450'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/4164799767216404450'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2007/11/regras-para-que-te-quero.html' title='Regras para que te quero!'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-6124583749904306609</id><published>2007-11-05T16:58:00.000-04:00</published><updated>2007-11-05T17:06:11.696-04:00</updated><title type='text'>Momento Conan</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma amiga minha passou em casa e, juro que não sei por que, decidiu fazer meu mapa astral (não ria). Em certo momento do discurso aconteceu o seguinte diálogo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ... e você se sente atraído por coisas como Poder, Morte e Sexo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Poder, Morte e Sexo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí utilizei meu magnífico poder de síntese e traduzi isso numa frase simples:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu MATO o FILHO DA PUTA que tentar ME FODER!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem preciso dizer que a leitura do mapa astral terminou aí, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/V30tyaXv6EI&amp;rel=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/V30tyaXv6EI&amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-6124583749904306609?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/6124583749904306609/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=6124583749904306609' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/6124583749904306609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/6124583749904306609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2007/11/momento-conan.html' title='Momento Conan'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-1237122366199488873</id><published>2007-10-31T09:26:00.000-04:00</published><updated>2007-10-31T09:52:55.983-04:00</updated><title type='text'>Anos Vazios</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele é daquele tipo de cara sobre o qual você ouve falar por aí. Do tipo que abandona a família por um motivo qualquer. É triste, mas a verdade é que nenhum dos dois percebeu os sinais. E ele nunca disse uma palavra, pois não poderia deixar para outro dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Leve-me em direção à praia - ele disse. - Enterre-me na areia. Conduza-me sobre a água. E talvez você compreenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomei o último gole e pedi mais uma dose antes de continuar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe, cara, uma vez que a pedra sob a qual você está rastejando for retirada de cima de seus ombros e a nuvem preta sobre você desaparecer, o barulho que você ouvirá será o desmoronar destes anos vazios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levou um tempo até ele digerir a informação. Mas o fez. Rapaz esperto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela não é uma tipo de garota sobre a qual você ouve falar. Ela nunca... nunca desejará outro. E nunca estará sozinha. Ela mostrará a você todos os sinais e lhe contará tudo. E então virará as costas e irá embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não tinha mais o que dizer então me calei, deixando-o lá com aquelas dúvidas corrosivas. Não havia nada que eu pudesse fazer para ajudá-lo. Pois eu o compreendia mais do que gostaria de assumir. Mas eventualmente eu virei as costas e fui embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não entendeu, doutor? Tudo bem, não era para você entender mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu espero que ela compreenda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-1237122366199488873?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/1237122366199488873/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=1237122366199488873' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/1237122366199488873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/1237122366199488873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2007/10/anos-vazios.html' title='Anos Vazios'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-6341656330160929461</id><published>2007-10-08T12:24:00.000-04:00</published><updated>2007-10-08T12:32:19.773-04:00</updated><title type='text'>Like a Rolling Stone</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sabe quando a gente chega a uma certa idade e certos pensamentos começam a tomar conta de nossas mentes, especialmente nas noites insones?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive um surto desses neste final de semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente me peguei pensando em me estabelecer. Sabe como é, conhecer alguém especial, casar, constituir família, almoço de domingo, supermercado, rotina, visita dos sogros, comprar fralda, limpar cocô, etc. Tive mesmo. Daqueles momentos em que se diz: "Chega de putaria! Vou colocar minha vida nos trilhos!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí fui salvo por um diálogo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que você acha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Ela faz bico enquanto pensa. Linda.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha mãe me disse que quando ela era jovem as garotas tinham dois sonhos: casar com um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Beatle &lt;/span&gt;e ir pra cama com um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Rolling Stone&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E aí? O que isso tem a ver?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que você &lt;span style="font-style: italic;"&gt;definitivamente&lt;/span&gt; é um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Rolling Stone&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será, doutor?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-6341656330160929461?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/6341656330160929461/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=6341656330160929461' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/6341656330160929461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/6341656330160929461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2007/10/like-rolling-stone.html' title='Like a Rolling Stone'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-7912216331451513375</id><published>2007-10-04T17:58:00.000-04:00</published><updated>2007-10-04T18:41:38.563-04:00</updated><title type='text'>Meu Segundo Roubo</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um amigo meu (ando cheio de amigos ultimamente, né?) me fez uma visita outro dia. Entre cervejas e papos ébrios ele acendeu um cigarro. Estranhei logo de cara seu isqueiro: um daqueles mini-bic padrão, branco, igual a zilhares por aí, mas inteiro enrolado em fita isolante. Tipo coronha de revólver roubado, saca? Perguntei na hora por que ele tinha feito aquilo e sua resposta era de uma lógica irrefutável:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pra ninguém querer roubar, oras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oras! Que óbvio! Como eu não tinha percebido isso? Se tem uma coisa que sempre desaparece no ar são os isqueiros. Não, não acho que elas sejam sondas alienígenas nem porra nenhuma disso. Nada tira da minha cabeça que se os alienígenas forem implantar sondas será diretamente no nosso rabo. Não pergunte porque. Talvez seja por isso que tenha crises de pânico quando esqueço de colocar cueca...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já sei, já sei, muita informação irrelevante. Preciso aprender a divagar menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando, achei aquele isqueiro "à prova de furtos" quase uma afronta pessoal. Sério. Quem aquele cara achava que era para jogar na minha cara uma solução porca como aquela e se achar o supra sumo da esperteza tabagista? Eu simplesmente TINHA que roubar aquele isqueiro! Nem que fosse apenas para provar que aquele sistema de merda não funcionava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O doutor bem sabe que nesse assunto eu sou uma completa negação. Tremo, suo, gaguejo, só faço merda. Lembra quando contei aqui mesmo a respeito de meu &lt;a href="http://psicopataenrustido.blogspot.com/2006/02/pega.html"&gt;primeiro roubo&lt;/a&gt;? Eu sei que faz tempo e não vou recontar o caso pois... bem, não vem realmente ao caso. Resumindo, eu não tinha roubado absolutamente nada. Apenas achava que sim. Mais um coito interrompido nessa minha vida nas coxas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu ia virar o jogo. Ah, se ia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperei até a hora de ele ir embora. Fui maquiavélico. Fui frio, calculista e clichê. Esperei com a paciência ansiosa de um virgem num puteiro. Cheguei a ir ao banheiro dar um barrão de tanta ansiedade. Mas eu sabia que conseguiria. Eu seria o melhor ladrão de mini-bics da História! Uma hora depois ele deu aquela espreguiçada clássica antes de levantar do sofá e foi ao banheiro mijar pra ir embora. Assim que ele fechou a porta estiquei a mão, peguei o isqueiro e enfiei no bolso. Assim, sem mais nem menos, na caruda mesmo. Ele saiu do banheiro, se despediu e foi embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Côro de "Aleluia")&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tinha conseguido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;("... aleluia, aleluia, aleluuuia!")&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei, doutor, foi uma coisa tão imbecil, tão cretina que não dá nem pra considerar roubo. Para quem cobra o valor de suas sessões deve ser mesmo. Mas para mim foi a primeira vitória em muito tempo. Foi a queda de um muro na Berlim sináptico de meu cérebro. Acho que até berrei de alegria. Endorfina, endorfina, quer uma breja? Ah, eu tinha conseguido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Usei o isqueiro a semana toda, respondendo cheio de orgulho quando perguntavam sobre a fita isolante: "Um amigo achou que assim não roubavam. Mas eu ROUBEI!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que satisfação, que satisfação!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final de semana seguinte calhou de eu ir à casa deste mesmo amigo. Planejei tudo pelo caminho, como desmascararia seu estratagema, como esfregaria em sua cara que a cretinice ele tinha bolado de nada tinha adiantado. Pois eu, EU, tinha burlado seu sistema e ROUBADO a porra de seu isqueiro! Ah, tudo que eu queria ver era a cara dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segui à risca o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;script&lt;/span&gt; mental que criei. Entrei, esperei um pouco, acendi um cigarro com o isqueiro e deixei-o sobre o maço, bem à vista do babaca. Ele olhou e não deu a mínima. Como assim? Como assim?!? Ele nem tinha dado pela falta? Apelei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não reconhece o isqueiro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele o olhou sem entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Arrã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que me diz do seu sistema anti-furtos agora? Hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que demorou alguns segundos pra ele realmente entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você acha que roubou o isqueiro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu ROUBEI o seu isqueiro de merda! Bem debaixo da sua fuça! O que me diz dessa sua BOSTA de sistema anti-furtos agora, hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele caiu na risada. Eu fiquei mudo. Ele explicou assim que conseguiu recuperar o fôlego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cara, esse isqueiro é seu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hã?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quando você foi no banheiro dar um barro meu isqueiro acabou. Não sei por que, mas tirei a fita do meu isqueiro e enrolei no teu. Achei que você tinha percebido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, doutor. Foi isso que aconteceu. Meu segundo roubo TAMBÉM não foi um roubo. Não entendeu? Eu explico:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EU TINHA ROUBADO O MEU PRÓPRIO ISQUEIRO!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer coisa mais idiota que essa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega, essa foi minha última tentativa de roubar algo. Não é minha praia, não tem jeito. Não nasci pra isso. Estou condenado a comprar tudo que eu quero, a ser um babaca honesto pelo resto da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá, pode parar de rir agora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-7912216331451513375?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/7912216331451513375/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=7912216331451513375' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/7912216331451513375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/7912216331451513375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2007/10/meu-segundo-roubo.html' title='Meu Segundo Roubo'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-5261625156996353882</id><published>2007-09-28T16:24:00.000-04:00</published><updated>2008-12-11T06:51:00.259-04:00</updated><title type='text'>Dúvida</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/Rv1lzMjiDrI/AAAAAAAAAJU/NJI8x5wwGag/s1600-h/bubble_smiles.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/Rv1lzMjiDrI/AAAAAAAAAJU/NJI8x5wwGag/s320/bubble_smiles.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5115356681980743346" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por que as melhores coisas na vida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;são efêmeras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Curto o suficiente para a senhorita, Dafne?)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-5261625156996353882?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/5261625156996353882/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=5261625156996353882' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/5261625156996353882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/5261625156996353882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2007/09/dvida.html' title='Dúvida'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/Rv1lzMjiDrI/AAAAAAAAAJU/NJI8x5wwGag/s72-c/bubble_smiles.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-5385560559506859760</id><published>2007-09-20T16:09:00.000-04:00</published><updated>2007-09-20T16:38:08.471-04:00</updated><title type='text'>Reencontro</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estava eu retornando calmamente de meu novo emprego, às 23hs (ou seja, cedo) quando me deparo com o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;hall &lt;/span&gt;de entrada do prédio completamente às escuras. Tinha alguém por lá, um vulto indecifrável, que podia tanto ser a simpática velhinha do sexto andar quanto um corongo africano prestes a me matar e sugar o tutano de meus ossos. E o elevador estava longe. Você bem conhece minha faceta paranóica e então consegue imaginar como ficou minha cabeça naquele momento. Décimo terceiro, décimo segundo... Porra de elevador demorado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Será que queimou a lâmpada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vulto não respondeu, talvez fazendo pilhérias mentais de minha ignorância em circuitos elétricos prediais. Me deu vontade de retornar ao carro e dormir lá mesmo. Dane-se meu ciático. Melhor dolorido do que morto por um assassino que eu nem tinha visto a face.  Nono, oitavo... E se eu acendesse meu isqueiro? Trechos de filmes de terror ruins passaram a milhão em minha memória. O assassino sempre atacava quando alguém conseguia acender alguma luz, juntamente com um acorde estridente da trilha sonora e um corte rápido para outra cena que nada tinha a ver com nada. Melhor não arriscar. Morrer já era uma péssima idéia, mas morrer num clichê era pior ainda. Quarto, terceiro... Porque o vulto não falava nada? Qualquer coisa, nem que fosse pra quebrar o gelo. Conversa de elevador mesmo. Fala do tempo, faz uma piadinha sem graça, qualquer coisa! Primeiro, térreo, finalmente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a luz interna do elevador incidiu sobre a figura misteriosa eu percebi que teria sido melhor se ela fosse um maldito corongo-chupador-de-tutano. Quem apareceu, em toda sua graça e plenitude, foi a maluca que havia vandalizado meu apê naquele &lt;a href="http://www.simplicissimo.com.br/index2.php?option=com_content&amp;amp;do_pdf=1&amp;amp;id=1963"&gt;dia fatídico&lt;/a&gt;. Ela mesma, doutor, a destruidora de aquários, a pirada que tive que escoltar para o hospital numa viatura de polícia. Eu sei que você se lembra da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela entrou. Pensei seriamente em não segui-la, mas por alguma razão inexplicável entrei. Ela apertou o botão do segundo andar, eu apertei o meu. Fiquei quieto, Se desse sorte ela não me reconheceria, tão lesada ela estava aquele dia. Claro que não dei sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei! - gritou ela, me apontando. - Você!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bati as costas na parede do elevador com o susto. Fodeu! Não tenho pra onde fugir! Ela continuava me olhando com aqueles olhos insanos, aquele dedo gorducho em riste na direção de meu nariz. Pensa, Zebedeu, pensa! Ela se aproximou. Não me mata!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha - começou ela - você me desculpe por aquele dia, hein? Você sabe, eu tenho uns problemas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respondi a primeira coisa que me deu na cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá tudo bem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem o caralho, sua puta! Graças a você tive um dos piores dias de minha vida! Eu devia te estrangular agora! Eu devia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A porta se abriu. Ela pediu licença e saiu. Da porta de seu apartamento ela ainda me mostrou sua bolsa, que tinha escrito "Psicologia" em letras garrafais em um dos lados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu faço Psicologia - explicou o óbvio. - E você sabe como é, né? Quem faz psicologia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calou-se, talvez se dando conta do que estava quase assumindo. Não me fiz de rogado e complementei seu raciocínio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem mais é que ser louco mesmo. Entendi. Passar bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que ela conseguisse retrucar a porta do elevador se fechou, elevando-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que mandei trocar a fechadura de casa, doutor. Saiu caro mas confesso que valeu a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, se valeu...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-5385560559506859760?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/5385560559506859760/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=5385560559506859760' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/5385560559506859760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/5385560559506859760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2007/09/reencontro.html' title='Reencontro'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-1877705584174820716</id><published>2007-09-10T16:19:00.001-04:00</published><updated>2007-09-10T17:54:44.945-04:00</updated><title type='text'>Retrato de um fornicador quando macho</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;era noite de baladinha inconseqüente. Sim, eu ainda faço isso. Saio para encher a cara e rir da mediocridade alheia. Escapismo etílico, e daí? É uma tradição humana. Dez mil anos de porres homéricos não podem estar tão errados. Temos mais é que queimar mais uma dúzia de Persépolis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A balada em si foi meia boca. Banda ao vivo tocando músicas aos mortos pasteurizados e bem arrumados. Eu, lá no meio, como uma verruga cabeluda no meio do nariz da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;top model&lt;/span&gt;. Ninguém assume mas todos estão lá apenas por causa do sexo. EU estava lá por causa de sexo. Nem no escapismo abdicamos de nossos desejos mais primitivos. Só os rotulamos como algo "social" para evitar que cada um cheire o rabo do outro no meio da pista. Mas é quase isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amigo meu dá uma sorte daquelas e cola numa loirinha. Cinco minutos de papo e já estão se esfregando como bichos-preguiça com epilepsia. Sobra uma amiga. Morena, peitão, bundão, linda, linda. A matemática é mais rápida que meu raciocínio. Tudo muito certo. Não era possível. O que está acontecendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumindo a história: uma hora de papo desperdiçado e ela beija outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frustrado e com desejo de invadir o palco para quebrar a guitarra na cabeça do vocalista, decido comprar uma cerveja. No caminho encontro o Palito. "Preciso da tua ajuda". Manda. "Olha lá", e aponta para os escarros do demo. 'Cê tá brincando? "Não. Vamo lá que sozinho eu não encaro".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazer o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com ele foi rápido. Chegou, colou e beijou. Deu nojo. Olhei para a outra. Feia como encoxar a avó no tanque. Chata e desagradável como uma pizza estragada esquecida no fundo da geladeira. Braços cruzados. Cara de chupar limão. Me olhou com aquela cara de "E aí? Qual o xaveco que eu vou rechaçar agora?". Como se tivesse alguma moral pra esnobar. Mandei tomar no cu antes mesmo de dar oi. Só me faltava tentar convencer dragão a me dar um beijo. Sei que não sou nada demais, mas péra lá! Tudo tem limite. Desisti e fui pra minha cerveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim da balada, todos na rua. O Palito já tinha se livrado da mina e tava com fome. Hora do dogão. Mas ele precisava comprar cigarro. Fui agilizar o esquema do rango, pois minha tolerância a pessoas já estava no limite e eu queria ir logo pra casa. Chego lá e reencontro as recepcionistas do inferno. É, doutor, as mesmas. A mina que o Palito beijou me dá um cutucão assim que me vê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vacilão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei, vai se foder!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fiquei te paquerando a noite toda e você nem me deu bola. Tive que beijar seu amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Problema seu! Cada uma que me arrumam...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vem cá, vem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se por causa da frustração por causa da morena ou por completa falta de noção, fui lá e beijei. Na hora me arrependi. Nossa, o que foi que eu fiz? Assim, na frente de todo mundo? Eu REALMENTE tinha achado meu pau no lixo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que o Palito chegou naquela hora. Foram dois segundos de perplexidade e em seguida ele já estava em movimento. Colou na mocréia azeda e beijou. O Palito é um cara corajoso. Gosta de mulher mesmo. Não interessa qual. É algo a ser respeitado. Postumamente até.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que aconteceu em seguida ficou meio nebuloso. Vamos pra casa? A minha ou a sua? A minha. Vamos. Pra dela. Meu, eu tô cansado... Vamos nessa! Fomos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boca do lixo. Não tenho outra maneira de descrever o lugar. O Palito, que estava dirigindo, desistiu assim que viu a bocada que ele ia ter que deixar o carro dele. Não, véio, tô fora. Eu já tinha decidido ir às vias de fato de qualquer jeito. Se for só pra beijar aquela tranqueira eu sairia no prejuízo. Fiquei. Ele foi embora. A Azeda fez um bico enrugado. Nem olha pra mim que já vai ser dureza ficar de pau duro com tua amiga! Se você se juntar não sobe nem fodendo! Grosso! Entramos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alvoroço. Elas começam a se ajeitar pra uma dormir e a outra trepar. O arrependimento aumentou desde o momento que entrei naquele pulgueiro travestido de apê. A bebedeira tava baixando. Pedi uma cerveja. Ela deu e eu bebi mais rápido do que deveria. Quase gorfei no tapete vagabundo. Hora do sexo. Tirei a blusa dela e levei um puta susto. Seus peitos tinham aquelas cicatrizes de plástica malfeita. Não hora a palavra "traveco!" gritou na minha mente. Pior que podia ser. E se fosse? Eu mataria as duas. Na paulada. Homicídio completamente justificável. Mas felizmente não era. Ufa! Ela me explicou que eram de uma cirurgia de redução de seios. Eca! Não precisava explicar! A imagem daquilo com os peitos murchos quase me fez fugir gritando. Chega de papo. Botei a camisinha, tuque-tuque e boa noite. Só isso? De manhã tem mais. Agora cala a boca e dorme. Obedeceu. Hora de fugir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já sei o que você deve estar pensando doutor, e quero que se foda. Ela já era horrenda toda maquiada e produzida. Imagina ela acordando? Não ia dar. Não sou o Palito. Esgueirei pra fora da cama. Demorei uns cinco minutos só pra tirar meu braço de baixo da sua cabeça sem acordá-la. Consegui. Recolhi minhas roupas no chão e me vesti no banheiro, logo depois de dar uma bela mijada. Catei dez mangos da bolsa dela, além de meio maço de cigarros. Saiu barato, fofa! Ah, se saiu. Você nem imagina quanto. Passei perto da cama e a porca roncava como uma motosserra. Queria ter algum objeto pesado pra esmagar aquela cabeça de uma só vez. Pra evitar que outro bêbado incauto caísse naquela armadilha. Melhor não. A outra poderia acordar e eu teria que matá-la também. Podia dar merda. Melhor só sair mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sala a Azeda dormia de boca aberta. Parecia um cadáver atropelado. Tive que me controlar para que a impressão não se tornasse fato. Calma, Zebedeu, não vale a pena se enrolar por tão pouco. Passei por cima dela na sala apertada, torcendo para que não acordasse, e saí pela porta da frente. Doze andares depois estava no térreo. Consegui! Agora some e não volta nunca mais pra esse lugar, Zebedeu! Testei a porta da frente do prédio. Trancada. Do lado da porta tinha um interruptor para abertura. Quebrado. Eu estava preso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doutor, o senhor não imagina o grau de meu desespero naquele momento. Não podia simplesmente voltar pro apartamento das morféticas porque se voltasse ia ser uma chacina. Daquelas. Não podia ir embora por razões óbvias. Eu estava preso num limbo no meio da boca do lixo. No meio da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem opções sentei no chão e fiquei esperando alguém aparecer e abrir a porta. Só aconteceu às oito da manhã, quando eu já estava dormindo e com a bunda quadrada de ficar sentado no piso frio. Uma velhinha chegou e abriu a porta. Fingi uma educação que não tenho e segurei pra ela a porta aberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Perdeu a chave, meu filho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hã, não. Eu tava na casa de umas amigas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A expressão da velha se transformou de simpática para julgadora em milésimos de segundo. Dava pra imaginar claramente ela me chamando de "fornicador de putas da babilônia!". Não que estivesse tão longe da verdade. Além do mais ela devia conhecer bem as vizinhas que tinha. Não que isso justificasse aquele preconceito. Mas se tem uma coisa que eu não consigo ter raiva é de velhinhas. O doutor que explique o motivo. Pergunta pro teu amigo, o tal do Freud!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que importa é que eu tinha conseguido sair. O sol de domingo já ia alto. O metrô era perto. Mas antes de completar minha fuga parei numa padoca do lado do prédio e tomei um café com pão na chapa. Você acha que eu roubei os dez reais pra que? Comprei também um cigarro decente e fui na direção do metrô, me achando um merda, um idiota, um porra dum viciado em sexo sem escrúpulos. Pouco antes de chegar no metrô vomitei o café e o pão na calçada. Alguém riu. Ignorei e entrei no metrô com a boca ainda com gosto de bílis. Uma hora depois estava em casa. Fim do relato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que a gente faz isso, doutor? É uma forma de auto punição? Ou apenas porque podemos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não sei. Mas vou continuar fazendo até mesmo depois de saber a resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então foda-se.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-1877705584174820716?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/1877705584174820716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=1877705584174820716' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/1877705584174820716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/1877705584174820716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2007/09/retrato-de-um-fornicador-quando-macho.html' title='Retrato de um fornicador quando macho'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-1154536186740545766</id><published>2007-09-06T16:35:00.000-04:00</published><updated>2007-09-06T16:50:55.176-04:00</updated><title type='text'>Na ausência de um título criativo, qualquer merda serve.</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu sei que você e os malditos curiosos que estranhamente teimam em ler estes textos mal redigidos estão se perguntando por onde ando, mas como sempre não vou me alongar em explicações que sinceramente não interessam a ninguém. Escrevo nessa merda quando quiser e vocês não tem nada que ficar me cobrando. Vão tomar no cu. Apaguem meu endereço de sua lista de favoritos. Descadastrem o RSS. Quero que se foda. Não estou aqui para angariar cliques ou simpatias. Contentem-se com suas próprias vidas medíocres e me deixem em paz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lance é que nas últimas semanas minha vida deu uma série de giros. Mudei de casa, mudei de emprego, mudei de sexo... Não, espera, esse último ainda não rolou. Acho que não. Tomara que não. Mijar sentado é deprimente. A menos que se esteja de pau duro e seja o dia seguinte da faxina. Não entendeu? Então você nunca morou sozinho. Ou foi casado. Ou ficou de pau duro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, esse texto não é sobre nada. Não é o primeiro, não vai ser o último. Já disse que quero que se foda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente anda numa fase de "angariar experiências". Não, ainda não dei o rabo, doutor, não se empolgue. Mas tenho passado mais tempo fora de casa do que dentro. Meu apê se tornou quase uma pensão. Só falta uma tia velha e verruguenta fedendo a gatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, doutor, eu também não fiz o que tinha prometido no texto anterior. Se fizesse teria que mudar o título do blog, sacumé. Maior preguiça. E também não acho que a conexão do presídio seja muito boa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, doutor, eu não tô nada melhor. É só aparência. É só endorfina colorida artificialmente sabor baunilha. Daqui a pouco passa. Sempre que me vejo sorrindo entro &lt;a href="http://www.perolasdoorkut.com.br/"&gt;aqui&lt;/a&gt; e lembro o quanto a humanidade é deprimente. Recomendo, doutor. Melhor que seus sermões de auto-ajuda de pobre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, como &lt;a href="http://gardenalcomfantauva.blogspot.com/"&gt;meu alter-ego&lt;/a&gt; já disse, a partir de agora os textos serão mais curtos. Mas vou tentar escrever mais freqüentemente. Não espere muito pois isso não é uma promessa. É mais um profilático nessa minha vida placebo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, e antes que eu me esqueça: Pau no seu cu, doutor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que estava sentindo falta disso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-1154536186740545766?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/1154536186740545766/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=1154536186740545766' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/1154536186740545766'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/1154536186740545766'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2007/09/doutor-eu-sei-que-voc-e-os-malditos.html' title='Na ausência de um título criativo, qualquer merda serve.'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-4717656037232750029</id><published>2007-07-26T10:42:00.001-04:00</published><updated>2007-07-26T10:42:16.711-04:00</updated><title type='text'>Traves, Entraves e Seres Travados</title><content type='html'>Doutor,&lt;p&gt;o senhor bem sabe que uma das coisas que mais odeio s&amp;#227;o analogias&lt;br&gt;esportivas, mas gra&amp;#231;as &amp;#224; influ&amp;#234;ncia perniciosa desta merda de inven&amp;#231;&amp;#227;o&lt;br&gt;bret&amp;#227; nesta sociedade p&amp;#243;s-silv&amp;#237;cola sem personalidade pr&amp;#243;pria n&amp;#227;o consegui&lt;br&gt;encontrar nenhuma analogia que melhor explicasse a seq&amp;#252;&amp;#234;ncia de eventos de&lt;br&gt;minha vida recente. H&amp;#225; algo de cruel ocorrendo, como se uma criatura com&lt;br&gt;p&amp;#233;ssimo senso de humor de uns tempos pra c&amp;#225; fosse incubida de transformar&lt;br&gt;minha jornada med&amp;#237;ocre nesse planeta miser&amp;#225;vel menos satisfat&amp;#243;ria do que&lt;br&gt;poderia ser. E olha que eu nunca tive grandes ilus&amp;#245;es a este respeito.&lt;br&gt;Mesmo assim &amp;#233; a segunda vez que utilizo este s&amp;#237;mile em poucos meses.&lt;p&gt;No futebol a trave &amp;#233; um delimitador necess&amp;#225;rio. &amp;#201; a moldura do objetivo,&lt;br&gt;que o circunda mas n&amp;#227;o se integra a ele. Sem sua presen&amp;#231;a o tal objetivo&lt;br&gt;seria nebuloso, excessivamente dependente de fatores fal&amp;#237;veis tais como&lt;br&gt;ponto de vista, perspectiva, interesses conflitantes ou c&amp;#226;meras de alta&lt;br&gt;defini&amp;#231;&amp;#227;o. Mas algu&amp;#233;m as enxerga desta maneira?&lt;p&gt;N&amp;#227;o.&lt;p&gt;As traves s&amp;#227;o sempre associadas a um obst&amp;#225;culo, algo que poderia ser mas&lt;br&gt;que, por interven&amp;#231;&amp;#227;o do destino, nunca ser&amp;#225;. &amp;#201; a ep&amp;#237;tome do &amp;quot;fiz tudo&lt;br&gt;certo, mas no final deu tudo errado&amp;quot;. &amp;#201; a frustra&amp;#231;&amp;#227;o por um trabalho bem&lt;br&gt;feito mas cuja execu&amp;#231;&amp;#227;o n&amp;#227;o saiu a contento. Bateu na trave, resvalou na&lt;br&gt;tinta, fugiu para escanteio, babau neg&amp;#227;o. Nada de gl&amp;#243;rias para aquele que,&lt;br&gt;com uma chance de 99% de sucesso acertou em cheio no um por cento que o&lt;br&gt;tirou do pante&amp;#227;o do sucesso, ainda que fugaz e, claro, ef&amp;#234;mero como um&lt;br&gt;peido numa ventania.&lt;p&gt;Eu disse destino?&lt;p&gt;Sim, tergiverso novamente. Juro que pretendia escrever um texto objetivo,&lt;br&gt;explanando as raz&amp;#245;es deste racioc&amp;#237;nio bizarro e aparentemente incongruente.&lt;br&gt;Mas, por alguma raz&amp;#227;o pouco espec&amp;#237;fica, novamente &amp;quot;bati na trave&amp;quot;. Apenas&lt;br&gt;como ilustra&amp;#231;&amp;#227;o do motivo que inspirou essas linhas mal redigidas, um&lt;br&gt;trecho obscuro de um di&amp;#225;logo:&lt;p&gt;- E a&amp;#237;? N&amp;#227;o vai falar nada?&lt;br&gt;- N&amp;#227;o. Tem dias que eu prefiro o sil&amp;#234;ncio.&lt;br&gt;- Por que?&lt;br&gt;- Porque, diferente de certas pessoas, eu prefiro ficar quieto a falar&lt;br&gt;merda.&lt;p&gt;O que, o doutor pode confirmar, &amp;#233; uma grande mentira.&lt;p&gt;E atingiu o alvo errado.&lt;p&gt;&lt;br&gt;P.S.: O texto &amp;quot;entre-h&amp;#237;fens&amp;quot; abaixo n&amp;#227;o &amp;#233; de minha autoria, mas de algum&lt;br&gt;cretino que achou interessante inclu&amp;#237;-lo em simplesmente TODAS as mensagens&lt;br&gt;que saem de minha conta de email. Sim, estou publicando os textos via email&lt;br&gt;agora, visto que o acesso aos blogs foi BLOQUEADO neste arremedo de empresa&lt;br&gt;na qual eu justifico mal e porcamente minhas horas comerciais. Se eles&lt;br&gt;pensam que com isso v&amp;#227;o me fazer trabalhar est&amp;#227;o redondamente enganados.&lt;br&gt;Prefiro invadir o escrit&amp;#243;rio pelado, munido apenas de uma AR-15 e muitos&lt;br&gt;alvos f&amp;#225;ceis. Coisa que, ali&amp;#225;s, &amp;#233; iminente.&lt;p&gt;&lt;p&gt;&lt;br&gt;----------------------------------------------------------------------------&lt;br&gt; Aviso: Esta mensagem destina-se exclusivamente ao destinat&amp;#225;rio, podendo&lt;br&gt;ser confidencial. Se V. Sa. n&amp;#227;o &amp;#233; o destinat&amp;#225;rio, fique advertido de que a&lt;br&gt;divulga&amp;#231;&amp;#227;o, distribui&amp;#231;&amp;#227;o ou c&amp;#243;pia desta mensagem &amp;#233; estritamente proibida.&lt;br&gt;Caso tenha recebido esta mensagem por engano, por favor avise imediatamente&lt;br&gt;seu remetente atrav&amp;#233;s de resposta por e-mail. Obrigado.&lt;br&gt;--------------------------------------------------------&lt;br&gt;Warning: This message is intended exclusively for its addressee and may&lt;br&gt;contain confidential information. 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Thank you.&lt;br&gt;----------------------------------------------------------------------------&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-4717656037232750029?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/4717656037232750029/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=4717656037232750029' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/4717656037232750029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/4717656037232750029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2007/07/traves-entraves-e-seres-travados.html' title='Traves, Entraves e Seres Travados'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-8156228911565516259</id><published>2007-06-28T13:06:00.000-04:00</published><updated>2008-12-11T06:51:00.473-04:00</updated><title type='text'>Surto indecifrável de consumismo exacerbado</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/RoPrRbLb5XI/AAAAAAAAAHM/2vzq1fVTRJA/s1600-h/the_ex.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/RoPrRbLb5XI/AAAAAAAAAHM/2vzq1fVTRJA/s400/the_ex.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5081163489190077810" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o senhor sabe que sou uma das pessoas menos consumistas do mundo, não sabe? Daqueles que usa uma camiseta até que a mesma se dissolva sobre o próprio corpo antes de sequer pensar em comprar outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então por favor me explique a terrível compulsão que senti ao ver o produto aí do lado a venda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um instante me senti como uma cocota deslumbrada desfilando por um shopping armada até os dentes branqueados com um cartão de crédito sem limites visíveis a olho nu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por razões financeiras óbvias ainda não comprei, então se o doutor estiver pensando em um presente para me dar de aniversário (não esqueceu, né?), pode ficar a vontade. Está a venda bem &lt;a href="http://www.thinkgeek.com/homeoffice/gear/86dd/"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas anda logo antes que eu faça uma besteira!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-8156228911565516259?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/8156228911565516259/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=8156228911565516259' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/8156228911565516259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/8156228911565516259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2007/06/surto-indecifrvel-de-consumismo.html' title='Surto indecifrável de consumismo exacerbado'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/RoPrRbLb5XI/AAAAAAAAAHM/2vzq1fVTRJA/s72-c/the_ex.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-9095602260244004310</id><published>2007-06-20T15:31:00.000-04:00</published><updated>2007-06-20T15:50:55.884-04:00</updated><title type='text'>Qualé a graça?</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;da infinita série de sonhos renitentes que tenho, poucos são dignos de nota ou recordação. Voar, cair, ficar pendurado num bueiro cheio de jacarés (não pergunte) e brigas com socos ineficazes (apenas de minha parte, claro) fazem parte do rol que, tenho certeza absoluta, devem existir compêndios e compêndios de estudos que traçam significados, origens, conseqüências e tratamentos para cada um deles. Desta feita não interessam a ninguém além de embusteiros e trambiqueiros de plantão. O doutor inclusive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim dedico este texto a outro sonho reincidente que vez ou outra, por motivos ainda desconhecidos, teima em assombrar minhas mal dormidas noites de sono. Um pesadelo, na verdade. Sim, doutor, vou abrir uma pequena janela deste meu cérebro imperscrutável. Pare de salivar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, neste meu sonho eu descubro que sou um humorista. Mas não um péssimo humorista como o doutor deve ter precipitadamente imaginado (acertei?). Não, eu sou um humorista dos bons. Tão bom que minhas piadas são sempre pontuadas com uma claque histriônica ou pelo repique onomatopéico de uma bateria ("Turum-pshhh!"). Mas tão bom que nenhuma frase que sai da minha boca é levada a sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meus pêsames...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Turum-pshhh!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hahahahahahaha! Ai, Zebedeu, assim quem morre sou eu! Olha: estou até chorando!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Toma. Eu tenho um lenço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Claque Histriônica)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pára! Estou quase me mijando!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais estranho é que a racionalização de que eu sou um comediante só surge após eu despertar. Durante o sonho nem me dou conta do fato, continuando a reagir com naturalidade às situações mais escabrosas. É como se eu estivesse surdo aos repiques e claques, como se estes fizessem parte da pós-produção de minhas memórias, reservada a quem assite, não em quem participa. Claro que isso acaba causando alguns erros de sincronia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ... independente do fato das oligarquias ruralistas alegarem que não estão conspirando para um monopólio da indústria e do comércio, mesmo assim vemos que...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Claque)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Huahuahuahuahuahua! Boa, boa! Marta, vem ouvir isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ... sendo que a sociedade consumista do século XXI está cada vez mais fútil e, dia a dia, transformando produtos de consumo em artigos rapidamente descartáveis...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Claque faz "Huuuuuuuuuuu!")&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai! Tá doendo tudo! Não agüento mais rir!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ... concluímos que a causa de todos os males da humanidade é, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;a priori&lt;/span&gt;, a própria humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Turum-pshhh!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com isso eu me torno a alma de todas as festas. As pessoas aguardam ansiosas por minha chegada, me cercando e despejando sinceras gargalhadas a qualquer merda que saia de minha boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Posso pegar uma cerveja? Obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Claque Histriônica)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que inevitavelmente eu entro em uma crise existencial. Me irrito com aquilo, tenho ganas de ser levado a sério. Se não isso, ao menos ser ignorado quando falando banalidades. Viro um humorista amargo, sem graça. Ao menos para mim, é claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vocês são idiotas? Qual é a PORRA da graça?!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Pessoas rolam e choram de rir, sem conseguir responder)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- CARALHO! Estou falando SÉRIO! Será que dá para alguém parar de rir e me escutar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que ninguém escuta no meio da gargalhada coletiva. E mesmo se escutasse apenas pioraria a situação. Com isso eu simplesmente desisto de falar. Claro que não dá certo. Involuntariamente começo a performar pastelões mudos no melhor estilo Buster Keaton. Ninguém se agüenta. As risadas viram a trilha sonora de minha vida, junto com a claque forçada e os repetitivos repiques. Nem no banheiro tenho sossego, pois meus gases são expelidos de maneira sonora e, de algum modo, escatologicamente hilárias, fazendo a claque ir à loucura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Normalmente é nesta fase que acordo. Irritado, frustrado e sem um pingo de senso de humor. E cinco minutos antes do despertador. Saio da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sitcom &lt;/span&gt;sináptica e caio de cabeça na tragicomédia da realidade, onde a única diferença é a ausência de claques e repiques. E de risadas. Mas o resto é igual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto, doutor. Mais lição de casa para preencher sua vidinha vazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que se divirta muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Turum-pshhhhh!)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-9095602260244004310?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/9095602260244004310/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=9095602260244004310' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/9095602260244004310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/9095602260244004310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2007/06/qual-graa.html' title='Qualé a graça?'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-8269699039976291642</id><published>2007-06-18T10:25:00.000-04:00</published><updated>2007-06-18T10:32:36.407-04:00</updated><title type='text'>A Realidade é como um Crupiê Honesto numa mesa de Craps*</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como sempre não vou me desculpar pelo recente sumiço. Por que de repente eu parei de narrar minhas desventuras e pensamentos esparsos? Desculpas haveria de monte: falta de tempo, excesso de trabalho, ausência de assunto, exagero de tédio. Uma autêntica senóide humorística e sem graça. Mas nada disso realmente interessa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que deve estar acontecendo, se o doutor me permitir a auto-análise, é que talvez eu já não esteja precisando mais deste espaço tanto quanto antes. Não fique chateado nem peça por abraços afetuosos. Às vezes acontece. Nada disso foi por sua culpa ou mérito. Tampouco dos tarja preta que você tão obsessivamente me receita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que mudanças vêm e vão. Hoje já não sinto mais a compulsão de outrora por algo ou alguém que ouvisse as merdas que saem de meu cérebro. Por que? Sinceramente: não interessa. Se tudo pode mudar de uma hora para outra? Claro. Somos todos um pouco bipolares. Assiduidade e rotina são para os fracos de espírito e criatividade. Hoje em dia nada me irrita tanto quanto descobrir que não tenho nada para fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Note que utilizei propositalmente o verbo 'irritar' ao invés de 'deprimir'. Isso é evolução? Pode ser. Você julga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste final de semana disse a uma colega que estava brava por conta de uma briga com o namorado que a raiva é melhor que a tristeza, pois a raiva simboliza uma reação, mesmo que inócua, contra o que incomoda. A depressão, por sua vez, é um atestado de derrota espiritual. Mal sabia eu que aquela pequena epifania era bem melhor direcionada a mim do que a ela. Mas acabou valendo pelo abraço de retribuição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, isso não quer dizer que minha situação melhorou. Pelo contrário. O que mudou foi que simplesmente cansei de ficar lamuriando e parti para a luta. Se vai dar certo? Não sei. Mas prefiro quebrar a cara lutando do que encolhido num canto chorando como uma menininha magoada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fique tranqüilo, doutor. Você não perdeu seu paciente menos predileto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;* Para os imbecis que não compreenderam a analogia, a resposta é 'Imprevisível'.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-8269699039976291642?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/8269699039976291642/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=8269699039976291642' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/8269699039976291642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/8269699039976291642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2007/06/realidade-como-um-crupi-honesto-numa.html' title='A Realidade é como um Crupiê Honesto numa mesa de &lt;i&gt;Craps&lt;/i&gt;*'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-1634916045987693613</id><published>2007-05-15T18:06:00.000-04:00</published><updated>2007-05-15T18:43:02.254-04:00</updated><title type='text'>O Pombo</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estava eu em casa, sozinho com meu cérebro macilento, pensando em nuvens de fuligem na forma de ratos brancos de laboratórios cercados por eco-chatos quando fui interpelado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Inútil!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu primeiro impulso foi, como sempre, o último lógico. Fechei os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por favor, Vozes, não comecem agora...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que fui ignorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cretino!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um singelo instante epifânico me dei conta de que aquelas ofensas, por mais gratuitas que fossem, não tinham graça. Nem desgraça. Tampouco originavam-se de minha cabeça pouco original. Não, não, sem redundâncias pleonásticas e viciosas. Elas vinham, isso sim, de um pombo pousado à janela de minha sala. Assim que percebi isso perguntei a primeira coisa que passou na minha mente. Uma citação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olá, Sr. Pombo! Como você faz para ter dentes tão brancos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele, claro, respondeu de forma bastante didática:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pombos não tem dentes. Nós temos bicos. Mastigamos os alimentos através de uma pequena bolsa em nosso esôfago denominada Moela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uma tremenda economia em tratamentos odontológicos - tergiversei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas que nos obriga a, de tempos em tempos, comer pedras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu comeria uma sopa de pedra. E a engoliria com movimentos peristálticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não fala merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez para pontuar sua interjeição grosseira, de sua cloaca escorreu um pouco de titica sobre o batente de minha janela. Achei que era uma tentativa de se comunicar não-verbalmente e soltei um peido tão verborrágico que quase melei as cuecas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não faça isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai levar muito tempo para essa conversa cair em um clichê pseudo-gótico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sou um corvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nem eu um espantalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem certeza?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem precisei olhar para mim mesmo para que a dúvida do pequeno pássaro fizesse sentido e eu a compartilhasse. Tal constatação me fez ficar imóvel. E recheado de palha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você gostaria de ser um corvo? - perguntei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois sim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Truco!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desce, marreco!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sou marreco. Sou pombo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cagam igual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele era um argumento indefectível. Mas meu amigo pombo não estava pronto para esmorecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como criaturas que atiravam fezes uns nos outros puderam chegar a tal estágio de evolução?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mudando do concretismo para o relativismo metafórico. Se pensar bem ainda vivemos numa interminável guerra de merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela é a culpada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A Razão. Desde que o homem a descobriu tenta possuí-la para si. E como ela é um artigo raro e efêmero nós desesperadamente atiramos nacos de excremento na tentativa vã de recuperá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E dá certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Às vezes. Mas nunca como último argumento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O último argumento é sempre a violência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, meu iconoclástico colega! A violência é justamente a ausência de argumentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desde quando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desde sempre. E pela quantidade de violência que vemos por aí em breve perderemos o título auto-infligido de "racionais", já que não conseguiremos mais argumentar porra nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis que o pombo baixou a cabeça e pensou a respeito do que eu disse. Com a ponta da asa coçou o bico inferior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Há lógica em seu raciocínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Da mesma maneira que há merda em minha janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpe por isso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não se preocupe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Há tempos pouso nas janelas das casas. Aleatoriamente. Pouso, xingo e me vou. A maioria nem me ouve. Você ouviu. Você respondeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E isso é bom?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Faz com que o hábito de uma vida perca toda a graça. E olha que minha vida é relativamente curta. Mas o papo foi bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você fala como se se despedisse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E me despeço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti vontade de surpreender o pombo com um movimento rápido. Fecharia a janela e o prenderia comigo, recheando-o com minhas divagações. Depois o comeria com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;curry &lt;/span&gt;estragado. Hum, que fome. Mas continuei espantalhado no sofá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E você volta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nunca?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nunca mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se foi, deixando-me apenas seu eco referencial previsível. Instintivamente cofiei um bigode inexistente e deitei a cabeça na almofada do sofá. Assim que encostei ouvi o grito de uma multidão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- CUIDAAAAAAA-DOOOOOO!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deitei mesmo assim. Posso até conversar com pombos, mas nunca com ácaros. Eu atropelo ácaros, ora bolas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diariamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu tomei, doutor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja por isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-1634916045987693613?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/1634916045987693613/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=1634916045987693613' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/1634916045987693613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/1634916045987693613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2007/05/o-pombo.html' title='O Pombo'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-2651687018260298998</id><published>2007-05-07T13:38:00.000-04:00</published><updated>2007-05-07T13:50:26.776-04:00</updated><title type='text'>MUITO Mais Estranho Que a Ficção</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acho que convém explicar para o senhor os acontecimentos ocorridos no sábado último de maneira textual, para evitar contradições devido a coloquialismos ou ausência de trechos. Como eu já disse, a fala não tem &lt;span style="font-style: italic;"&gt;backspace&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito isso, vamos aos fatos. O senhor compreenderá que a conclusão foi causada por eventos muito além de meu controle, por mais estranho que isso possa parecer. Está sentado? Sente. A história é meio longa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já te falei de meu amigo, o Palito? Pois é, no fundo foi tudo culpa do Palito. Tínhamos marcado de nos encontrar no sábado, pois ele queria vender o carro. Nem faço idéia de por que ele me chamou para isso, mas como não tinha mais nada pra fazer aceitei o programa silvícola. Eu estava dormindo quando ele invadiu meu apartamento com a pérola:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acorda pra suruba!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estalei as costas tortas pela noite no sofá e as pálpebras recobertas de muco remelento, tentando ordenar as idéias. Ele começou a falar. Contou que assim que tinha estacionado o carro na garagem foi abordado por uma garota que perguntou se ele era solteiro. Ante a sua afirmativa ele ganhou um boquete. Assim, do nada. Plena tarde de sábado na garagem do condomínio. Coisa que faria roteirista de filme pornô sentir vergonha da vocação. Parabenizei-o enquanto escovava os dentes e cuspia espuma e sangue. Ele, sorrindo, me disse: "Se prepara que falei de você e ela tá vindo aqui". Como é? "Issaí! Arrumei uma suruba pra gente!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem deu tempo pra colocar a camiseta e a mina apareceu. Chamá-la de dragão seria ofender a mitologia. Apareceu com uma bolsa e uma sacola que largou sobre a mesa. Palito pediu licença e foi ao banheiro. Ela me olhou, de calças jeans, sem camiseta, o cabelo um ninho de rato instransponível, a barba de uma semana e soltou, na lata:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é feio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até aí nenhuma novidade. Isso só demonstrava que ela ainda conseguia enxergar o óbvio. Secretamente nutri a cena dela acordando e repetindo estas palavras todos os dias defronte o espelho. Mas não dei corda pro assunto. O Palito saiu do banheiro apenas com uma toalha enrolada na cintura. Aquilo ia dar merda. Ele deu o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;play &lt;/span&gt;no DVD e a Sylvia Saint apareceu na televisão. Dupla Penetração Anal. Ironia? Acho que era a primeira vez que um filme pornô seria usado como ironia explícita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A piradinha então se soltou. Começou a falar por todos os poros. Diarréia verborrágica padrão. Tava dando nojo. É claro que por conta disso ela encarnou em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Teu amigo tem um puta corpão, mas você é inteligente. O Corpo e a Cabeça. Com o Corpo eu transo. Com a Cabeça eu caso. Casa comigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem fodendo!, gritei. Eu sempre fico com a pior opção, porra? Levantei e fui até a geladeira pegar uma breja. Se fosse pra encarar aquilo eu precisava estar fora de mim. Algo fácil de providenciar. Quando voltei ela já estava só de sutiã. Virei a cerveja de uma vez e voltei pra cozinha atrás de algo mais forte. E ela não parou de falar. Entrou na fase do "já que estou aqui mesmo, vou valorizar" e fez um doce pro Palito. Disse que era mulher de família (qual não é?) e que só transaria com quem fosse casar. E iria casar comigo! Arrã. Claro. Óbvio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com essa o Palito se irritou. Começou a dar patada. Vestiu as roupas e fez menção de ir embora. Vai deixar a louca aqui, meu? Boa sorte!, me respondeu, já se encaminhando pra porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é de sorte que eu preciso, mas de paciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rindo de minha frase ele saiu. Ela ficou lá, falando, falando, FALANDO! Peguei mais uma cerveja e fiquei assintindo a Sylvia Saint levando ferro. Essa cena poderia permanecer assim indefinidamente, mas a campainha tocou. Me assustei, pois ela quase nunca toca. Levei alguns segundos para reconhecer o som e fui até a porta. Abri e dei de cara com duas velhas. Uma delas a lata da maluca tagarela na sala. Não falei nada. Fechei a porta, fui até o sofá, dei um gole na cerveja e avisei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tua mãe tá aí na porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando tudo realmente desandou. Ela começou a gritar que sua mãe era a causa de todos seus problemas, que seu pai era alcoólatra e havia morrido na sarjeta, essas coisas trágicas que todo imbecil usa como desculpas para as próprias cagadas. O doutor, como bom feudiano, explica. Já sem o menor saco para aquela ladainha eu disse pra ela ir falar com a velha e resolver isso longe dali. Ela foi. Abriu a porta e começou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi, mãe! O que você tá fazendo aqui? Some da minha vida! Você é a causa de todos os meus problemas! Sabe o que eu estou fazendo, sabe? Estou TRANSANDO! A senhora sabe o que é isso? Sabe qual a sensação de ter um CARALHÃO na tua BUCETA?! Acho que já ESQUECEU, ou então não estaria me FODENDO TANTO!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E BLAM!, fechou a porta na cara da velha estupefata. Fiquei imaginando a de meus vizinhos depois daquela explosão, mas não perdi mais de dois segundos pensando nisso. Na televisão Sylvia Saint engasgava com um jato de esperma certeiro em sua garganta. Legal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maluca decidiu ir embora. Ótimo. Levantei para abrir a porta para ela, sutilmente expulsando-a de meu santuário de mediocridade. Até eu tenho limites. Daí ela fez algo que não deveria: em sua loucura ela achou que tudo que estava em cima da mesa era dela. Juntou tudo, incluindo aí meu celular, minha carteira, minhas contas e mais uma caralhada de coisas que eu sempre abandono em cima do móvel e jogou dentro da bolsa. Aí não dava pra deixar ela sair. Fui até a porta, passei a chave e enfiei-a no bolso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pó pará! Você só sai daqui depois que devolver minhas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela se assustou na hora. Viu que eu não estava de brincadeira. Abraçou a bolsa e a sacola junto do corpo adiposo e começou a berrar por socorro. Mandei-a se calar com um tapa. Aí degringolou tudo. Ela correu até o quarto, pôs a cabeça pra fora da janela e berrou "SOCORRO! ELE QUER ME MATAR! ELE QUER ME ESTUPRAR!". Puxei-a de volta. Ela correu até a lavanderia e repetiu os berros. Dei-lhe um tranco. Ela não cedeu. Foi até a porta e começou a bater e gritar. Se continuasse daquele jeito logo logo a polícia ia aparecer. Com meu histórico era certeza que eu iria rodar. Levou outro tapa. De leve, pra não deixar marca. Só para assustar mesmo. Ela gritou como uma louca. Eu não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Devolve minhas coisas e você vai embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela correu pra varanda e ameaçou jogar as bolsas pra fora. Se fizer isso eu te mato, ameacei. Péssimo argumento. EU ME MATO!, ela gritou então, roubando minha idéia e jogando o corpo pelo parapeito. Só deu tempo de agarrar seus cabelos e puxar. Ela cambaleou de volta à sala e trombou na mesa com as costas, me xingando. Tranquei a porta da varanda pra evitar novas peripécias suicidas. Imagina se ela se jogasse a merda que ia dar? Principalmente depois daquele escândalo todo! Eu precisava resolver aquilo de uma maneira racional, por mais que minha vontade fosse estrangulá-la e esquartejá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas naquela tarde o racional não estava presente. Em sua frustração ela começou a destruir a casa. Tudo que aparecia na frente virava projétil. Puta estrago. Enquanto eu me defendia com os braços ouvi um barulho de vidro se quebrando. Deu tempo de olhar e ver o aquário que o Palito tinha deixado em casa se espatifando. Quarenta e sete litros d'água escorreram para o piso, junto com uma dúzia de peixes ornamentais e pedras e plantas. Aí quem surtou fui eu. OLHA A MERDA QUE VOCÊ FEZ, SUA VACA! Ela ficou desorientada depois do tapa que dei em sua cabeça, o que me deu tempo de tomar sua bolsa e salvar minha carteira e meu celular. Quando ela começou a surtar de novo a porta já estava aberta e eu a atirei no corredor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era para acabar aí. Mas não, estava apenas começando o tormento. Uma vizinha ficou assustada com os gritos e veio ver o que estava acontecendo. A louca nem pensou e se jogou pela porta aberta da vizinha, berrando que eu queria matá-la, estuprá-la, essas coisas. Minha vizinha olhou para mim e percebi que minha aparência não estava ajudando realmente nada. Expliquei por alto que a mulher era louca, que tinha surtado, essas coisas, mas ela com certeza não acreditou. Tá certo, nem EU acreditaria. Mas, porra, era verdade! O que me salvou foi que naquele instante a mãe e a tia da maluca chegaram e explicaram para a moça que a louca tinha realmente problemas mentais e que havia surtado. Pediram para que eu a retirasse de dentro do apartamento, e eu só aceitei em troca da promessa do resto de minhas coisas de volta. A briga foi feia, mas consegui imobilizar a descontrolada com uma chave de pescoço. Nem eu sabia que sabia fazer aquilo. Mas tirei ela da casa de minha vizinha e joguei-a no elevador. A mãe me prometeu que iria devolver minhas coisas na seqüência. Fui pra casa pra limpar a bagunça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava além de qualquer limpeza. Acendi um cigarro e fui chapinhando na poça fedorenta cheia de peixes agonizantes até o sofá, onde me joguei. Meus braços tremiam. Liguei pro Palito e mandei ele voltar que tinha dado merda. Ele voltou voando. Dez minutos depois estava na porta, junto com o Basílio. Depois eu conto quem é o Basílio. O Palito ficou puto quando viu o aquário, mas e daí? Podia ter sido bem pior, argumentei. Mandei ele limpar a sujeira e fui com o Basílio até o apê da maluca pra pegar minhas coisas de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontramos a mãe dela no elevador, transtornada. Gritos saíam de sua casa. Descemos até o térreo e ligamos pra polícia. Tudo que eu queria era sair daquela sem me meter em nenhum rolo. O doutor sabe que se eu me meter em qualquer encrenca vou direto pra cadeia virar rosquinha de traficante. Esperamos a polícia e fomos com os guardas até a casa da dona. Um deles era meio psicólogo e foi tentar acalmar a vaca louca. O outro veio falar comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Qual o envolvimento do cidadão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu só quero minhas coisas de volta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela te roubou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Arrã. Entrou em casa e fez a rapa na mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer prestar queixa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Só quero minhas coisas de volta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não adiantava. A louca não acalmava e enquanto isso não acontecesse todo o resto era secundário. Daí o policial-psicólogo saiu pela porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é o Cabeça?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Com esse físico eu não seria o Corpo. Por que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela quer falar com você. Disse que só se acalmava depois de te ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tô fora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fica sussa que nóis te dá cobertura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois tapinhas no coldre foram o suficiente para me convencer. Entrei. Ela acalmou mesmo, a escrota! Deu vontade de mijar naquela cara de pau! Convenci-a a sair comigo. Os policiais ficaram à distância. Entramos no elevador e fui levando-a até a viatura. Quando ela viu as luzes piscando surtou de novo. Ia fugir, mas os policiais caíram em cima dela e a imobilizaram. O problema é que daquele jeito eles não iam conseguir colocá-la na viatura. Daí o Basílio, que de bobo só tem a cara e o jeito de andar, teve a idéia: "Entra na viatura". Me arrepiei na hora. Péssimas recordações. "ENTRA, PORRA!", gritou o policial-psicólogo. Tá, tá. Sentei na poltrona de plástico duro e fiquei lá. "Olha, o Cabeça entrou!", avisou o Basílio. Ela caiu. Quando vi ela tava do meu lado. Tentei abrir a porta e fugir mas não consegui. O policial entrou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tu é o calmante dela. Tu vai junto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto. Não precisava de mais nenhum escândalo para premiar minha tarde. Saímos, eu e ela no banco de trás da viatura. Com certeza só vão falar disso a semana toda no condomínio. Vou ter que me mudar. Bosta, bosta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos ao hospital e ela foi medicada. Consegui finalmente minhas coisas de volta e esperei o Basílio e o Palito virem me buscar. Durante estes cinco minutos ouvi toda sorte de piadinha a respeito dos eventos por parte dos policiais. Beleza. Dei risada e torci para que não quisessem fazer nenhum relatório sobre o incidente. Me perguntaram como tive a calma pra lidar com aquela maluca e respondi que eu era você, doutor. Dei para eles teu nome e telefone. Não podia dar meu nome e o seu foi o primeiro que me surgiu. E caiu como uma luva no meu álibi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, acho que isso resume tudo. Desculpe por isso, doutor. Espero que vocês dois se dêem bem. Espero mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E avisa pra ela que se aparecer de novo na minha porta eu estupro e mato. Mesmo. Sem uma palavra. E deixo o corpo arreganhado para ser descoberto pela minha vizinha gostosa que por sua culpa acha que eu sou um estuprador assassino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que assim ela tenha certeza.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-2651687018260298998?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/2651687018260298998/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=2651687018260298998' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/2651687018260298998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/2651687018260298998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2007/05/muito-mais-estranho-que-fico.html' title='MUITO Mais Estranho Que a Ficção'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-398863262388304865</id><published>2007-04-16T08:39:00.000-04:00</published><updated>2007-04-16T08:44:10.140-04:00</updated><title type='text'>Reticentes reticências</title><content type='html'>- Hoje eu não ia sair...&lt;br /&gt;- Não? E o que está fazendo aqui, porra?&lt;br /&gt;- Minha amiga me convenceu...&lt;br /&gt;- Gosto de pessoas com convicção de caráter.&lt;br /&gt;- Né? Eu sou assim...&lt;br /&gt;- Claro que é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha lá. Ela está olhando pra você...&lt;br /&gt;- Ela, ela, ela e, deixa eu ver, ela também. E olha que eu sou feio.&lt;br /&gt;- Ah, você não é feio...&lt;br /&gt;- Desespero é uma coisa muito triste mesmo.&lt;br /&gt;- Não estou desesperada. Hoje não vou ficar com ninguém...&lt;br /&gt;- Tá bom. Agora cala essa boca e me beija logo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha lá: a japonesinha não parou de olhar você nem depois que a gente ficou...&lt;br /&gt;- Azar dela. Essa eu não pegava nem fodendo. Prefiro até mesmo uma punheta num banheiro público.&lt;br /&gt;- Ai, não fala assim...&lt;br /&gt;- Por que não?&lt;br /&gt;- Desse jeito você vai pro inferno...&lt;br /&gt;- Lindona, se existir um lance como inferno eu já tenho minha vaga garantida faz tempo. Então, já que é inevitável, ao menos vou curtir a viagem e acumular o maior número de pecados possível. Quero sentar do lado esquerdo do chifrudo.&lt;br /&gt;- Não fala isso. Todo mundo tem uma chance de redenção...&lt;br /&gt;- Puta que o pariu! Que discurso de crente!&lt;br /&gt;- Eu sou evangélica...&lt;br /&gt;- E eu gosto de bolinho de chuva.&lt;br /&gt;- Não entendi...&lt;br /&gt;- Ah, não era pra responder perguntas que não interessavam? Desculpe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desse jeito você me faz perder o controle...&lt;br /&gt;- Controle? O que é isso? É de comer?&lt;br /&gt;- Não adianta. Hoje não vou transar com você...&lt;br /&gt;- Claro que vai. Só não sabe ainda.&lt;br /&gt;- Não vou. Só se a gente se ver de novo...&lt;br /&gt;- Tem gente que gosta mesmo de se iludir. Fazer o que?&lt;br /&gt;- Hum, não me beija assim que eu não agüento...&lt;br /&gt;- Claro que agüenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não acredito que estou fazendo isso...&lt;br /&gt;- Faz um favor pra nós dois e não ocupa essa boca com retóricas inúteis.&lt;br /&gt;- Com o que?&lt;br /&gt;- Cala a boca e chupa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você já vai? Volta pra cama...&lt;br /&gt;- Não. E quem vai é você. Tá tarde e eu tenho mais o que fazer.&lt;br /&gt;- Coisa mais engraçada isso. Pensa bem: eu não queria sair e saí. Não queria ficar com ninguém e fiquei. Não queria transar e transei...&lt;br /&gt;- Não queria ir para o inferno e agora vai. Pois é. A vida é uma puta fulambenta mesmo. Agora se veste logo e vai embora que eu preciso dormir um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nada como uma boa noite de calhordice desenfreada para desobstruir o fígado, não é? Pra espantar de uma vez a zica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso lembrar de fazer isso mais vezes. Você teria menos notícias minhas se fosse desse jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas antes eu preciso me livrar de todos os espelhos de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só para garantir...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-398863262388304865?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/398863262388304865/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=398863262388304865' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/398863262388304865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/398863262388304865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2007/04/reticentes-reticncias.html' title='Reticentes reticências'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-3593258302363246405</id><published>2007-04-04T14:23:00.000-04:00</published><updated>2007-04-04T14:27:26.996-04:00</updated><title type='text'>Na trave</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu cheguei em casa e ela já estava lá. Sentada no sofá com os pés sobre a almofada. O corpo (gostosa, gostosa!) completamente coberto por uma roupa pudica, hermeticamente fechado para minha iminente invasão. Os cabelos presos num coque recatado, daqueles com um palitinho empalando as mechas. Óculos sem aro. Me olhava até um tanto assustada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não vou dar para você hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não estou pedindo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Só pra deixar claro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer uma breja?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aceitou. Não sei porque ela estava lá, sinceramente. Acho que nem ela. Tirei a camisa e larguei sobre a mesa. Ela mediu meu corpo. Acho que não gostou. Não a culpo. Mas estava calor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- 'Cê tem maconha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Só umas pontas. Se quiser faço um com as sobras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu quero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toca reciclar baseado. Coisa mais chata. Mas no fundo eu tinha a esperança que a mistura da erva com a cerveja finalmente abrisse aquelas pernas aparentemente irredutíveis. Se não, ao menos renderia algumas risadas. Ou um homicídio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que andar estamos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É alto. Nem pensa em chegar perto da sacada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem medo que eu me mate?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Só que se você se matar vai ser a maior sujeira...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fumamos. Bebemos. Conversamos. Me perdi naqueles dentes mordiscando de leve o lábio inferior. Ela notou logo minha ereção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não esquece, hein? Não vou dar pra você hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você tem o direito de fazer doce. E eu de continuar tentando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esquece, não vai rolar. Só se você me estuprar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não quero te estuprar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não me estupra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não q...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando dei por mim já estava em cima dela. Se debateu que nem uma louca, mas eu sou mais forte. Imobilizei-a completamente. Aproximei meu rosto do seu e nossos lábios quase se tocaram. Respirei seu hálito ofegante por alguns momentos. Uma lágrima escorreu por sua bochecha. A boca entreaberta. Ela estava gostando daquilo, a piranha. Eu não. Desviei de sua boca e fui até seu ouvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se eu quisesse te estuprar, sua escrota, te estupraria agora e ninguém ia poder fazer nada. Nem você. Então faz um favor pra nós dois e fecha essa latrina antes que eu mude de idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soltei-a. Ela não se levantou nem saiu correndo histérica. Só voltou à sua posição de concha. Aquilo estava me irritando. Peguei outra cerveja. Já nem sabia mais o que eu queria com ela ali. A promessa entre nós dois sempre foi sexo. Agora que estávamos lá ela dificultava e eu não estava com saco para convencê-la do contrário. Ficamos em silêncio algum tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tenho tara de ser ameaçada com uma faca...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí já era demais. Me arrepiei inteiro. Levantei e fui até a cozinha, revirei a gaveta atrás de minha faca de churrasco. Era uma faca enorme e estava bem afiada. Cadê essa porra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Zê, o que você está fazendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou tirar teu sangue, sua vaca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada, nem uma mísera faca de manteiga consegui encontrar. Pensei em usar o saca rolhas, mas desisti. Cadê a MERDA da faca quando a gente precisa dela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cê tá brincando, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou furar o teu peito. Entre as costelas. Quero ver você gozar quando o sangue começar a escorrer pelo teu corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pára com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pára o caralho! - gritei enquanto arrancava a gaveta pra fora do móvel e a jogava no chão, espalhando talheres e sanidades num estardalhaço. - Você vem até aqui e ao invés de fazer o que deve fica com esse papinho de freira tarada? Vai ver do que sou capaz! Cadê a PORCARIA dessa faca, meu caralho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Teu caralho responde quando você pergunta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pergunta você pra ele. Aqui, ó. Pergunta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Zê, guarda isso... Já falei...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Some daqui! - gritei, frustrado e de calças arriadas. - Some antes que eu te mate!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela abriu a boca pra tentar argumentar mas calei-a com meia cerveja arremessada em sua direção. Só fez sujeira. Ela pegou suas coisas e saiu de casa correndo. Assim que bateu a porta do elevador eu encontrei a FILHA DA PUTA da faca! Só para não desperdiçar o achado destrocei impiedosamente um salame vencido que estava perdido no abismo branco de minha geladeira. Entenda a metáfora como quiser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como vê, doutor, vai de mal a pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei por que ainda tento...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-3593258302363246405?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/3593258302363246405/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=3593258302363246405' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/3593258302363246405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/3593258302363246405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2007/04/na-trave.html' title='Na trave'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-4988909486256659776</id><published>2007-03-19T09:25:00.000-04:00</published><updated>2007-03-19T09:32:38.038-04:00</updated><title type='text'>O Inferno Diminutivo</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;havia alguma coisa errada, mas estranhamente o errado parecia mais certo que o certo em questão. Mais ou menos. Mais pra mais do que pra menos. Pelo menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seis da manhã. O sol se recusava a tirar a cara bolachuda pra fora de seu esconderijo cumular. Mas tinha luz, tinha luz e aquilo me incomodava. Não sabia o que estava fazendo ali, naquela rua, àquela hora, daquele jeito. Boa noite, Cinderela, teu príncipe é um travesti fulambento que só te beijaria se você fosse simplesmente um LU-XO. Na boca do lixo o luxo é relativo. E cospe giletes quando os gambés enfiam no camburão. O que eu estou fazendo aqui, cercado de Shirleys, Jennifers, Pamelas e perucas cor-de-rosa? Não, linda(o), pra mim chega de doce. Mais um e não volto. O Smurf ali disse que é melhor eu parar, e se tem uma coisa que eu confio são smurfs. Não pergunta por que pois eu respondo antes de você perguntar. Olha só que viagem: uma só mulher na vila e o bebê smurf não é filho dela! Tem noção que aquele bebê ranhento pode ser o messias dos Smurfs? Aquele que irá livrá-los do terrível jugo de Gargamel. E além disso nenhum deles estupra a loirinha, mesmo não tendo nenhuma mulher na vila. Não disse? Confiança. Ou será que estupram o bebê? Deve ser por isso que ele chora tanto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem me disse isso? O secador de mãos do banheiro. Nunca conversou com ele? Tá, ele geme um pouco demais e tem um mau-hálito terrível, mas é gente fina. E é só você passar a mão que ele se abre numa boa. Ei, que preconceito é esse? Justo você? Ele bem que me disse isso também. Preciso respirar um pouco. Me solta, porra! Eu ainda lembro como andar. Eu acho. Claro que acho. Olha lá, achei. Viu, bestalonha? Agora sai do meu pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O inferno custa cinco paus para entrar. Barato pra caralho. O Caronte não é barqueiro, é leão de chácara. Só que fala numa língua ininteligível. Uma soma de todas as línguas vivas e mortas. Ao molho de saliva e bílis. Não aceita minhas moedas cuspidas. Mas me deixa entrar e desço a espiral. Descubro que no inferno só tem um círculo e é fechado. É aqui mesmo, é aqui sim, tenho certeza. Orgiástico mas com pudores hipócritas. Querem beijo na boca. Eu, não. Eu quero uma cerveja. No inferno só tem Itaipava sem camisinha. Sexo segura? Então me larga que a cerveja é mijo mas eu não quero porra nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, navegando no meio do lixo, da escória, da ralé da humanidade eu me sinto um pouco pior do que o normal. Eles se divertem, pulam, dançam, sorriem com as bocas forradas de dentes podres e resquícios de sucos penianos. Ninguém senta, não por ausência de cansaço mas de condições anais. Não pense em ânus. Só no teu, mas cola ele na parede. Opa, desculpe extintor vencido! Nem te vi. Quer uma cerveja? Te dá gases? Como assim? Ah, pó químico? Eu também. Sou um pó ressequido de químicas sem mol. Já falou com o Avogadro? Seis vírgula zero três vezes dez elevado à vinte e três vezes. Ele seria o cara que te quantificaria. Não, ninguém te qualifica enquanto não for necessário. No seu caso é fácil, é só botar fogo no inferno. Posso acender um cigarro? Promete que não vomita em cima de mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo dispara em minha mente demente cacófata. Corre!, grita o demônio em meu cerebelo. Corre que dá tempo de fugir. Não quero fugir. Eu mereço estar aqui. Finalmente fiz por merecer alguma coisa. É confortável no meio da androginia. Me sinto navegando numa gravura profana de Escher. Ninguém sabe onde começa e qual o fim. O fim é aqui. No começo desse circuito indefinido. Um Auryn onde cobras comem cus alheios longe dos olhos da sociedade castrante. Também temos o direito de dar risada, mesmo sabendo que fora do inferno a vida é uma redundância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim eu corro de volta para a luz da rua e para o conforto da alienação. O coração disparado e as costas suadas. Subo pela espiral e atravesso o umbral do Caronte que vocifera em latim/hebraico/vietcongue/paraibanês. Quase sou atropelado ao chegar à rua. Buzinas me xingam. Cadê meu carro, cadê meu carro, cadê minha muleta de vida? Quinze paus, mais caro que o inferno, literalmente, e estou ziguezagueando na rua. Não sei como cheguei ali, não sei como consegui sair, não sinto orgulho, não sinto depressão. Hoje não. Só amanhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que misturei algo errado, doutor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas deu terrivelmente certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se é que o doutor me entende.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-4988909486256659776?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/4988909486256659776/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=4988909486256659776' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/4988909486256659776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/4988909486256659776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2007/03/o-inferno-diminutivo.html' title='O Inferno Diminutivo'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-4144582121396562856</id><published>2007-03-08T09:32:00.000-04:00</published><updated>2007-03-08T09:48:40.045-04:00</updated><title type='text'>Reencontro</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;já fazia algum tempo que eu não a via. Quanto tempo? Não sei. Não importa. Mas tempo o suficiente para que já não parecesse mais uma eternidade. Confesso que fiquei um pouco desconfortável ao rever aqueles olhos que por um breve período foi tudo o que me importava na vida. É, eu gaguejei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi, Zê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum? O que é que você disse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu disse oi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É. Hum. Oi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que ela me deixaria abraçá-la? Dar um beijo em seu rosto? Por que é mesmo que havíamos parado de nos ver? Ela me abraçou com alguma força. Ainda encaixava direitinho. Senti o cheiro de seus cabelos invadindo minhas memórias, ressuscitando coisas que eu já imaginava ter deixado de lado. Beijou meu rosto e fez uma linda careta de aflição. Como sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você precisa fazer a barba...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E aí, como você está?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Na mesma...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incrível como nunca consegui mentir para ela. Sou um mentiroso patológico, doutor, o senhor bem sabe. Minto descaradamente até para mim mesmo. E minto tão bem que chego a acreditar em minhas próprias mentiras. Mas com ela eu simplesmente não conseguia. Não precisava. Não queria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E aí, cara? O que em conta de novo? Ainda está morando lá na...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou. Depois de tudo o que aconteceu. Você sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Droga! Não consigo trocar meia dúzia de palavras com ela sem voltar a esse assunto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, eu sei...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela então desviou o olhar de mim. Seu corpo procurava urgentemente por uma desculpa para se afastar de minha presença. Mais uma vez. Eu devia deixá-la ir, mas descobri que não estava pronto para perdê-la novamente. Egoísmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senti sua falta – desabafei então. Ela recebeu a confissão tão bem quanto um murro no estômago. Não olhou nos meus olhos. Mexeu obsessivamente na franja. Não mudou nada. Absolutamente nada. Sinto algo se quebrar dentro de mim com esta constatação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não precisa ter medo de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu nunca tive medo de você, Zê. Nunca. Mas você sabe, essas coisas são complicadas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não quero complicar nada. Deus me livre de querer complicar a sua vida mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você nunca complicou minha vida, Zê. Não fala assim. Você sabe que não é esse o problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Só sei de uma coisa: mesmo depois de todos esses anos a gente está aqui, na mesma. Só conseguimos conversar desse jeito. Não planejei te encontrar aqui, não estou te perseguindo. Já sofri demais com a sua primeira dispensa para procurar por outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não fala assim! Não te dispensei! A gente chegou num acordo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respirei fundo. Os anos passaram, mas a mágoa não havia desaparecido. Aquela era a estratégia errada. Deixa de ser idiota, Zebedeu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, entramos num acordo - persisti no erro. - Só que você sabe que eu nunca fui realmente a favor deste seu maldito acordo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas a gente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que você queria que eu fizesse? Hein? Que implorasse? Que me humilhasse? Que desrespeitasse a sua decisão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente um contato visual. Estremeci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu só queria que você tentasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abri a boca, mas não consegui proferir nenhuma palavra. Nada. Ela continuou me olhando. Havia acusação naquele olhar. Mágoa. Raiva, até. Não sei se fez de propósito, mas quando ajeitou mais uma vez o cabelo vi a aliança de ouro em sua mão esquerda. Perscrutei novamente seu olhar. Encontrei lá a sua velha teimosia. A teimosia que a fazia fincar o pé em uma decisão mesmo sabendo que era a errada. A teimosia que nos afastou por conta de uma bobagem. Mas não encontrei um pingo de felicidade. Ela também nunca conseguiu esconder nada de mim. Maldita simbiose! Seu corpo já não fazia mais menção de fugir, mas ao invés disso se apresentava a mim, ávido por um abraço apertado. A boca entreaberta ansiosa por um beijo. Beijei-a. Mas no rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A gente se vê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a vez dela desabar. Mas a avalanche durou apenas alguns segundos. Foi quase imperceptível ao olhar leigo. Rapidamente se recompôs, fingiu que estava tudo bem e abriu um sorriso. Claro que não foi convincente. Não para mim. Mas fingi acreditar e me afastei. Ela ficou ali parada alguns minutos meio perdida, sem desviar o olhar, até que seu marido chegou e a arrastou para outro longe do meu campo visual. Decidi que seria melhor chorar sozinho em casa e fui embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que deu pra entender agora, doutor, ou vai querer que eu desenhe?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-4144582121396562856?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/4144582121396562856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=4144582121396562856' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/4144582121396562856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/4144582121396562856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2007/03/reencontro.html' title='Reencontro'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-8807989660705195618</id><published>2007-02-23T14:56:00.000-04:00</published><updated>2007-02-23T14:59:51.679-04:00</updated><title type='text'>Estilhaços</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é triste olhar no espelho e ver meu rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desagradável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como se cada ruga, cada reentrância, cada cicatriz, cada fio de cabelo branco em minha têmpora contasse uma história melodramaticamente trágica. Uma história que nunca tem final feliz. E que fica ainda pior ao descobrir que tudo é por minha culpa. Por culpa de minha inação, de minha falta de culhão para tomar a decisão certa na hora certa. Cada marca profunda na minha pele espelha um vacilo, uma resolução covarde, uma cagada em minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que precisamos nos tornar escravos de nossas decisões? Por que nunca aparece alguém e te diz que esta ou aquela decisão específica vai esmerdear o resto de sua vida? Seria tão mais fácil acreditar que existe um velho barbudo sentado num cúmulo de algodão e que planeja a vida de cada um a seu bel prazer. Expiava a culpa por uma atitude equivocada que culminou em uma hecatombe incontrolável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não existe o tal velhinho. E a gente tem que aprender a lidar com as conseqüências das decisões que nossos cérebros limitados tomam. Por mais que doa, por mais que machuque. E não tem jeito, sempre que tomamos uma decisão crucial na vida ficamos imaginando como seria se tomássemos outra direção. Será que fizemos o certo? Como podemos ter certeza de que a merda que estamos afundando neste momento não é melhor do que uma possível caganeira na outra opção?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como viver com essa dúvida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No espelho estilhaçado meu rosto parece uma caricatura desenhada por um Picasso bêbado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os cacos fincados em minhas falanges doem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não mais do que minhas entranhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Merda de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Merda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-8807989660705195618?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/8807989660705195618/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=8807989660705195618' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/8807989660705195618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/8807989660705195618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2007/02/estilhaos.html' title='Estilhaços'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-6079010902238046105</id><published>2007-02-15T14:59:00.000-04:00</published><updated>2007-02-15T15:22:02.154-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Zebedeu'/><title type='text'>Quase um dia de fúria.</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu tava na minha. Juro. Não mexi com ninguém, não atrapalhei nada. Continuava apenas um carrapato sugando meu salário miguado da empresa, gota a gota, imperceptível no meio da pelagem pubiana do meu departamento. Poderia permanecer lá indefinidamente, incólume nesta relação parasitária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não tem jeito. Não tem. É só você achar que finalmente alcançou uma zona de conforto e parece que o universo conspira para te arrancar dali. Universozinho do caralho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou com uma bobagem. Alguém precisava de um favor. Todo mundo no departamento se fingiu de ocupado. Caiu no colo do idiota aqui. Mas era coisa simples, até eu conseguiria resolver sem problemas. Topei. Sempre me esqueço que a Primeira Guerra Mundial começou com um único tiro num arquiduque insignificante. Aposto que o imbecil que apertou o gatilho não tinha noção do tamanho da cagada que ele estava fazendo até que fosse tarde demais. Então, foi assim comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O probleminha foi logo resolvido. Mas tal qual uma pedra cheia de limo que é movida de seu descanso milenar desvelou uma infinidade de baratas, percevejos, aranhas e toda sorte de inseto asqueroso e peçonhento que até o momento todos simplesmente ignoravam a existência. O probleminha se tornou de repente um furacão de merda. E é impressionante a velocidade que os não-envolvidos no problema desaparecem de uma hora para outra, deixando a bomba inteira para estourar na minha mão. Não tinha jeito. A arapuca fora armada. E eu estava preso nela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de ter que agüentar gerentes e supervisores histéricos e incompetentes, tive ainda o prazer de ver o cliente envolvido na fuzarca, na figura de um casal para lá de caricato. Ele um tampinha atarracado com cara de fuinha e que só conseguia falar merda. Nada de útil saía daquela coisinha ridícula. Mas no meio do turbilhão até as imbecilidades são levadas em conta. O pânico elimina os filtros racionais. Tudo é incêndio. E aquele tampinha era um incendiário nato!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já ela era um caso a parte. Alta, maior que eu, mas com aquelas caras de criança eternamente assustada. Sua voz era uma coisinha irritante, insuportável. Parecia uma criança de oito anos com problemas de dicção. E tinha uma tendência incontrolável para o desespero completo. E em seu desespero falava sem parar. Junte aquela vozinha insuportável (que faria qualquer sonho erótico se transformar num pesadelo pedófilo, independente do tamanho da cavala) com uma mania simplesmente irritante de entremear cada frase com um "ZÊ!" e imagine o meu desespero! Era algo como "Blá-blá-blá-ZÊ!-blá-blá-blá-ZÊ!-blá-blá-blá-ZÊ!-blá-blé-bló-ZÊ!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em pouco tempo todo aquele falatório desordenado simplesmente se transformou num ruído rosa. Algo mais irritante que microfonia, como aquele barulho de televisão fora de sintonia, mas no último volume. Comecei a suar frio. Não dava mais para pensar em qualquer tipo de solução para o problema original. Meus dedos tremiam. Meu estômago se revirou em duas cambalhotas que quase me fizeram despejar o almoço no teclado. E o ruído não parava. Não parava. NÃO PARAVA!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TUM! Soquei o tampo da mesa. O ruído não diminuiu. TUM! Bati de novo, com mais força. Minha mão doeu. Não adiantou. Comecei a murmurar entre os dentes rilhados: Cambada de filhos duma puta incompetentes... bláblábláZê!bláblabláZê!... Vou pegar essa sua cabecinha de pigmeu e enfiar no cu dessa girafa histérica... bláblábláZê!bláblabláZê!... Depois vou cobrir sua cara com tantos tapas que até minha mão vai sangrar... Zê!bláblábláZê!bláblabláZê!... Quebrar cada osso do teu corpo com as próprias mãos... bláblábláZê!bláblabláZÊ!!... Arrancar de uma vez a criança chorona de tuas cordas vocais... ZÊ!bláblábláZÊ!bláblabláZÊÊÊ!... Chutar teu corpo retorcido até não sobrar nada além da PORRA de uma POÇA de SANGUE e ÓRGÃOS ESFACELADOS, que vou ESPALHAR com TANTO GOSTO pela SALA INTEIRA que até o LEGISTA vai ter problemas para RECONHECER SEU CADÁVER COMO ALGO HUMANO!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não tinha percebido que meu murmúrio havia se transformado em urros até que vi as caras de assustados do casal bisonho. Silêncio. Não desviei o olhar. Minha respiração estava acelerada, assim como meus batimentos cardíacos. Eles então pediram desculpas e se retiraram. Não os impedi. Fim da interferência. Um minuto para me acalmar e em mais cinco todos os problemas estavam resolvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mesa do lado da minha uma morena me olhava como que lendo minha alma. Pisquei um olho confidente para ela. Ela me sorriu em retribuição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final das contas foi um dia bom, doutor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melhor do que a maioria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-6079010902238046105?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/6079010902238046105/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=6079010902238046105' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/6079010902238046105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/6079010902238046105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2007/02/quase-um-dia-de-fria.html' title='Quase um dia de fúria.'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-3551347527696495138</id><published>2007-02-02T10:02:00.000-04:00</published><updated>2007-02-02T10:12:01.165-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='digressões'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Zebedeu'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='misantropia'/><title type='text'>Delírios Misantrópicos</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;olhe em volta. Não interessa onde esteja, se é no seu consultório, no ponto de ônibus ou parado no trânsito que não transita. Olhe, abra os olhos e veja. Esqueça os adereços. Veja as pessoas. Elas mesmo. Agora apure seu olfato. Sinta o cheiro da mediocridade, da insignificância destas máquinas processadoras de merda. Veja, cheire. Agora ouça. Sim, ouça. Escute o que eles tem a dizer. Este não é o seu trabalho? Escute a profusão de cretinices vomitadas por seus cérebros subutilizados. Racionalize a respeito. Veja eles de fora. Perca a curiosidade, enxergue-os como realmente são: uma multidão de hamsters treinados rodando suas rodinhas indefinidamente. Uma corrida para lugar algum. Uma corrida que se justifica em si própria. Saboreie agora a bílis subindo em sua garganta em conseqüência do inevitável asco. Ignore o tato. Você não quer tocar essas criaturas repugnantes. Lave as mãos obsessivamente e calce um par de luvas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo gira em volta de minha mesa. Gira como a roda do hamster. As pessoas correm de um lado para o outro e não saem do lugar. Vivem no ponto morto. Respiram seqüencialmente sem ao menos pensar a respeito. Movimento involuntário é ereção. É peido na madruga. Para respirar todos nós deveríamos pensar a respeito. Descobriríamos que só fazemos isso por medo. Medo de morrer. A máquina fabricante de merda não quer se tornar seu subproduto tão cedo. Inspira. Expira. Agora arrota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seres humanos são nojentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você é nojento, assuma. Uma máquina que excreta muco, fezes e suor. Que liga palavras em frases mal feitas e frases em idéias idiotas e idéias em argumentos repetidos exalados por entre o vapor de sua saliva. Um papagaio com mais memória cognitiva. Bela merda, bela merda. Tó, um biscoito para você. Agora me conta uma piada suja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não lembra de nenhuma piada? Então inventa uma agora. Não consegue, não é? Quem inventa as piadas? Em algum lugar deve haver um celeiro com dois mil macacos datilógrafos. Não, eles não conseguiram reproduzir a obra completa de Shakespeare ainda. Mas já fabricam as piadas. Fabricam e as jogam em nosso celeiro. E nós as repassamos aleatoriamente, ferramentas para escancarar nossos defeitos mais óbvios. Somos roteadores de merdas atiradas por macacos datilógrafos com espírito crítico mais afiado que o nosso. E nós não estamos nos tornamos também uma legião de macacos datilógrafos? Saber usar um mouse não é vantagem para quem vem com polegares de fábrica. Quero ver você descascar uma banana com o pé. Isso sim é foda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Darwin estava enganado. Se estivesse certo nós já estaríamos extintos há milênios. A criatura mais desprovida de ferramentas naturais de sobrevivência, mais propensa ao ócio que a maioria dos hibernantes, que dorme um terço da vida útil e dois da inútil. Que não tem couraça, pelagem, garras, presas ou visão infravermelha. Em algum momento alguém trapaceou e aqui estamos nós, seis bilhões de criaturinhas patéticas que se acham donos do mundo. O mundo nunca pediu por um dono. Muito menos seis bilhões. Essa pedra que circunda aquela bola de fogo é alheia a nossa presença. Só gira e gira em seu movimento centrífugo regular pois em algum momento uma série de coincidências a empurrou a isso. Está pouco se fodendo para as bactérias que povoam sua crosta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O café tem gosto de derrota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu estou fazendo aqui?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-3551347527696495138?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/3551347527696495138/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=3551347527696495138' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/3551347527696495138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/3551347527696495138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2007/02/delrios-misantrpicos.html' title='Delírios Misantrópicos'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-5488466928230142964</id><published>2007-01-26T15:30:00.000-04:00</published><updated>2007-01-26T15:49:01.329-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='digressões'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Zebedeu'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mapa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='maturidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='endereço'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dinheiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='morte'/><title type='text'>O mapa da maturidade</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;após muita pancada na cabeça descobri que a maturidade é o exato momento em que a pessoa descobre que, salvo alguma improvável conspiração cósmica e cármica ocorra, ele está destinado a uma existência medíocre e facilmente esquecível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Papo de depressivo? Claro que é! Cala essa boca e ouve que é para isso que você é pago!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando somos jovens alimentamos aquela esperança idiota de que faremos alguma diferença. Imaginamos carreiras de sucesso, atitudes que influenciarão a existência de muitos, nosso nome no panteão dos imortais, dos que fizeram a máquina andar mais rápido. Somos jovens, o mundo é nosso! Somos destinados a virar nome de avenidas! Se segura, mundo! Eu vou fazer &lt;span style="font-style: italic;"&gt;urrú &lt;/span&gt;na cara do Bial, porra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí crescemos um pouco e vemos que nossos objetivos podem ter sido um pouco inflacionados por nossos egos.  Tudo bem, baixa a bola e toca pra frente. É neste momento que começamos a fomentar os sonhos pequeno-burgueses. Uma família, uma casa quitada, um carro do ano na garagem, dinheiro sobrando no final do mês... Abrimos mão da avenida, mas quem sabe não conseguimos nosso nome ainda em uma rua? Podemos não mudar o mundo, mas que sabe a própria comunidade? É neste momento que a maioria começa a namorar sério, fazer planos, essas idiotices todas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Idiotice sim! Pára de me interromper, caralho! Ainda não entendeu como isso aqui funciona? Eu falo e você escuta. Pode anotar o que quiser, mas não me mostra que eu odeio garatuja de bloco de notas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, então alguns casam, se ajuntam, formam um núcleo familiar. E aí começam os problemas. É, negão, saiu da barra da mãe a coisa aperta, né não? E começam também as decepções profissionais. De repente você, aquele potencial executivo de sucesso, o provável milionário antes dos trinta, o pintudo do escritório, essas merdas aí, descobre que não passa de mais uma cabeça chifruda no meio pasto. Apenas um número gravado a ferro quente num crachá, que pode ser abatido sem maiores explicações a qualquer momento. Descobre que não basta ter potencial, tem que mostrar resultado. E quanto maiores os resultados, maior a expectativa dos empregadores. E maior a cobrança. Nesta epifania alguns poucos empreendedores saem do rio para quebrar a cara por conta própria, mas nós, o joio, a argamassa, vamos ficando. Descobrimos que o trabalho vai ser sempre duro e a remuneração nunca a suficiente. As contas não param de chegar (já que você, cretino, decidiu casar, ter filhos, comprar uma casa, um carro do ano...), as demandas não diminuem, o cheque especial não basta... Nome de rua? Tá, eu aceito deixar meu nome naquele beco da perifa mesmo, fazer o que? Nesse ponto está plantada a semente primordial da queda. Porque a expressão "cair em si" depende mais do verbo que muita gente imagina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode anotar essa aí, sim, doutor. Anota e enfia no cu! Porra de cara mais chato!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí você junta as contas vencendo com o dinheiro faltando e descobre uma coisa: que amor não paga dívida. Muito pelo contrário. Aquele relacionamento maravilhoso, idílico, perfeito como um romance brega de matinê de domingo era na verdade uma fraude. E uma fraude cara. Você vê tudo desmoronar, a começar pela sua vida sexual (É, negão, depois não diz que não avisei!). Depois a convivência se torna insuportável. Então você arruma uma distração, algo que te faça levantar da cama todos os dias (e que não seja a obrigação trabalhista). Pode ser um hobby, uma coleção, uma mania, qualquer coisa. Isso te dá uma sobrevida, um meio-fôlego na relação que já não interessa a mais nenhuma das partes. E você acha que encontrou a solução, mas na verdade só agravou o problema. Porque felicidade alheia incomoda. Um não suporta mais ver o outro sorrindo. Não há mais sincronicidade nos humores. Brigas, brigas e brigas. Não vai ter jeito. É, amigão, em bom português, você está fodido. Beco? Claro que é beco. Sem saída. Mas não vai ter seu nome na placa da esquina. Tá pensando o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí você acorda um dia e vê que não tem mais volta. Não porque faltem alternativas. Veja bem: Sempre há uma saída, seja ela ousada ou covarde. O problema é que você não quer mais arrumar uma saída. Cansou de lutar contra o inevitável. Prefere deixar a corrente te levar. Prefere deixar o tempo resolver. É aí que finalmente uma pessoa amadurece. Percebe que em alguns anos deixará de ser uma engrenagem essencial para o funcionamento da máquina humana e passará a ser uma reles peça de reposição. Depois disso será um artigo obsoleto, notado apenas pela curiosidade mórbida dos mais jovens (lembra?). Ao final será apenas mais um refugo pronto para o descarte. Uma coisa inconveniente que só serve para ocupar espaço e atrapalhar o avanço da próxima geração de idiotas prepotentes. Um elefante moribundo que não se tocou que é hora de abandonar a manada. E onde acabarão suas pretensões de virar endereço? Na rua 6, jazigo 42. Onde nem os gatos chegam perto. Pois é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quê? Você acha que ao final desta digressão estúpida eu colocaria alguma alternativa, alguma mensagem otimista? Desculpe, vou ficar devendo. Tá me estranhando, doutor? Sabe como é, a correnteza é muito forte. O negócio é se deixar levar até que apareça uma curva nesta metáfora  barrenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente se vê lá, doutor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-5488466928230142964?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/5488466928230142964/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=5488466928230142964' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/5488466928230142964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/5488466928230142964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2007/01/o-mapa-da-maturidade.html' title='O mapa da maturidade'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-116837285583615568</id><published>2007-01-09T15:52:00.000-04:00</published><updated>2007-01-09T16:00:55.850-04:00</updated><title type='text'>Folguedos Praianos e Bloqueios no Seu Tubo</title><content type='html'>Caríssima Srta. (ou ex-Sra.?) &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Daniela Cicarelli,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;venho através desta manifestar meu total e irrestrito apoio a sua heróica cruzada frente à difamação e a pouca-vergonha que veículos como a internet tão injustamente estão sujeitando a sua pessoa e a de seu caro namorado, o digníssimo Sr. Ricardo Malzoni Filho. Como celebridade de incontestável valor cultural à nossa nação e de qualidades tão notáveis, é uma vergonha testemunhar a maneira sórdida, vil e extremamente ofensiva com que a senhorita (ou ex-senhora?) e seu honradíssimo namorado vem sendo apedrejados, seja por meio da imprensa irresponsável, seja por conta de usuários de computador desinformados e, por que não dizer?, extremamente mimados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A senhorita (ou ex-senhora?) tem toda justificativa para atacar com todas as forças o famigerado portal &lt;a href="http://www.youtube.com"&gt;YouTube&lt;/a&gt;, que de maneira fraudulenta inseriu subrepticamente, entre seus Terabytes de videos e clipes em sua maioria inúteis, alguns poucos minutos de cenas tórridas e de cunho estritamente pessoal, retratando sua pessoa e a de seu magnânimo namorado em intimidades que apenas deveriam interessar às pessoas diretamente envolvidas com os atos. O fato de as imagens terem sido filmadas em um lugar público e posteriormente copiadas incontrolavelmente entre usuários voyeristas não passa de um argumento pobre vindo de pessoas nefastas que tentam em vão se defender das próprias calúnias apregoadas inescrupulosamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, com o perdão da expressão, a senhorita (ou ex-senhora?) pegou até leve. Caso não esteja informada (pois todos nós sabemos o quão ocupada a senhorita (ou ex-senhora?) é) não basta eliminar apenas o maquiavélico portal &lt;a href="http://www.youtube.com"&gt;YouTube&lt;/a&gt;, visto que o famigerado video acabou se espalhando por outros locais indiscriminadamente, como piolhos em uma escola primária da periferia. Páginas como o &lt;a href="http://www.pornotube.com"&gt;PornoTube&lt;/a&gt; já tem sua dose de cópias (como a senhorita (ou ex-senhora?) pode comprovar clicando &lt;a href="http://www.pornotube.com/media.php?m=114023"&gt;aqui&lt;/a&gt;). Da mesma maneira a página do &lt;a href="http://video.google.com"&gt;Google Videos&lt;/a&gt; (que, sinto informar, também é a proprietária do maligno portal &lt;a href="http://www.youtube.com"&gt;YouTube&lt;/a&gt;) já possui algumas cópias do video disponível para que nossas pobres crianças sejam envenenadas com um vislumbre de imagens que seus olhos inocentes não deveriam presenciar em tão tenra idade. Duvida? Então, por favor, clique &lt;a href="http://video.google.com/videoplay?docid=-7821287484659607984&amp;q=cicarelli"&gt;aqui&lt;/a&gt; e comprove a senhorita (ou ex-senhora?) mesmo. Até mesmo no pouco conhecido em terras tupinambás &lt;a href="http://www.dailymotion.com"&gt;Daily Motion&lt;/a&gt; há uma cópia. Tem sim, juro! E para assistir, temo, é de uma simplicidade assustadora: de novo, apenas clique &lt;a href="http://www.dailymotion.com/visited/search/cicarelli/video/xxgat_daniele-cicarelli-and-renato-malzon"&gt;aqui&lt;/a&gt;! Viu só como é fácil? Isso sem contar com o número absurdo de blogs e páginas pessoais onde o infame video foi inserido sem a sua conivência. Será que esse povo não tem mais nada melhor para fazer não? Como exemplo, por favor veja a senhorita (ou ex-senhora?) em seus idílicos momentos de prazer marítimo devidamente registrados em video num &lt;a href="http://granguayaco.blogspot.com/2006/09/diana-cicarelli-sex-on-teh-beach.html#links"&gt;blog espanhol&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a senhorita (ou... ah, cansou!) pode ver, o mundo inteiro já sabe de sua singela escapadela submarina. Isso porque não contamos, é claro, as morféticas redes de compartilhamento de arquivos P2P (ou &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;pirtupír&lt;/span&gt;, em bom português) e o caudaloso &lt;a href="http://www.bittorrent.com/"&gt;BitTorrent&lt;/a&gt;. A coisa está feia, caçapática dama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fazer, o que fazer então, ante esta ameaça de tamanha sanha demoníaca? Caso não cosiga vislumbrar um horizonte neste oceano (ops!) de problemas, coloco humildemente duas opções para vossa apreciação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Fechar todo e qualquer página monstruosa que se prontifique a publicar o mui danoso video. Até mesmo os que colocam apenas menção. Fecha tudo! Fecha o &lt;a href="http://www.pornotube.com"&gt;PornoTube&lt;/a&gt;, o &lt;a href="http://video.google.com"&gt;Google Videos&lt;/a&gt;, o &lt;a href="http://www.dailymotion.com"&gt;Daily Motion&lt;/a&gt; e até o tal do &lt;a href="http://granguayaco.blogspot.com"&gt;Gran Guayaco&lt;/a&gt; (e isso lá é nome de blog sério, meu deus?). Fecha também os portais que noticiaram toda a palhaçada. Fecha o &lt;a href="http://www.terra.com.br"&gt;Terra&lt;/a&gt;, o &lt;a href="http://www.uol.com.br"&gt;UOL&lt;/a&gt;, o &lt;a href="http://www.ig.com.br"&gt;iG&lt;/a&gt;, todos! Aliás, sugiro que você feche também o site da &lt;a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/bbc/2007/01/09/sites_estrangeiros_ridicularizam_bloqueio_do_youtube_no_brasil_302094.html"&gt;BBC&lt;/a&gt;, que noticiou uma matéria extremamente irônica a seu respeito. É sério! Clique &lt;a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/bbc/2007/01/09/sites_estrangeiros_ridicularizam_bloqueio_do_youtube_no_brasil_302094.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; e leia com seus próprios olhos marejados (opa!)! E não pare agora, está ficando bom! Feche o &lt;a href="http://www.google.com"&gt;Google&lt;/a&gt; também! Assim ninguém mais conseguirá escrever a expressão &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;'video sexo cicarelli'&lt;/span&gt;. Quer saber? Esquece tudo isso. Manda fechar logo a internet inteira! Para que diabos afinal serve essa porcaria? Mete a boca (desculpe!) e acaba logo com essa palhaçada! Culpe o meio! Mate o mensageiro! Como diria &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81tila"&gt;Átila, o Huno&lt;/a&gt;: &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; FONT-STYLE: italic"&gt;Aaaarrrghh!!!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou então:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) Aceitar de uma vez que &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;JÁ ERA&lt;/span&gt;, que agora não tem mais volta, e aprender a fechar as &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;PERNAS &lt;/span&gt;durante seus passeios à praia, além de fechar a &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;BOCARRA &lt;/span&gt;quando compreender que você foi flagrada cometendo uma &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;INDISCRIÇÃO&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt; &lt;/span&gt;em um lugar &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;PÚBLICO&lt;/span&gt;, que toda a espuma que a &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;SENHORA &lt;/span&gt;está fazendo nada mais é que uma tentativa &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;OBSCENA&lt;/span&gt; de chamar a atenção, como no &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;VEXAMINOSO &lt;/span&gt;barraco ocorrido em seu malfadado &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;CASAMENTO&lt;/span&gt;, que uma hora a &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;SENHORA &lt;/span&gt;irá perceber que esta proibição &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;INÓCUA &lt;/span&gt;logo logo será derrubada (aliás, já foi), que o povo brasileiro &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;NÃO É IDIOTA&lt;/span&gt; e que cedo ou tarde a jogará no limbo do &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;ESQUECIMENTO &lt;/span&gt;destinado a pessoas &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;MEDÍOCRES &lt;/span&gt;como você!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(Pausa para retomar o fôlego)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Então, sem mais para acrescentar termino esta missiva com um singelo conselho que acredito será de grande valia para sua permanência neste planeta miserável:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começa a olhar pra trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grande abraço,&lt;br /&gt;Z.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-116837285583615568?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/116837285583615568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=116837285583615568' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/116837285583615568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/116837285583615568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2007/01/folguedos-praianos-e-bloqueios-no-seu.html' title='Folguedos Praianos e Bloqueios no Seu Tubo'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-116774698703908200</id><published>2007-01-02T09:56:00.000-04:00</published><updated>2007-01-02T10:09:47.370-04:00</updated><title type='text'>Desjejum dos perdedores</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;certa vez tive algo que, sob certo ponto de vista menos cínico, poderia muito bem ser considerado um amigo. Ou o mais próximo que se pode chegar de um. Amigo é uma pessoa que pode ficar ao teu lado indefinidamente sem que seja preciso trocar uma palavra. Amigo é aquela pessoa que não incomoda. E o Truta era assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não era apelido, era sobrenome mesmo. Não lembro de seu nome, só lembro que começava com K e era bem incomum. Por isso todo mundo o chamava de Truta. Claro que esse mundo era formado por mim e pelo Zé, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;barman&lt;/span&gt;, mas o Zé nunca foi realmente nosso amigo. Ele só estava lá para nos servir. Aliás, duvido que seu nome fosse realmente Zé, mas o cara era garçom a tanto tempo que já havia perdido todo o culhão necessário para nos contradizer. Era uma máquina de atender pedidos. De vez em quando soltava uns comentários genéricos, um “Pois é...” ou “Sabe como é...”, sem nunca dar uma opinião concreta a respeito de nada. Mas foda-se o Zé. Queria falar do Truta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Truta era um filósofo. Um péssimo filósofo. Nem ao menos um filósofo esforçado ele era. Caso  não saiba, filósofo é um cara que faz um bocado de perguntas óbvias que inexplicavelmente ninguém sabe como responder. Nem eles. E o Truta era assim. Ele escrevia histórias ruins baseadas em suas filosofias deturpadas. Eram tão ruins que nem graça tinham. Eram histórias meio assustadoras, mas não daquelas que te deixam arrepiado. Elas eram tão desconcertantes que você fazia questão de não pensar mais a respeito das questões levantadas sob o risco de enlouquecer completamente. Não contei? Truta era louco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei dele pois a última vez que nos vimos foi num &lt;span style="font-style: italic;"&gt;reveillón&lt;/span&gt;. Não lembro de que ano, mas faz mais de uma década. Ele estava estranhamente sóbrio naquele dia. Os cabelos grisalhos não estavam tão desgrenhados, a barba estava feita. Só uma coisa não tinha mudado: aquelas repugnantes canelas finas cheias de veias varicosas que ele fazia questão de exibir com as calças pula-brejo que sempre usava. Até me desejou feliz ano novo, o que era pra lá de estranho para uma pessoa que contava o tempo através de um calendário próprio, pois ele achava que o Papa Gregório tinha errado feio.  No calendário de Truta os meses tinham todos vinte e oito dias e cada mês tinha um nome impronunciável. Eu adorava perguntar a ele qual era o dia, só para ouvi-lo dizer, sem pestanejar, algo como “Hoje é o décimo terceiro dia de Zimbalatronixtre. O ano é oito mil setecentos e vinte e sete, se contarmos a partir do expurgo”. Mas naquela noite ele cedeu às convenções. Naquele dia ele parecia realmente humano. Ou quase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Eu te concedo um desejo de ano novo – me disse assim, à queima roupa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Qualé, Truta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Qualquer um. O que você quiser. Eu te concedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estava assim tão a fim de embarcar em sua viagem. Lá fora o mundo espoucava em milhões de cores enquanto um bando de imbecis se fantasiava de fantasmas ou mães de santo, se abraçando como se a virada cronológica trouxesse uma solução imediata a todos os problemas individuais e coletivos. Um segundo e pumba!, tudo resolvido, ano novo, vida nova, mundo novo. O balde de água fria só viria no dia primeiro de janeiro, quando todo mundo percebesse, durante a inevitável ressaca, que continuava tudo a mesma merda. Era o desjejum dos perdedores. Resumi isso em meu pedido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Eu só quero mais um chope.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele, claro, não se satisfez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não seja materialista. Não seja modesto. Não seja um idiota. Vamos, quantas vezes alguém te concedeu um desejo, qualquer desejo, seu maior desejo, o desejo de sua vida? Vamos, me surpreenda. Seja ambicioso. Peça o que quiser e eu te dou. Né não, Zé?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Sabe como é...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Truta quase não tinha onde cair vivo. Ele não ganhava xongas por seus textos. Para poder se alimentar e alimentar seu periquito de estimação (que ele mantinha apenas para saber com alguma antecedência quando o ar se tornasse, segundo suas próprias previsões, inevitavelmente irrespirável) ele instalava janelas anti-ruído. E era um péssimo instalador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Tá. Então que tal satisfazer todas as misses do universo? Que tal a Paz Mundial?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– É o que você realmente quer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ainda bem. O mundo seria um lugar terrivelmente chato para se viver se não corrêssemos o risco de morrer violentamente a qualquer momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu disse, um péssimo filósofo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Vamos lá – insistiu ele. – Pense. Você é capaz de fazer isso. É o único ser do universo que tem livre arbítrio. Você é o Adão. Pense, pense e peça. O que quiser eu faço acontecer. Você não tem nenhum desejo imediato?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Porra, Truta, eu tenho um milhão de desejos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Nomeie apenas um. Apenas o maior de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estava fácil manter aquele papo. Eu estava prestes a xingá-lo. Amigo é aquele que você chama de filho da puta e recebe um abraço em retribuição. O Truta era assim. Não o xinguei pois não tava no clima de abraço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Sei lá, Truta. Esquece, cara, não quero nada, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Então você abre mão da oportunidade de ter seu maior desejo realizado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– É isso aí. Não quero nenhum desejo meu realizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– E por que? Pensa direito na resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não tava a fim de pensar. Não enquanto todo mundo comemorava. Odeio quando todo mundo fica feliz. Fiquei quieto e bebi meu chope. Acho que ele entendeu isso como uma meditação e finalmente sentou do meu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Você sempre me surpreende – disse, abrindo um baita sorriso. Dentes feios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Como é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não desejar nada é o uso mais inteligente de um desejo. Deste jeito você assegura a si mesmo o direito de ainda ter algo a desejar. Você manteve o motivo para permanecer vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois disso a conversa fluiu estranha. Truta saiu e foi pra casa. Nunca chegou. Foi atropelado por um motorista bêbado. Em sua defesa o motorista assassino argumentou que o velho maluco havia se atirado de encontro ao carro, mas o seu grau alcoólico era tão grande que foi complicado saber a real. Talvez Truta tivesse perdido o motivo para permanecer vivo, mas isso é algo que apenas ele pensaria. Só os malucos não acreditam no acaso, em coincidências. E o Truta morreu. Seu periquito também morreu, mas não de envenenamento atmosférico. Morreu de inanição. Esqueceram-no quando foram recolher os espólios de Truta. Suas histórias ruins foram recicladas em rolos de papel higiênico áspero. Mas entre suas coisas encontraram um rascunho de um epitáfio. Não havia lápide digna de um epitáfio no cemitério de indigentes em que ele foi enterrado, mas se tivesse ela seria assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;AQUI JAZ ALGUÉM&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;QUE TENTOU&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;QUE OUSOU&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;DESEJAR&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-116774698703908200?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/116774698703908200/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=116774698703908200' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/116774698703908200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/116774698703908200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2007/01/desjejum-dos-perdedores.html' title='Desjejum dos perdedores'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-116694089137728857</id><published>2006-12-24T01:33:00.000-04:00</published><updated>2006-12-24T02:14:51.433-04:00</updated><title type='text'>Antevespertina</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não era para acontecer. Mas fomos forçados onomatopeicamente a nos comunicar. O chique-chieque de seu isqueiro sem gás estava interferindo em minha meditação meditabunda. Alcancei meu isqueiro sobre o balcão e empurrei-o para ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obrigada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De nada. Era pra ficar nisso. Mas não tinha jeito. É o lance dos vasos comunicantes, saca? Eu vazio. Ela até a boca. E transbordou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Odeio o Natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hum. Mais uma. Sou pára-raios de pirado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quem peço desculpas. Não percebi que estava falando. Às vezes acontece. Aconteceu. Aliás, está acontecendo. Garçom? Dá um chope pra ela por minha conta. Ainda bem que não tenho que me preocupar em gastar o décimo terceiro em ceia ou presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Brigada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esquece. Agora por que alguém tão bonita não gosta do natal? Eu tenho todo o direito. Sou feio, amargo e anti-social. Mas se eu fosse uma mulher com este corpão com certeza não estaria sozinho num bar falando comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Antevéspera de Natal é pior que véspera. É uma porcaria de expectativa que te fode.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É só uma data. Podia ser qualquer uma. Convenções, convenções. Quem precisa delas? Qual é o galho? Seja sincera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele tinha que ser casado, porra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Taí. Tava demorando pra abrir o jogo. Coisa mais patética um mulherão desses se perdendo por um babaca casado. Tanto homem por aí. Qualé, bonitona? Tá precisando se valorizar um pouco mais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A esta hora deve estar lá, dormindo abraçado com a vaca. Bobear tá dando uma trepadinha natalina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mulher casada não trepa no natal. Está mais preocupada com a ceia, com os parentes, com os filhos, com o peru errado, essas coisas. Acho que todas as mulheres casadas do mundo menstruam no natal. Relaxa. Aliás, não tem por que você ter ciúmes da oficial. Deixa de ser besta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sei que é bobagem. Mas o que eu posso fazer? Ele... Caralho, nem sei o que ele tem. Olha pra mim: você acha que eu preciso disso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que não. Nem disto nem daquilo. Mas quem sou eu para julgar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde eu estava com a cabeça? Ele me enrolou direitinho. Só abriu o jogo depois que já tinha me ganhado. Justo eu, que achava que nunca ia cair numa dessas! Burra, burra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Garçom! Traz logo mais dois que a conversa vai ser longa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Era perfeito demais pra não dar merda. Bonito demais, rico demais. tinha que ter defeito. Como eu não imaginei que um cara desses não estaria comprometido? É o que dá acreditar em dádiva, em presente dos céus. Presente não vem de graça. Tem que ter um preço. Tem que ceder um naco da tua alma!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma alma que eu destrincharia com prazer. Naco por naco. O primeiro seria a língua. Alma tem língua? Pois se tivesse eu laberia tua alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Depois ele veio com um papinho de aranha. "Tenho que te contar uma coisa...". "O quê?". "Sou casado". "Como é?". "Sou casado.". E o que eu fiz? Dei mais uma. Com gosto. Caralho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, as lágrimas da culpa. Tão azedas. Tão abundantes. Toma um guardanapo. Essas lágrimas podem corroer o tampo do balcão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Brigada. Olha, desculpa, você não tem nada a ver com isso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relaxa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ... mas o lance é que eu tava precisando desabafar com alguém. Garçom, traz mais um chope pra ele. Desta vez eu pago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu aceito. Certas ações clamam compensações. Mas sinto que preciso deixá-la devendo mais um pouco. Para cobrar depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O pior é que a gente se vê todo dia. Ele é cliente da firma, aparece direto. Quando estamos juntos é como se não existisse mais ninguém no mundo. Ah, eu faço qualquer coisa por ele. Qualquer coisa! E ele por que não larga a mulher de uma vez? Por que ele não aceita que é feliz comigo e não com ela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por que você não fala isso pra ele? Já sei, para não ouvir a resposta que sabe que ele vai dar. Que não pode largar a mulher agora, que a situação não é propícia, essas merdas. Aceita, lindona, o cara tá na melhor situação possível. Por que ele vai jogar tudo pro alto por causa de uma coisa que ele já tem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não sei mais o que fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei. Viro o chope com gosto. Puxo a comanda e me levanto. Ela nem nota, perdida nas bolhas de seu copo. Toco seu ombro. Sussurro em seu ouvido. No próximo encontro leva uma faca. Corta o pau dele fora. Faz ele ver. Depois leva ele pro hospital e pede para fazerem um reimplante. E some da vida dele. Some da tua vida. Se mata, se tiver coragem. Este é meu presente de natal pra você. Um inspiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tchau, moço. E obrigada por tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De nada, lindona. De nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este natal promete, doutor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-116694089137728857?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/116694089137728857/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=116694089137728857' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/116694089137728857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/116694089137728857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2006/12/antevespertina.html' title='Antevespertina'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-116595308557904326</id><published>2006-12-12T15:38:00.000-04:00</published><updated>2006-12-12T15:51:25.603-04:00</updated><title type='text'>A Vida Fora de Mim</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;foi uma daquelas coisas que batem sem aviso, saca? Sem motivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cenário era comum: viaduto Santa Ifigênia. Eu desviava de transeuntes e camelôs, quando de repente uma clareira se abriu. Como uma nesga de sol num dia frio. Eu eu estava lá, no meio daquele vácuo metropolitano. Larguei minhas coisas e dei um giro. Depois outro. A dobradiça da nuca se estendeu ao máximo e tudo que entrou pela janela de minha íris foram as nuvens e o topo dos prédios orbitando minha visão periférica. Abri os braços e saí de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ei! Quase me acertou! Cada maluco que a gente encontra! Que é que dá numa pessoa para ficar girando no meio do caminho? Qual era o número do trabalho dele mesmo? Merda, sem sinal! Vou comprar qualquer coisa pra mãe dele. Vaca, nunca me olhou na cara e ainda tenho que comprar presente bom? Vou comprar qualquer merda num camelô e colocar numa embalagem fuleira mesmo. Ela vai reclamar de qualquer jeito, então pra que me preocupar? Cuidado aí, apressadinho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sai da frente! Droga, droga droga! Um probleminha de nada! Precisava me chamar? Mas de hoje não passa. Vou lançar uma dúzia de currículos. Não estudei seis anos para receber esse tipo de tratamento. Trabalho sábado, domingo e feriado e ganho o quê? Nem um tapinha nas costas! Promoção, então, só se eu matar meu superior. E pior que aposto que nem assim eles me promoveriam. Cambada de incompetentes! Cuidado com o maluco girando! Olha, esse jogo eu não tenho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só mais dez e eu fecho a barraca. Tá foda. Pára de fuçar e compra logo, moleque! Se pedir eu dou desconto, não fica cheio de dedo. Mão de vaca do caralho. Caramba, com mais dez eu faço milão e já garanto pelo menos a ceia. Isso se a bruaca não gastar tudo com bobagem. Ô mulher mais gastadeira! É só eu trazer cem que ela já gastou duzentos! Deve ser por isso que o doidão tá girando aí... Que? O Rapa? Ah, não, agora não. Sai, moleque! Merda, caiu um monte! Merda, merda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece um bando de barata fugindo da luz. Corre pobraiada! Olha lá, eles correm, os pobres pegam o que cai no chão, e em segundos o viaduto está limpimnho. Trabalho bom esse. Nem precisa sacar o berro. É só ligar a sirene uma vez e parece formigueiro em véspera de chuva. Coisa linda de se ver. Adoro ser autoridade. Quem? Aquele louco? Ih, mano, deixa ele girar a vontade. Dá a maior dor de cabeça preencher formulário de pirado. Prefiro prender aquela bundinha ali...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que ele merece? Ah, e daí? Não é gasto, é investimento! Chega de roupa apertada e viver de aparência. Ele já me deu umas olhadas no escritório, deve estar a fim. Mas eu tenho que valorizar o passe. Senão ele vai, come, joga fora e eu continuo na mesma. Preciso mostrar pra ele que eu mereço mais do que isso. Tenho que dar um presente bom. Coisa fina. Ai, meu São Crediário, me proteja! Ih, olha o piradão girando ali! Haha, que engraçado! Vou tirar uma foto com o celular! O pessoal do escritório não vai acreditar... Ei! Pega!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vacilona. Babau. Corre! Ih, os home! Cai pra esquerda, cai pra esquerda! Olha a frente! Ó o cara, meu, girando que nem pião! Cada uma... Desce a escada, vai. Olha a tia! Droga!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, Jesus! O que é isso? Desgramado, pelo menos me ajuda a levantar! Odeio trombadinha! Obrigado, moço. É, a sacola é minha, sim. Muito obrigado, viu? Será que quebrou alguma coisa? Ah, depois eu vejo. Agora estou atrasada. Não, moço, eu tô bem, não se preocupa não. Obrigado mesmo. Quem? Ah, é só alguém feliz. Deve ser, pra ficar girando daquele jeito. Ou é maluco. Não, tá tudo bem mesmo. Brigadão. Tchau. Ufa, foi só um susto. Agora é só pegar o metrô que eu chego em casa e tomo um banhão... Ei, cadê minha carteira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Putz, só tem bilhete único na carteira da velha! Nem um trocadinho! Cartão só de débito. Carteirinha do INSS. Foto da família. Tanto trabalho pra nada! E se eu pegasse as coisas do pião lá do viaduto? Nem, pela cara o babaca não deve ter nem onde cair vivo. Pô, a velha podia ter uns trocadinhos, né não? Bom, fazer o que? Joga essa merda fora e bola pra frente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma carteira! Não, eu não vou abrir, não. Sei lá, acho invasão de privacidade. Não, nem vou gritar "Quem perdeu uma carteira?" que vai aparecer um monte de espertinho. Não sou tão bobo. Não, não vou ver se tem grana! Não acredito que você pensou nisso! Sou honesto! Trouxa não! Olha o respeito! Baixa a bola você! Não grita! Ai, que vexame! Tá bom, tá bom, desculpa... Olha, eu tô me desculpando! Dane-se essa porcaria de carteira! Quê? Não, não vai girar com o cara não! Eu vou embora, Flô! Juro que nunca mais você vê minha cara! E você, tá olhando o que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barraqueiro. Também, com um puta mulherão desses, qualquer um perde as estribeiras. Comigo ela ia ficar pianinho. Nada, não, seu moço! Fica na tua ou te faço amanhecer com a boca cheia de formiga. Cada uma que me aparece! Vou é logo pra casa que a patroa tá esperando. Um dia mato a vaca. Não pára de engravidar! Cacete, é tão difícil se controlar? Não tem mais de onde tirar dinheiro pra sustentar tanto filho! Devia socar aquela barriga toda vez que embuchasse. Porra, ela acha o que, que dinheiro dá em árvore? Daqui a pouco não tem mais semáforo que chegue pra tanta criança. Bom, melhor isso que ficar tantã e sair girando num viaduto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto a mim, junto com uma ânsia terrível. Cambaleio até a beirada do viaduto e quase vomito no Anhangabaú. Alguém tenta me ajudar, mas espanto com um safanão. Tira os olhos de minha carteira, seu puto! Corto sua mão e enfio no seu cu! O estômago remexe, regurgita e reclama coisas ininteligíveis. Arroto. Alguém me chama de porco. Recebe um dedo médio como resposta pouco convicta. Me debruço no parapeito e observo a multidão no Anhangabaú. Bem no meio da praça, numa clareira entre transeuntes e camelôs uma garota rodopia alegremente no mesmo lugar, a cabeça jogada para trás. Observo-a pelo tempo que leva para ela parar de girar e olhar para mim. Me manda um beijo. Disfarço, recolho minhas coisas e vou embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como esta será provavelmente a última vez que nos falamos este ano, deixo para o Doutor uma mensagem de Paz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que em 2007 o senhor descanse em paz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-116595308557904326?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/116595308557904326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=116595308557904326' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/116595308557904326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/116595308557904326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2006/12/vida-fora-de-mim.html' title='A Vida Fora de Mim'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-116437629127394287</id><published>2006-11-24T09:50:00.000-04:00</published><updated>2007-02-23T16:06:13.792-04:00</updated><title type='text'>A minha Morte</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nós sabíamos que um dia chegaria a este ponto, não sabíamos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava lá, mirando os vidros de remédio vazios em cima da mesa, o copo com uísque barato derretendo gelo, a garrafa com apenas um fundo de bebida. Já sentia a ponta dos dedos dormentes. Uma sensação boa. Uma sensação libertadora. Não havia arrependimento, não havia tristeza. O silêncio arpejava em meu corpo suas escalas mudas, e eu começava a fazer parte daquela sinfonia. Dissolvia-me no éter, sublimava na irrealidade. Acho que sorria. Daí ela entrou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha certeza que tinha trancado a porta, mas vendo-a puxando uma cadeira e sentando no outro extremo da mesa já não tinha mais tanta certeza. Não tinha ouvido a porta abrir. Ela jogou os cabelos negros e alisados para trás dos ombros, deixando apenas a franja indolente invadir seu rosto. Olhos grandes e maquiados, rosto oval e boca carnuda. Belos peitos de silicone, cinturinha lipoesculturada, bunda arredondada no tapa, coxas fortes. Adivinha quem acordou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem é você? - perguntei, segurando a baba que escorria da boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Querida, eu nem sei mais quem eu sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sou a sua Morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não consegui conter uma risada fungada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que foi? - perguntou ela, franzindo as sobrancelhas neuroticamente pinçadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dá pra ser mais clichê? Eu, no final, delirium tremens, antropomorfizo a Morte como a Juliana Paes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É quem eu sou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, você é a Morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sou, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas você disse...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu disse que sou a SUA Morte. Não sou A Morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Putz, nem a oficial eu atraio. O que é você, uma estagiária?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela me olhou e sorriu. Minha calça estava ficando apertada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que você quer? - perguntei, tentando alcançar o copo. Mas meu braço não me obedeceu. O copo dançou quando encostei os dedos inertes nele, mas não saiu da mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nada. Eu só cheguei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Brega, brega. Gostosa, mas brega. E clichê – tombei o corpo e tentei focalizar o cérebro o suficiente para levar o copo até a boca. Consegui, mas me babei todo. - Aliás, eu já li esse livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E não gostei do final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É por isso que estou assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você pergunta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sou gostosa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Querida, só não empacotei até agora porque você acionou canais sangüíneos que já deveriam ter sido esquecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você quer dizer, seu pau?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não faz isso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A Morte não se desculpa com ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sou A Mor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá, tá, saquei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consegui beber mais um gole. Ela se levantou e deu a volta na mesa. Pegou a garrafa e encheu meu copo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, acho que sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É só isso? Você não vai falar nada? Não vai me passar um sermão? Um video com minha vida medíocre? Uma lição de esperança? Um passaporte para o Vale dos Suicidas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E cadê a porra do túnel?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você quer um túnel?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Eu queria ver seus peitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela baixou o decote. Meus olhos quase saltaram das órbitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso te fez feliz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Querida, se eu fosse imaginar a minha Morte, seria exatamente assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não subiu o decote. Encostou aquele bundão na mesa e ficou me olhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você vai me levar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para onde você quer ir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E o que você veio fazer aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para um suicida, você faz muitas perguntas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E isso não é o que é um suicida? Um cara cheio de perguntas sem resposta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. É um cara que achou uma única resposta para todas as perguntas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Preciso dar uma mijada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer ajuda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não faz isso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consegui cambalear até o banheiro e fazer um lançamento oblíquo de urina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Posso perguntar por que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se minha própria Morte não sabe, quem sou eu para saber?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei lá. Achei que tinha algum motivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Às vezes a ausência de motivos é motivo o suficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei ao meu lugar. Ela continuava lá, sentada na mesa com os peitos pra fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cobre essas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não gosta mais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, cala essa boca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Óbvio que ela obedeceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O lance é que eu te chamei, mas não quero mais. Você é uma Morte gostosa e eu não quero isso. Não mereço uma Morte gostosa. Você deveria vir aqui feia, acabada, entrevada e cheia de verrugas. Vazando pus pela boceta. Aí eu te abraçaria. Desse jeito não dá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E o que você vai fazer então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saquei o revólver e dei dois tiros naqueles peitos. Ela levou os golpes e caiu da mesa. Cambaleou um pouco e me olhou. Sangue encharcava sua camisa e escorria por seu queixo. Tinha medo nos olhos. Engatilhei o revólver como fazem no cinema. Ela sorriu quando viu o cano apontado para sua cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você sabe que isso não vai adiantar nada. Eu volto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu espero que sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Blam! Espalhei seus miolos no assoalho. Caí sentado do lado do corpo. A minha Morte estrebuchava. Eu tinha matado a minha Morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O som dos tiros alertou os vizinhos. Miraculosamente uma ambulância chegou a tempo de me fazer uma lavagem estomacal. Seis horas numa enfermaria e aqui estou de volta, tendo como únicas testemunhas os três buracos de bala, dois na parede, um no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho uma nova receita para o senhor, Doutor. Mais uma mancha na prancha Rorschach de meu cérebro. Mais uma tarja preta em meu prontuário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um atestado da sua incompetência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-116437629127394287?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/116437629127394287/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=116437629127394287' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/116437629127394287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/116437629127394287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2006/11/minha-morte.html' title='A minha Morte'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-116282848186020135</id><published>2006-11-06T11:49:00.000-04:00</published><updated>2006-11-06T15:17:22.310-04:00</updated><title type='text'>Pau de Fogo</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;comprei uma arma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sei porque. Simplesmente comprei. Descobri que iria conseguir fechar as contas do mês com alguma folga, e como isso não acontecia há algum tempo decidi gastar este resto de grana em algo que me satisfizesse de alguma maneira. Eu estava caminhando pela rua quando fui abordado. Psiu, quer comprar um revólver? Como é? Chega aí. Olha. Três oito, número de série raspado. Você tá querendo me empurrar uma gelada? Como vou saber que você não matou alguém com essa arma? Meu, pelo preço que estou fazendo não dou direito a perguntas e nem garanto respostas. Gostei da argumentação e fechei o negócio. Cheguei em casa com um trezoitão em um bolso da jaqueta e uma caixa de munição de brinde na outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, eu não sei realmente o que me levou a comprar aquela arma. Do jeito que foi pareceu que ela me foi vendida pelo demônio em pessoa. O doutor bem sabe que eu não acredito nessa coisas, mas que pareceu coisa de intervenção demoníaca, isso pareceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A princípio eu não tirei a arma do bolso. Deixei-a lá, pesando minha jaqueta. Tirei a caixa de balas e coloquei sobre a mesa. Abri, e vi a pequena plantação de cabeças de chumbo enfileiradas. Tirei uma cápsula e olhei bem. Me deu vontade de abrir, de dissecar aquela pequena maravilha da tecnologia. Uma coisa tão simples, tão básica, mas tão bonita, tão letal. Reprimi o impulso, pois não sabia como fazer e podia dar alguma merda. Melhor não arriscar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai tinha um revólver. Era pequeno, prateado e quase nunca saía do estojo. Calibre .22. Arma de moça. Deixava-a ao alcance, na gaveta do criado mudo do seu lado da cama. Mantinha a munição escondida em local desconhecido, se é que havia alguma. Tinha muita criança em casa. Um dia entrei no quarto dele com meu primo e fomos vê-la. Claro que ele nos flagrou na hora. Mas não brigou com a gente, não. Fez muito pior. Sentou do nosso lado e pediu para segurar a pistola. Pegou-a com certa reverência, com a ponta dos dedos. Mostrou com este gesto que respeitava a arma, mesmo sendo adulto, e que deveríamos fazer o mesmo. Ficamos quietos vendo-o verificar se estava descarregada. Daí ele girou o tambor e fechou-o com um estalo metálico que retiniu em nossas almas. Então deu-a para mim. Pega, disse, não tem problema. Peguei igual a ele, com a ponta dos dedos. Agora mira na cabeça do teu primo. Ambos arregalamos os olhos. Vai, não tem perigo. Quero te mostrar uma coisa. Obedeci, mas tremendo. Meu primo quase se borrou todo quando o cano gelado encostou em sua testa. Abre os olhos, Rique. Se este for o seu último momento de vida, encare-o de olhos abertos. Uma lágrima escorreu pela face de meu primo. Várias pela minha. Queria implorar para que ele parasse com aquilo. Tinha perdido a graça, mesmo sabendo que a arma estava descarregada. Daí ele falou, com uma voz calma. Sabe que é pior levar um tiro de .22 do que de qualquer outra arma? Principalmente na cabeça. O cartucho tem pouca pólvora, e a bala não tem muita força. Num tiro assim, à queima-roupa, a bala só tem força para passar pelo osso do crânio uma única vez. Ela vara a testa e fica quicando dentro da tua cabeça, dissolvendo seu cérebro, tuas lembranças aos poucos. Não é o impacto da bala que te derruba, mas tuas pernas dobram quando a parte do teu cérebro que coordena as funções motoras vira geléia. É uma morte limpa, quase sem sujeira. É uma morte profissional. Não respondemos. Ele pegou de novo a arma de minha mão e nos enxotou do quarto. Nem preciso dizer que nunca mais brincamos com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora eu estava lá, com um revólver no bolso. Não era para uma morte limpa. Um tiro à queima-roupa na testa transformaria a parede atrás do alvo em uma pintura abstrata de sangue, ossos e miolos. Coisa feia. Uma morte amadora, barulhenta e asquerosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui até o armário da cozinha e guardei a caixa de balas ironicamente perto do lugar onde guardo meus doces. Daí peguei na gaveta um saco plástico com fecho de vedação para &lt;span style="font-style: italic;"&gt;freezer &lt;/span&gt;e rapidamente coloquei o revólver dentro. Fechei o saco ainda tremendo. Peguei então um rolo de fita adesiva e fui até o banheiro. Abri a tampa do reservatório de água da descarga e colei o saco na parede interna. Precisei dar duas descargas para conseguir, e ficou bem ruim. Mas fechei a tampa e tentei esquecer da arma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu até consegui. Mas não consegui evitar de sonhar com um cérebro sendo triturado por uma bala ricocheteante. Lembra de... Quando... Daquela vez que... E uma a uma as memórias desapareciam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só uma lembrança ficou quando finalmente acordei: que ainda tinha uma conta pra pagar e que eu não tinha mais um puto para isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca senti tanta vontade de dar um tiro na minha testa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-116282848186020135?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/116282848186020135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=116282848186020135' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/116282848186020135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/116282848186020135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2006/11/pau-de-fogo.html' title='Pau de Fogo'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-116102548426062558</id><published>2006-10-16T15:03:00.000-04:00</published><updated>2006-10-16T15:04:44.276-04:00</updated><title type='text'>Aparecido</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele não se controla.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://gardenalcomfantauva.blogspot.com"&gt;http://gardenalcomfantauva.blogspot.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu  não me responsabilizo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-116102548426062558?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/116102548426062558/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=116102548426062558' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/116102548426062558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/116102548426062558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2006/10/aparecido.html' title='Aparecido'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-115991660297337667</id><published>2006-10-03T18:58:00.000-04:00</published><updated>2006-10-03T19:17:28.773-04:00</updated><title type='text'>Curta</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu tinha acabado de sentar na poltrona do cinema. Tentava me ajeitar quando ela sentou do meu lado. Sorriu. Sorrimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer pipoca?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Shiu, vão começar os trailers!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gostou do filme?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Achei uma merda. Excremento puro. Baita enrolação! Deu vontade de estrangular o diretor com as tripas do roteirista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum, eu até gostei...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não pode estar falando sério! Esse lixo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Qual é o teu nome?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Zebedeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela se chamava Lia. Assim, só três letras. Não precisava mais do que isso para defini-la. As redundâncias de seu caráter eram irrelevantes. Sem idiossincrasias desnecessárias. Sabia o que queria e não gostava de perder tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem que tentamos chegar até meu apartamento, mas acabamos trepando na escada mesmo, graças ao elevador quebrado. Ela não conseguiu agüentar. Nem deu tempo de tirar toda a roupa. Foi uma rapidinha bem meia-boca. Mas ela gozou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi! Eu ia te...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos encher a cara?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Preciso ficar bêbada. Vamos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem bem tínhamos chegado e já foram quatro tequilas pra conta. Duas para cada um. Ela se soltou. Me puxou e me deu um beijo alcoolizado. Pra variar, fiquei de pau duro. Ela riu. Brincou com uma menina na mesa do lado, usando meu estado como de objeto de inveja. E riu quando ruborizei. Pediu mais uma tequila. Implorei para acompanhá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quarto girava em sentido oposto ao dela. Estava difícil ficar de pé. Sentei na borda da cama. Ela veio dançando e sentou no meu colo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe de uma coisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei nada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe. Sabe que eu te amo, não sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pior que sabia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porra, fecha essa porta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ué, qual o problema?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Coisa mais broxante ver mulher cagando!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ué, pra enfiar a cara na minha buceta você não reclama...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Caralho, que nojo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bêbada de novo. Foi sozinha. Não estava mais com saco para aquilo. Tinha que trabalhar no dia seguinte. Amparei-a antes que caísse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não me ama!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não fala merda. Vem, vou te dar um banho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não! Não quero! Vou embora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus joelhos miravam o teto, minha cara enfiada na junção de suas coxas. Que cheiro bom, que delícia! Molhadinha. Minha língua percorria cada canto. Me perdi naquele fosso de carne quente e úmida, aberto, escancarado para mim. Tanto que não percebi que ela chorava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não apareceu o dia inteiro. Nem de noite. Não dormi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A porta estava aberta quando cheguei. Vi seus tornozelos esticados balançando como os de um judas ao vento no meio da sala, a cabeça tombada sobre um dos ombros, a corda no pescoço sustentando o corpo inteiro no ar. Estava cinza e fria. Olhos esbugalhados, língua azul. Mas continuava linda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em cima da mesa um bilhete: "Sua culpa".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui embora. Deixei a porta aberta para que os vizinhos encontrassem seu corpo. Mas levei o bilhete comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando cheguei em casa preguei o bilhete na geladeira. Reli (Re-Lia?) umas duzentas vezes e então corri para o banheiro e vomitei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De porta aberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cara, que semana!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-115991660297337667?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/115991660297337667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=115991660297337667' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/115991660297337667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/115991660297337667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2006/10/curta.html' title='Curta'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-115915598578875399</id><published>2006-09-24T23:22:00.000-04:00</published><updated>2006-09-24T23:46:26.196-04:00</updated><title type='text'>Nada</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dormi a tarde toda. Perdi Faustão. Acordei, comi, caguei, e estou há duas horas procurando o que fazer. Decidi discorrer sobre o nada. Nada, nada. Que nada!? (Leia como quiser).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou fumando demais. Mesmo. Estou sentindo que tem mais catarro que brônquios em meus pulmões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí na sexta. Não rolou nada. Nada, nada e pagode, que é a epítome do nada metido à arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, o que é arte? Arte para mim é poeta de Orkut, que eu não leio e não me incomoda.  Arte é o enaltecimento do umbigo, esse apêndice envergonhado que prova que, certa vez, não comíamos pela boca. Que temos uma genitora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mãe é mãe, paca é paca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poesia é tudo plágio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque sentimento humano é cliché. É coisa requentada, mole de microondas. E eu quero lá saber se você sofre? Foda-se você e seu sofrimento! Tá sofrendo toma um porre. Se mata numa banheira cheia de merda. Olha pra mim, caralho, que eu tô falando com você! Não gostou cospe na minha cara que te beijo a boca! Beijo melado, viscoso, horripilante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei nada. Porra nenhuma. Caralho, o que eu estou fazendo aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltemos ao nada. Ao pó existencialista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha cabeça fervilha, mas não sai nada. Sou um vácuo barrigudo sentado na frente de um teclado escrevendo asneiras. E você, babaca desocupado, está lendo. Pois espera que de repente eu saia com uma frase de mestre, um pensamento esparso-metafísco-enaltecedor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veio ao lugar errado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui não tem nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não posso parar. Não posso. Consigo, mas não posso. Comigo, mas não quero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querer é foder?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pago pra ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horrível, horrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acostume-se com este bipolar aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que não sabe quando é positivo ou negativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só vomita elétrons.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(No final, somos todos elétrons! Garçom, mais uma dose que meu spin tá parando!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que todo cara metido a escritor acha que verbalizar o que vem na cabeça é arte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vende à granel?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então me vê vinte, que a noite vai ser longa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso aqui não é arte. Não é narrado por jacaré, não é poesia de punheteiro. Não vai sair na capa do caderno de cultura de jornal nenhum. É só um espasmo sociopata. Foda-se. Ninguém deveria ler isso. VOCÊ não deveria estar lendo isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então chega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou sair e me matar por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente se vê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu te vejo pela janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperando você tirar a roupa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só um mamilo pra salvar essa noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só um.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-115915598578875399?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/115915598578875399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=115915598578875399' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/115915598578875399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/115915598578875399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2006/09/nada.html' title='Nada'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-115755486789681119</id><published>2006-09-06T10:53:00.000-04:00</published><updated>2006-09-06T11:01:07.960-04:00</updated><title type='text'>Ex gato lógico</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu estava caindo pelas tabelas de sono. Noites mal dormidas sem razão aparente, ou cheias de razão na mente, mas desordenadas o suficiente para a insônia se deleitar. E eu fritar nos lençóis. Foda. Cama fria, noite gelada, pés úmidos, saco embutido. Nada, nada. Eu, acordado. Quando consegui fechar os olhos o despertador me avisou que já era tarde. Acorda, cretino, que o trabalho te espera. Tomar no cu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dureza tomar banho no frio. E é na hora de acordar o sono vem. Nem o choque da água pelando me despertou. Quase dormi no chuveiro, de pé e com o sabonete pendendo nos dedos frouxos. Meu pau se escondeu na mata pentelhal. Se falasse com certeza diria que hoje não sairia dali. Nem a pau. Pica esperta. Expulsei-a de seu abrigo e sacudi-a até a ereção. Depois deixei ela quieta, dura e pulsante, à espera de uma punheta. Se eu também tinha acordado sem objetivo, não estava mais sozinho. Analise isso, se puder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trânsito moroso. Vim por instinto. Cheguei até minha mesa e liguei o computador. Tentei ordenar as idéias até o dia anterior. Confirmei que não tinha nada pra fazer. Nunca tinha. Mas já previ o desastre. A mente desocupada é o jardim de Morfeu. O Diabo já determinou usucapião, mas o homem-da-areia vive declarando terra improdutiva e invade. Briga chata. Fiquem os dois, de braço dados que nem dois caubóis viados. Mas não me encham o saco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Navego pelas páginas habituais, até não ter mais nada de novo para ler. Invento algum interesse, abro várias outras páginas. E vejo as letras embaralharem e fenecerem no limbo do meu sistema límbico. Não me venha com parassimpatias. Preciso dormir, não trocadilhar. Trocadilho é o humor mais rasteiro e egoísta que existe. Só ri quem conta. É o Chevette '76 do humor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do almoço piorou. Arroz, tutu, calabresa, ovo e bisteca. Só faltou a caipirinha. Meu estômago resmungou a sesta. Meu cérebro fechou para balanço temporário. Decidi que não era hora para desmaiar no teclado então fui ao banheiro. Me tranquei numa cabine, calei a Deca Boca-de-Caçapa e fiquei uns 5 minutos tentando achar uma posição minimamente confortável em meio aos sons viscerais e gravitacionais de meus vizinhos. Escatologia é uma aula de física. A molecada aprenderia muito mais se os exercícios usassem a defecação como exemplo prático. Merda por merda... Uma sinfonia de onomatopéias. Orquestra Cacofônica do Estado de Piriri, a única que não tem Maestro, tem &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Maelstrom &lt;/span&gt;(procura no Google). Tchibuns e plopes dos toroços, chis de xixis, traques variados de cus idem, desde os assovios apertados até os beligerantes ra-ta-tás, blams e plects de portas e tampas, e o complexa digestão esgotal das privadas após apertar o botão de descarga. Uma canção de ninar de merda, um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;lullabie &lt;/span&gt;fecal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dormi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei meia hora depois, com as costas doendo e as pernas formigando. Fingi uma descarga, limpei minhas mãos limpas e saí mancando até minha mesa. A cara inchada e os cabelos desgrenhados. Alguém fez um comentário sem graça. Rosnei uma resposta que não saberia dar. Sentei na minha mesa e percebi que a meia hora de desaparecimento não fez a menor diferença. Ninguém notou minha ausência. Nada mudou. Apenas um lapso temporal, uma volta de 180º sem mudança de sentido ou de destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidi escrever para você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Triste isso, não?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-115755486789681119?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/115755486789681119/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=115755486789681119' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/115755486789681119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/115755486789681119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2006/09/ex-gato-lgico.html' title='Ex gato lógico'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-115606001488940167</id><published>2006-08-20T03:36:00.000-04:00</published><updated>2006-08-20T03:46:54.906-04:00</updated><title type='text'>Arcanos Arcaicos</title><content type='html'>Ela fechou os olhos e virou a face transtornada. As mãos seguravam a mesa como se todo seu corpo dependesse daquele apoio para não desabar no chão. Uma lágrima mergulhou na face suada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha para mim - eu disse, inicialmente com calma. - Olha, porra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela obedeceu. Ao menos em parte. Não olhou para meu rosto, mas para a faca em minha mão. Tramontina. Boa para destrinchar carne.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por favor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu já te disse. Cinqüenta por cento de chance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fala!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;você sabe que eu sou um cético amargo por definição. Não engulo nenhum tipo de bobagem metafísica que vez ou outra tentam empurrar por minha garganta. Regurgito cinismo junto com bílis e miojo meio digerido. Prefiro morrer na ignorância a inventar algum tipo de solução mística profilática. Não quero ser enganado. Não gosto de ser manipulado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então por que eu entrei lá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A placa gritava em minha retina: "Tarô através da vidência". Pleonasmo, já que a primeira depende da última para funcionar. De outro modo seria apenas... acaso. E místicos adoram o mantra de que nada acontece por acaso. Mas divago. O lance é que eu entrei. Uma casa simples. Pobre sem ser miserável. Decoração que faria um camelô se envergonhar. Muito tule roxo. Incenso. Estatuetas de gesso de diferentes divindades, de diferentes religiões. Símbolos zen budistas misturados a outros de Feng Shui. Um ideograma sânscrito do Om balançava como um penduricalho em um daqueles irritantes sinetes de vento. E ela, que merece um parágrafo curto, mas só dela:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabelos negros encaracolados escorrendo pelas costas, empapados de creme para pentear. Um lenço puído cobria o frizz no topo. Olhos cansados e muito maquiados. Unhas vermelhas compridas. Lábio leporino. Roupa pseudo-gótica de brechó. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me ofereceu uma cadeira. Eu aceitei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E aí, o que vai ser? - perguntou ela, enquanto acendia um cigarro sem pedir permissão. De algum modo conseguiu embaralhar as cartas amarrotadas, mesmo com aquelas unhas nojentas atrapalhando. Eu previa uma artrite em suas falanges, e não era vidente. Ela era. Não respondi à sua pergunta. - Olha - continuou - Eu preciso ter alguma informação. Amor, trabalho... O que vai ser?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidi testar sua competência. Baixei os olhos, numa fingida submissão. Nunca quis tanto em minha vida conseguir forçar o choro. Não precisei. Ela engoliu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está tudo bem. Você pode confiar em mim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vaca, vaca, pensei. Como confiar em uma piranha vidente com aquelas unhas? Ela ia ter que se esforçar mais do que aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha - disse ela, num tom quase maternal. Quase. - Eu sei que pode parecer duro, sem solução, mas eu posso te ajudar. Mas preciso que você me dê uma força, senão não tem jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E por que não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque videntes não deviam fazer perguntas. São pagos para prover respostas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela finalmente entendeu. Com certeza eu não era o primeiro chato cético que ela precisou lidar. Abriu um sorriso desafiador e colocou o baralho à minha frente na mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Corta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obedeci. Ela pegou de volta as cartas e as espalhou num padrão bizarro na mesa. A Roda da Fortuna. O Louco. O Diabo. O Sol. O Julgamento. E, é claro, a Morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha só! - disse ela, fingindo surpresa. - Apenas arcanos maiores!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abri um sorriso. Ela começou sua leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O Diabo é seu passado. São as correntes que o oprimem, a sua prisão. A Roda da Fortuna é o seu presente. É onde você está agora, num momento de transição. Em seguida virá o Julgamento. Seu futuro dependerá da decisão que você tomar agora. Vai ser a inconstância do Louco? Ou a estabilidade do Sol?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei para as cartas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E a Morte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Simboliza a transição. Não é uma carta ruim como parece. Pelo contrário, significa que há uma solução para sua aflição, e que ela depende de você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mirei as cartas espalhadas na mesa sem falar nada. Ela aguardou pacientemente. Acendeu outro cigarro na bituca do primeiro. Prevejo um efizema pulmonar. Estou ficando bom nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não respondeu nada - eu disse, finalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não perguntou nada - retrucou ela, petulante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estendi a mão e peguei a carta do Louco. Carta feia, desenho tosco. Não gostei do que vi. Mas também não gosto de me olhar no espelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esta é sua decisão? - perguntou ela, interrompendo minha análise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É - respondi. - Acho que este sou eu - peguei a carta da Morte. - E esta é sua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela riu, desapontada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A consulta acabou. Por favor, retire-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saquei então a faca que estava no bolso de minha jaqueta. Finquei a ponta da lâmina bem no meio da carta do Louco, pregando ambos no tampo da mesa. Pelo salto que ela deu, parecia que tinha acertado seu coração. Aposto que ela não tinha previsto aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não preciso fazer nenhuma pergunta, mas você é obrigada a me dar uma resposta. E a resposta que eu quero é simples. Um mero sim ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu, eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim ou não. Cinqüenta por cento de chance. Se for a resposta certa, você vive. A errada, vou cortar seu estômago. E eu vou te ver sangrar aos poucos até... - peguei a carta na mesa - a Morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela fechou os olhos e virou a face transtornada. As mãos seguravam a mesa como se todo seu corpo dependesse daquele apoio para não desabar no chão. Uma lágrima mergulhou na face suada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha para mim - eu disse, inicialmente com calma. - Olha, porra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela obedeceu. Ao menos em parte. Não olhou para meu rosto, mas para a faca em minha mão. Tramontina. Boa para destrinchar carne.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por favor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu já te disse. Cinqüenta por cento de chance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fala!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela pensou por um instante. Fungou e engoliu catarro. A maquiagem escorria. Olhou para mim, me odiando. Gostei daquele olhar. Coragem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relaxei os ombros. Dei a volta na mesa e me abaixei ao seu lado. A faca pendia indolente em minha mão. Se quisesse, seria fácil me desarmar, mas ela não arriscou. Previu algo? Sentiu algo? Como ter certeza? Ah, a dúvida. Ah, a loteria da vida! Ela não era imune à isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meus parabéns - eu disse, apertando levemente seu ombro. - Era o que eu queria ouvir. Mas vou levar isso comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mostrei a carta da Morte. A carta que eu disse ser dela. Torço para que entenda a metáfora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantei-me, paguei a sessão e saí do "consultório". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual era a pergunta, doutor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem certeza que quer saber?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-115606001488940167?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/115606001488940167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=115606001488940167' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/115606001488940167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/115606001488940167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2006/08/arcanos-arcaicos.html' title='Arcanos Arcaicos'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-115434360231371437</id><published>2006-07-31T06:55:00.000-04:00</published><updated>2006-07-31T07:00:02.323-04:00</updated><title type='text'>Você tem fome de que?</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os grilos tritrilam, o que é estranho, pois estou no escritório. Devem ser ecos do ranger de meus neurônios semi-atrofiados tentando se comunicar, apesar da comparação ser exagerada. Nada disso, aliás, vem ao caso, são apenas delírios de uma cabeça insone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. Minto. Estou com sono, é isso. Só que não quero dormir. Quero aproveitar esse torpor para criar algo que preste. Mentira. Desculpe, imaginei que neste ponto de nosso relacionamento eu já conseguisse ser sincero com mais freqüência, mas sou um mentiroso patológico e incurável. O senhor me conhece, então não vou dourar a pílula. Aliás, chega de pílulas. Chega de remédios e de concatenar idéias desconexas. É o sono. São as pílulas. Sou eu. Ponto. Próxima linha. Travessão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que desapareci. Não, não vou explicar. Porque não quero, porra! Porque quero que se foda todo e qualquer tipo de explicação. Cansei de me explicar. Cansei de procurar sentido em qualquer porra que me aparece na frente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe quando você senta num bar e descobre que tem alguém olhando para você? Sabe aquele exato momento em que sua cabeça se enche de possibilidades, de alternativas, de dúvidas por vezes irrespondíveis, a não ser que você tome alguma atitude que desencadeie a avalanche iminente? Pois então. Minha reação a isso é a simples estagnação. Não se mexe que a coisa não desaba na tua cabeça. Chafurdo na lama de minha insegurança, aderno em minha autocomiseração. E perco a foda. Morro de fome ao invés de soterrado. Pensar demais atrapalha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje quero mais é ficar à deriva. Deixar que as correntes me carreguem ao invés de me prenderem. Poético, não? Pois é, saiu sem pensar. Estou numa fase metafórica. Não ligue para isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que eu tenho problemas! Claro que eles vão bater na minha porta como uma horda de Testemunhas de Jeová numa manhã de domingo. Mas e daí? Quando chegarem me encontrarão de pau duro. Receberão uma reação espontânea ao invés de uma cara de tacho. E esta reação pode variar de um beijo a uma carnificina. Viva a Loteria. Blim-blom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A geladeira está quase vazia. Tem um pote de margarina sintetizando penicilina e um yakult vencido cheio de lactobacilos mortos. Minha úlcera geme, faminta. Aquilo não serve. A cabeça do meu pau está dolorida. Meus olhos ardem, minhas costas estalam num arpejo de um piano desafinado. Escrevo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo, e o que sai é um reflexo de meu egoísmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-115434360231371437?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/115434360231371437/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=115434360231371437' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/115434360231371437'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/115434360231371437'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2006/07/voc-tem-fome-de-que.html' title='Você tem fome de que?'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-115132398808835527</id><published>2006-06-26T08:00:00.000-04:00</published><updated>2006-06-26T15:05:23.010-04:00</updated><title type='text'>Num piscar de olhos</title><content type='html'>Miro o teto. Branco, liso, sem textura nenhuma. Um quadro branco, uma tela implorando pinceladas de tinta. O lustre é vagabundo, uma pequena cúpula de vidro jateado recheada de insetos mortos, um câncer maculando a tela. Há um tique-taque constante, hipnótico. Não há cheiros. Insípido. Inodoro. Incolor. Me afogo lentamente neste ambiente inócuo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E então? - você pergunta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não respondo. Mas sei que a resposta está a um piscar de olhos. Ou vários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Blink&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haverá sangue em minhas mãos, e eu saberei que o sangue não será meu. O meu correrá rápido por minhas veias, incentivado pela adrenalina. Sentirei-me bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Blink&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu tô a fim. Vamos? - ela perguntou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei lá - me devencilhei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é quem sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não sei porra nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe que você fica lindo desse jeito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que jeito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esse. Dá vontade de te dar uma mordida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não ouse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Blink&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estarei na cozinha dela. Abrirei sua geladeira e de lá retirarei uma garrafa de Coca com pouco gás. Beberei no gargalo e forçarei um arroto, que sairá engasgado pela minha garganta. Estarei engarrafado. Preso. Meu estômago gemerá pela movimentação involuntária de gases e fluidos corporais. Sentirei-me uma bolha, uma granada sem pino prestes a explodir caso não faça alguma coisa. Sobre a mesa da cozinha haverá um suporte de madeira com uma faca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Blink&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acendi mais um cigarro, não por vontade, mas por despeito. Sempre adorei ver a cara de nojo dos corredores na pista de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;cooper &lt;/span&gt;ao me verem sentado num aparelho de ginástica fumando. Eles passam, se indignam e continuam, temerosos de entrarem em conflito com a figura ameaçadoramente petulante que eu sou. Tive vontade de abaixar as calças e me deitar ao sol, só jiboiando, mas não o fiz. Devia ter feito, pois em seguida ela chegou. Sorria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Blink&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha respiração estará ofegante após o ato. Jogarei meu corpo ao seu lado na cama, ainda duro, ainda rígido, mas exaurido. Puxarei a camisinha de meu pau, darei um nó e a atirarei displicentemente ao lado da cama. Ela aconchegará sua cabeça em meu ombro e delicadamante fará um cafuné nos pêlos do meu peito. Seu hálito lamberá em meu ouvido elogios e gemidos. Minha boca ficará seca. Não estarei bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Blink&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tentava desesperadamente me recordar de seu rosto antes que ela chegasse. Me sentia um idiota. E se ela chegasse e eu não a reconhecesse? Decidi fitar o café obsessivamente. Desse modo transferia a ela a responsabilidade da aproximação. Mas mesmo assim levantei a cabeça quando a porta da lanchonete abriu, e reconheci-a imediatamente. Meu estômago se revirou, e por pouco não vomitei. Ela sorriu maravilhosamente quando me viu. Devia gostar de homens verdes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Blink&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrarei-a nua na cama, as pernas escancaradas exibindo sua vulva recém violada, os peitos mirando o teto. Em seus lábios ainda melados por minha saliva e sucos penianos estará um cigarro. Ela puxará o ar e a brasa brilhará. Estará sorrindo. Não pára de sorrir nunca. Nem verá que estarei com uma faca na mão antes que eu a enfie em suas entranhas. O sorriso sumirá. Peidarei. Arrotarei. Sorrirei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Blink&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me dá um cigarro? - ela pediu. Estiquei o maço. Puxou um, acendeu com meu isqueiro e me devolveu. Em seguida sentou-se do meu lado. - 'Brigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que você faz isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vem aqui toda semana só para fumar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O parque é público. E eu sou um escroto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gosta de incomodar os outros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Gosto de me incomodar. De sentir raiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está com raiva de mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela se calou por um instante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E você? - perguntei. - Qual a sua desculpa para estar aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Venho procurar pessoas interessantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Veio ao lugar errado. Devia ter ido a um bar. Não tem ninguém interessante em parques.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois então...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela sorriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Assim você vai acabar me matando de rir!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Blink&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O teto continua branco. As matizes que eu utilizo não são indeléveis. A maioria das cores desaparece se você parar de pensar nelas. O tique-taque continua, e eu sei que você espera a resposta. Mesmo assim aguardo paciente até você perguntar de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Zebedeu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me diga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dizer o que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que você não vai encontrá-la essa noite?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso não é resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque tenho medo, Doutor. Só por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendeu agora?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-115132398808835527?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/115132398808835527/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=115132398808835527' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/115132398808835527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/115132398808835527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2006/06/num-piscar-de-olhos.html' title='Num piscar de olhos'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-115080602851838782</id><published>2006-06-20T08:10:00.000-04:00</published><updated>2006-06-20T08:20:28.540-04:00</updated><title type='text'>Barfly</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ontem eu saí. Fui dar uma volta, espairecer. Encher a cara sem nenhum motivo além do habitual. Entrei num bar metido a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;pub&lt;/span&gt;. Legal até. Passei algum tempo imaginando a cara do decorador. Podia ser um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;leprenchaunt&lt;/span&gt; viado ou uma bicha irlandesa, se é que existe tal distinção. Mas com certeza não era ruivo. Não sei porque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto das segunda-feiras. É o dia do baque, da realidade, da água fria escorrendo pela nuca. As pessoas não costumam sair de segunda, e isso me agrada. Não gosto de pessoas. Gosto de gente. E gente como a gente (não você!) só sai do casulo na segunda. O resto da semana é das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barman tentou puxar assunto enquanto tirava um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;pint&lt;/span&gt; de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;fine ale&lt;/span&gt;. Dois dedos de espuma milimetricamente medidas por um risco estampado no copo. Tirada regulamentar, profissa. Aceitei a cerveja mas recusei o papo. Não é porque sou o único cliente que tenho que ser simpático. Vai conversar com a pia e me deixa em paz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na televisão passava o VT de um jogo da copa. Não tem como escapar. Quando não é ao vivo, é VT. E quando não é VT, é um bando de fanáticos endinheirados falando a respeito. Mecenas de gladiadores pasteurizados. Sonham com a bola que lhes falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela entrou. Feia, muito feia. Feia demais até para mim. Não inspiraria pensamentos eróticos nem em um presidiário. Entrou, flanou pelo ambiente como um peido num banheiro público, e sentou perto de mim no balcão. Deixou uma banqueta entre nós, como último bastião de sua pretensa virtude e de meu bom gosto. A cerveja desceu mais amarga que o habitual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos jogar? - eu disse. Ela se acendeu como se tivessem lhe colocado um reator no rabo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Jogar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, jogar. Tá a fim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Depende do jogo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leu a cartilha, mocréia? Se fazendo de difícil para mim? Não faz isso. Não pega bem. Especialmente numa segunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Chama-se "Sedução".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não conheço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É claro que não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você que inventou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu? De jeito nenhum. Nem sei jogar direito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E como é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bebi a cerveja até o fim. Ela aproveitou e derrubou o bastião. Sentou do meu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Começou errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já estamos jogando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desde que você entrou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu para ouvir as fichas tilintando em seu cérebro enquanto caíam. Acendeu um cigarro. Filei um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem fogo? - ela me perguntou, piscando o olho muito maquiado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pára com isso! Tá estragando o jogo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas eu nem sei as regras!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É simples: se um ganha, ambos ganham. Se perde...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O lance não é sexo. O lance não é ficarmos nos esfregando em um canto qualquer. O lance é seduzir. Mutuamente. Você não me seduz. É feia, atirada e vulgar. Se veste mal. Provavelmente é uma encalhada insuportável. E duvido que tenha mais do que meia dúzia de neurônios plenamente funcionais. Mas isso é parte do jogo. Você precisa me convencer que pode valer a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você me acha feia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E burra. Sim, acho. Mas isso pode mudar. É por isso que estamos jogando. Convença-me do contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela pensou por um instante. Dava para ouvir os relês chaveando em seu cérebro. O &lt;span style="font-style:italic;"&gt;jukebox&lt;/span&gt; começou a tocar U2. Pela décima segunda vez desde que eu havia sentado no balcão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que? - perguntou ela, finalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que eu tenho que te seduzir? Por que você não me seduz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu já estou fazendo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me chamando de feia e burra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não foi embora indignada, foi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estalo desta vez foi tão forte que acho que vi seu olho esquerdo dar uma piscada involuntária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não... - concedeu ela, subitamente consciente da própria mediocridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não me entenda mal. Não sou nada melhor que você. Aliás, duvido que eu seja minimamente digno de sua presença. Sou um merda, um ninguém que se acha grande coisa. Me desculpe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quié isso, não fala assim. Você é até bonitinho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Viu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hã?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Viu como funciona? É assim que você tem que jogar. Ataquei em seu ponto fraco. Sua autopiedade. Você, por um instante, se viu em mim, e isso gerou empatia. Virei um reflexo de sua solidão, e isso te atraiu que nem uma mosca para um balde de merda. Isso é sedução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, isso é pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pena o meu caralho. Se eu começasse a chorar em meia hora estaria com a cabeça enterrada em sua xoxotona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é um escroto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E mesmo assim você não foi embora. Vamos, estamos perdendo o jogo. Você ainda não me seduziu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você também não está ajudando nada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro que não. Eu sou a vítima, estou na defensiva. Você que deu o primeiro passo. Já te seduzi antes de você sentar. Seja por falta de opção ou desespero, você viu em mim uma chance de não passar mais uma noite sozinha, chorando abraçada a um gato obeso. É o meu trunfo. E você ainda não o roubou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que você quer que eu diga?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tudo menos isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é maluco!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E você é patética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeira lágrima. Ponto pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ô, cara, pega leve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fica na tua, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Johnnie Walker&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu nome é Fulgêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ô nomezinho feio da porra, hein? Dá mais uma breja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Baixa tua bola, aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da ameaça, me deu a cerveja. A feia ainda chorava, mas tentava disfarçar esfregando as bochechas. A maquiagem desfazia-se a cada passada. Eram lágrimas ácidas. Levantei e me aproximei dela. Olhei-a bem nos olhos. O fluxo diminuiu, mas o estrago já estava feito. Parecia um palhaço derretido. Ela me olhou também, meio assustada, meio implorando piedade. Tomei sua mão. Ela apertou a minha. Puxei-a mais para perto e lambi seu rosto. Sorvi lágrimas, maquiagem e tristeza. Ela não se afastou. Ao invés disso fechou os olhos e curtiu o gesto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ganhou - eu disse em seu ouvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ganhei?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Arrã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos para minha casa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não? Por que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque o jogo acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soltei-a e fui embora. Paguei quinze paus pelos dois chopps, mas nem me importei. A noite tinha valido cada centavo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazia tempo que eu não dormia tão bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-115080602851838782?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/115080602851838782/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=115080602851838782' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/115080602851838782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/115080602851838782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2006/06/barfly.html' title='Barfly'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-115073769917406425</id><published>2006-06-19T13:15:00.000-04:00</published><updated>2006-06-19T13:21:39.190-04:00</updated><title type='text'>Comenta ISSO, filho da puta!</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o que move a criação? O que nos leva para a frente de um computador (tela, caderno, monte de argila) e nos faz querer transformar a tela em branco (ou a massa disforme) em algo a ser lido (visto, apreciado, criticado)?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será uma urgência egomaníaca descontrolada, uma necessidade irrefreada por um espelho de Narciso? Queremos ser recebidos com latidos delirantes de uma cachorro estúpido que nos amará mesmo que o desprezemos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso que leitores (admiradores, críticos) são. Uma matilha desenfreada de cachorros excessivamente carentes, que enxergam em seus donos um reflexo aperfeiçoado de si mesmo. Uma idolatria exacerbada, uma covardia inerentemente amaldiçoada em sua grandeza frente a nossa pequenez, apesar dessa última constatação não significar absolutamente nada, e eu apenas tê-la escrito para exercitar um vocabulário rebuscado. Mesmo assim pode ser citada como referência ou constatação de minha genialidade pseudo-parnasiana. Ou não. Voltemos ao tópico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que buscamos ídolos, heróis ou modelos? Para que nos interessa saber com que papel higiênico eles limpam a bunda? O que nos motiva a gozar com seus paus e bocetas? O que faz deles melhores que nós? E até que ponto o que fazemos é importante para alguém? Digo REALMENTE importante?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem diga que somos (são) endeusados por conta da divinização da criação. Uma pessoa comum, nascida de um pecado e parida com sangue e excreções, que consegue, num momento de inspiração (divina? metafísica? espasmódica?) criar algo a partir do nada que será digerido por outrem (!), e em seguida este digestor achará que tem o direito de emitir uma opinião a este respeito, mesmo que esta opinião simplesmente não acrescente ou deturpe absolutamente nada. Como se pedíssemos por isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não pedimos? É claro que pedimos! Senão por que caralho produziríamos tal coisa, tal criação, tal qualquer-porra-que-se-diga-arte? Somos súcubos de atenção. Somos tão cachorros carentes quanto eles. Queremos ser chupados em nossas bolas cabeludas quando fazemos algum truque novo. Queremos ser cuspidos em nossas caras de pau quando fazemos algo horrendo, fedido. Falem mal, mas falem de mim! Não me ignorem, cabada de lambedores de cu! Amo vocês, mesmo odiando o que vocês dizem. Odeio vocês até a última geração, mas sou voltairiano convicto, e dou minha vida para que vocês tenham o direito de falar. Até merda. Aliás, se eu escrevo merda, que direito tenho em querer coisa diferente. Caguem em minha cabeça, cambada de putos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes acho que só você, doutor, realmente me lê com um motivo sincero. Você me lê por obrigação, por ser parte de sua profissão. Caralho, você GANHA para me ler. O resto não. O resto só espera que eu, em um momento qualquer, destile algum comentário ou pensamento que ligará algum sentimento latente em suas cabeças de ampola. São órfãos cerebrais, parasitas neuróticos buscando eternamente massas cinzentas alheias para sugar. Querem que eu descreva minha realidade, ou para se sentirem superiores, ou para não se sentirem únicos, ou para simplesmente dar risada da escatologia alheia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois então, chupem minha pica! Com gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas depois me contem se foi bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doutor, tarja preta significa remédio com vergonha da própria nudez?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou é algo simplesmente censurável?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensa nisso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-115073769917406425?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/115073769917406425/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=115073769917406425' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/115073769917406425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/115073769917406425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2006/06/comenta-isso-filho-da-puta.html' title='Comenta ISSO, filho da puta!'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-114796114763734994</id><published>2006-05-18T09:59:00.000-04:00</published><updated>2006-05-18T10:12:50.423-04:00</updated><title type='text'>Zebedianas</title><content type='html'>Exercício de Metalinguagem ou Adulação Egomaníaca? Deixarei a História julgar, apesar de eu mesmo tender para a última. O certo é que é tempo de rebobinar o cérebro, separar o que vale neste vale raso que é este espaço, quiçá minha vida. O certo é que vez ou outra eu olho para trás. E se lá não tem um negão tatuado chamado Adamastor gemendo e suando, quer dizer que a coisa ainda está em seu trilho. Ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Não gosto do big brother. É uma maneira institucionalizada de voyerismo, o que faz com que perca toda a graça.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Zebedeu&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É difícil aprofundar mais do que isso. Ainda passo horas assistindo meus vizinhos pela janela, e nenhum deles recebeu convite para posar nu (apesar da mulatinha do segundo andar merecer). A vida está se desglamourizando por conta do excesso de reality shows. Moro em São Paulo. Quando quero realidade tiro a cabeça para fora da janela. Paro quando uma bala perdida encontrar minha testa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Foda-se o câncer! Deveriam inventar uma cura pra gripe.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Zebedeu&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamem-me de insensível, de escroto, mas se tem uma coisa que me irrita é gripe. Uma doença que te inutiliza mas que não mata. Um vírus bundão, uma falsa promessa. Não deveria existir. Covarde!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Academias são templos do narcisismo exacerbado.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Zebedeu&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada tira da minha cabeça que, se pudessem, esses ratos de academia fariam sexo consigo próprios. E não estou falando de punheta! E duvido que alguém consiga falar "narcisismo exacerbado" três vezes bem rápido. E com uma paçoca Amor na boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Todo mundo te fode todo dia, mas no Natal eles lembram de comprar um lubrificante.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Zebedeu&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A hipocrisia dos dias de festa é a pior coisa que existe. De um dia para outro todo mundo vira santo, vira bonzinho, deseja o melhor para mamãe ninfomaníaca, pro papai bichona, para o caralho de Jesus ou a porra da humanindade. E no dia seguinte chuta uma velha na rua para que ela não atrapalhe sua pressa, cospe asneiras pseudo-intelectualóides para meninos de rua que não estão interessados em lição de moral e tomam cafés com o mindinho em riste. Cambada de paus no cu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Quando eu crescer quero ser um tsunami.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Zebedeu&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe coisa mais linda que uma força descontrolada da natureza assassina? É algo que, quando acontece, fica todo mundo com cara de cu. Não tem quem culpar. Sou contra aquele pensamento de mea culpa, de consternação muda, de que é o planeta de vingando de tudo o que fizemos com ele. Porra nenhuma! O dia que as pedras quiserem se vingar, todo mundo vai se lembrar de seus próprios pecados. Até lá...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Felicidade é patrimônio. E não tem seguro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Zebedeu&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia vou escrever um livro de auto ajuda. Só para ajudar no controle de natalidade e aumentar o índice de suicídios. A frase acima, fora do contexto, quase me transforma em um Lair Ribeiro. E qual o contexto? Bem, digamos que no mesmo parágrafo havia outra frase interessante: "Pobre não nasceu para a felicidade".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Mulher quando sorri é que nem louva-a-deus depois de trepar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Zebedeu&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe coisa mais nefasta que mulher? Eu, sinceramente, não conheço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Sexo é moeda de troca.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Zebedeu&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Misógino é teu pai!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O amor nada mais é do que um cu arreganhado em forma de um sorriso cagado. Ou seja, um buraco cheio de merda travestido de felicidade.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Zebedeu&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é a minha favorita. Gosto da construção da frase, da sonoridade, da poesia escatológica. Além do fato de ainda considerar como uma verdade absoluta. Não tem jeito, nós, homens, somos as vítimas desse jogo escroto e inescrupuloso chamado "Amor". As mulheres são como o ACM ou o José Genoíno. Deixam o trouxa achar que manda em Deus e no mundo, mas na verdade quem manda são elas. Titeteiras desgraçadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Não gosto da palavra "sonhar". Sonhar é sinônimo de aspirar, que por sua vez também é usada no sentido de puxar o ar. Como inspirar. Inspirar lembra referenciar. E meus sonhos não são referência para nada. São sempre pesadelos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Zebedeu&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuossa! Fui longe nessa aí!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas citações estavam no &lt;a href="http://psicopataenrustido.weblogger.com.br"&gt;primeiro endereço do blog&lt;/a&gt;. É, aquele que foi bloqueado aqui na empresa. Esses pensamentos tem dois anos, e de lá pra cá porra nenhuma mudou. Eu continuo eu. O doutor continua aí. Lá fora as balas continuam perdidas, atrás de seu alvo-metade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu aqui, reciclando bobagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso arrumar assunto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-114796114763734994?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/114796114763734994/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=114796114763734994' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/114796114763734994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/114796114763734994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2006/05/zebedianas.html' title='Zebedianas'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-114527553039765885</id><published>2006-04-17T07:58:00.000-04:00</published><updated>2006-04-17T08:05:30.413-04:00</updated><title type='text'>Cacófato De Mente</title><content type='html'>Você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Eu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com todo respeito, mas você não deveria estar aqui...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Do que você está falando?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você sabe muito bem. Nós não deveríamos nos encontrar. A essência do que somos depende disso. O que isso significa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Por que precisa significar alguma coisa? Não pode ser alguma coisa irracionalizável, sem explicação?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe que não. Não disfarça que eu te conheço. Vamos, estou esperando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Isso você sabe fazer bem. Bem, pode explicar duas coisas, dois extremos, não meio. Dissociação ou Associação completa. Talvez tenhamos finalmente nos libertado mutuamente, o que explicaria este encontro. Você finalmente é apenas você, e eu somente eu. Ou então, do outro lado do espectro, tenhamos nos tornado um indivíduo apenas, amalgamado, cinza.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não gosto desta última.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Nem eu da primeira.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;...estamos aqui. E este é um encontro que não ocorreria caso estivéssemos de sã consciência. Existe algo como sã inconsciência?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está mais para insana consciência, mas não gosto de jogos de palavras, você bem sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;E eu, por outro lado, não gosto de você. E isso não ajuda nada. Somos finalmente dois ou somente um? Não gosto disso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostos são relativos. Goste ou não, goze ou não, não interessa. Interessa que estamos aqui. Aqui e prontos. Prontos ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Quem é que não gosta de jogos de palavras?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu. Desculpe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Não precisa. Aliás, é a primeira vez que o vejo se desculpar com sinceridade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sabe que foi sincero?&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;Eu te conheço. Eu te criei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, você me libertou. Sua megalomania não diminuiu depois destes anos. Eu já estava por aí antes de você me perceber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Mesmo assim...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem é o verdadeiro Criador? E a verdadeira Criatura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;É uma questão de semântica. Um Criador é uma Criatura com um sufixo diferente. Criador. Cria-dor. Dor do parto?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é uma Tura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Não fuja pela tangente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você me conhece...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;E você é realmente livre? Será? Ou é um parasita? Somos dois ou um dividindo um espaço de sinapses? Você sobrevive com a ausência do hospedeiro, permanecendo em hibernação até sua próxima encarnação? E eu, vivo sem sua irritante presença? A relação parasitária poderia ter evoluído involuntariamente para uma simbiótica? Quem sou eu agora? Quem é você? Ou eu deveria perguntar "O quê?"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você está me assustando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O que não deixa de ser uma prova do que estou dizendo. Amalgamamos? Assimilei sua indiferença, seus vícios? E você adquiriu um pouco de minha humanidade? Ou foi o inverso? Seria você apenas algo latente, adormecido, aguardando para que eu lhe desse forma e conteúdo? Ovo ou galinha?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você racionaliza demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Aí é que está. Resumo da experiência catártica: você está livre. Não preciso mais de você.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então é assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Não do jeito que você está pensando. É uma libertação das boas. Assumo minhas falhas, e ao mesmo tempo libero minha dependência. Sem a necessidade, tudo o que resta é a vontade. Não preciso mais de você. Se eu quero mantê-lo, isso é outra coisa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o gole social do alcóolatra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Não. Como o mergulho nu do careta. Você está finalmente livre. Sei que não sobreviverá sem mim, mas o oposto é verdadeiro. Na realidade não há libertação. Há aglutinação. Você virou (É? Era? Será?) parte de mim, que posso acessar a qualquer hora, e se quiser. Nunca se precisar. Nunca mais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que papo de viado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;É o tipo da resposta que eu sei que sempre vou encontrar com você.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você me conhece...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-114527553039765885?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/114527553039765885/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=114527553039765885' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/114527553039765885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/114527553039765885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2006/04/cacfato-de-mente.html' title='Cacófato De Mente'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-114475473704459594</id><published>2006-04-11T07:24:00.000-04:00</published><updated>2006-04-11T07:25:37.070-04:00</updated><title type='text'>Onde está Zebedeu?</title><content type='html'>"&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Caro Zebedeu,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estou entrando em contato pois há semanas você não tem comparecido às nossas sessões. Estou seriamente preocupado, pois apesar de todos os avanços, ainda há muito a ser discutido. Você conhece os procedimentos: ou você comparece às sessões, ou serei obrigado a reportar ao juiz, que imediatamente providenciará sua prisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não desejo fazer isso, pois você tem demonstrado progressos, e retirá-lo do convívio da sociedade apenas jogaria no lixo todo o trabalho dos últimos meses. Como psiquiatra eu realmente não gostaria de ver meu trabalho desperdiçado desta maneira, e como amigo não me agrada a idéia de perdermos nossas conversas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que ao menos você esteja mantendo sua medicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por favor, entre em contato assim que receber este recado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem mais,&lt;br /&gt;Dr. XXXXXXX&lt;br /&gt;CRM XXXXX&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudades, Doutor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não te ensinaram na faculdade os perigos da transferência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou isso é um caso inédito de Síndrome de Estocolmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde estou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma dica:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adorei o vestido novo de sua esposa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele mesmo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que ela usou no seu aniversário de casamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Medicação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tomo, mas só se o doutor parar com o gerundismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Difícil, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito mais,&lt;br /&gt;Z.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-114475473704459594?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/114475473704459594/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=114475473704459594' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/114475473704459594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/114475473704459594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2006/04/onde-est-zebedeu.html' title='Onde está Zebedeu?'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-114044652341418315</id><published>2006-02-20T10:34:00.000-04:00</published><updated>2006-02-20T10:42:03.430-04:00</updated><title type='text'>Pega!</title><content type='html'>- Completa.&lt;br /&gt;- Comum?&lt;br /&gt;- Arrã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O frentista foi encher o tanque de meu carro velho, me deixando sozinho com os fumos nublando meu cérebro. Cheiro de gasolina é bom. Gosto desde pequeno. Ia com meu pai ao posto sempre que podia, só pra ficar fungando aquele cheiro. Perversão de moleque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ironicamente, doutor, foi justamente uma coisa cheirosa que atraiu minha atenção. Um daqueles cheirinhos para colocar no carro estava pendurado num &lt;span style="font-style:italic;"&gt;display &lt;/span&gt;bem ao lado de minha janela, bem ao alcance de minha mão. Tinha a forma de uma turbina de avião, com hélice interna e tudo. Daquelas para pregar na entrada de ar do painel, e que ficava girando com a incidência do vento, espalhando seu aroma enjoativo e nauseabundo de buquê de cemitério na carlinga de minha aeronave sem asas. Não era caro, mas eu tinha certa vergonha de comprar aquilo. Sei lá, parecia futilidade demais. Criancice. A bomba de gasolina bombeava o combustível para meu carro, e o zumbido começou a ressoar em meu cérebro. "Pega!", gritaram meus neurônios. "Pega!", como se aquilo de repente se tornasse algo inestimável, uma urgência descontrolada. "Pega!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca fui dado à contravenções desse tipo. Minhas poucas lembranças a este respeito são ruins. Meu primeiro roubo foi ainda criança, quando não tinha ainda noção do que estava fazendo, e talvez por essa razão foi o mais fácil. Roubei um brinquedo do consultório de meu pediatra. Roubei, não. Simplesmente peguei, e não larguei mais. Fui pra casa com o brinquedo e a vergonha de meus pais. Aliás, meu pai me obrigou a dar o brinquedo para uma criança carente dois dias depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá estava eu, diante de um impulso cleptomaníaco inexplicável, dado o valor do objeto de desejo. Um cheirinho em forma de turbina. Brega, brega. Mas eu queria. Nem sabia para quê. Meu carro já tem um fedor incrustrado de carniça que aquela turbina não conseguiria impulsionar para longe. Não, não era algo racional, não era algo explicável. Era uma vontade irracional. "Pega!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu tinha dez anos fui com um grupo de amigos ao mercado, com o intuito de roubar doces. Tremi o caminho inteiro, apavorado com a idéia. Tentei, sem muito sucesso, convencer meus comparsas que aquilo podia dar merda. Parei quando começaram a duvidar de minha masculinidade. Aí era pessoal. Não eram mais doces, eram os primeiros hormônios. Ladrão sim. Viado nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos pegos com as camisetas forradas de pacotes de bolacha, chicletes e chocolates. Pegos pela ganância. Se tivéssemos roubado um pacote cada um, conseguríamos sair despercebidos. Mas ao invés disso optamos pr estufar as camisetas com doces que nem em dois dias conseguiríamos comer. O segurança até riu da nossa inocência, mas o humor não foi suficiente para trazer perdão. Nos levou até os fundos do mercado, obrigou-nos a se despir (para ver se não tínhamos nada escondido nas cuecas, explicou) e, não satisfeito, fez pagarmos vinte flexões nus antes de nos mandar para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que eu queria com uma turbina cheirosa? Por quê? O sentimento daquela tarde no mercado voltou. Meu estômago revirou, minhas mãos suavam, tive uma ereção dolorida. Hiperventilação. Dava pra sentir os jatos de adrenalina chegando ao meu coração, reverberando em meus tímpanos. A bomba estalou avisando que o tanque estava cheio, quase fazendo eu furar o teto do carro com minha cabeça. O frentista chegou com a chave. Pedi nota fiscal. Ele me olhou torto, mas foi na direção da mesa preencher o canhoto. Aproveitei o momento e surrupiei a maldita turbina, jogando-a no vão do lado de meu banco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez me roubaram as palhetas do limpador de pára-brisas. Roubo típico de espírito de porco, pois estava chovendo um bocado. Com a raiva veio a idéia: rouba outra. Uma só, do lado do passageiro de outro carro. Era uma emergência, algo perdoável. Saí na chuva e procurei um carro do mesmo modelo que o meu. Parei do lado de um. Olhei a palheta. Ela me ignorou. Clique, puxa e corre. Fácil. Ninguém ia ver nada, ninguém ia sofrer. Era fácil. Era perfeito. Pomba, nem mesmo um crime poderia ser considerado! Quero dizer, não tecnicamente. Havia um atenuante. "Pega!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei dirigindo meu carro como uma locomotiva, com a cabeça para fora na chuva, as palhetas ausentes no vidro e um carimbo de "bundão" na testa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O frentista retornou com a nota. Perguntei o valor, ele disse. Preenchi o cheque, ele pegou. Liguei o carro e disparei na rua, desesperado para sumir dali. Gritei como um alucinado. Alcancei a turbina com a mão e ergui-a como um troféu. Era o fruto de um roubo! Meu primeiro roubo bem sucedido! Eu conseguira! Superara todos os fracassos anteriores! Eu era FODA!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parei o carro e vomitei no meio fio. O gosto azedo na minha boca estragou meu júbilo. Senti-me mal, sujo, escroto. Eu era um ladrão, um bandido. Minha honestidade tinha sido deflorada por uma turbina cheirosa. Mesmo o fato de eu ter saído incólume não ajudou a dourar a pílula. Contraventor. Ladrãozinho de galinhas. Trombadinha de posto de gasolina. Era isso o que eu queria? Era essa a sensação que eu buscava?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem conseguir mais olhar para aquela turbina, joguei-a em cima da poça de vômito. Bati a porta e fui para casa, decepcionado e orgulhoso de mim mesmo. Uma gangorra moral. Não conseguia decidir se tinha feito bem ou mal ao jogar fora a turbina. Por bem ou por mal ela já estava roubada mesmo. Ningém faria um escândalo por causa de um cheirinho roubado. Precisava jogar fora? Eu conseguiria olhar para aquilo de novo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando me dei conta: discriminado na nota fiscal estava lá: uma linha, gasolina. Na de baixo, cheirinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não tinha roubado nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, doutor, fico feliz ou triste?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-114044652341418315?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/114044652341418315/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=114044652341418315' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/114044652341418315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/114044652341418315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2006/02/pega.html' title='Pega!'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-113940240748743131</id><published>2006-02-08T08:14:00.000-04:00</published><updated>2006-02-08T08:40:07.520-04:00</updated><title type='text'>Quando o Mundo perdeu o senso de humor</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;José (olhando para o berço): &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Bem que ele é forte e saudável. Pena que só vá viver 33 anos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Maria (suspirando): &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;É, mas para um palestino até que não está mal.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o que acontece com o mundo ultimamente? Sabemos que algo está muito errado quando vemos que uma piada infeliz pode se tornar o estopim de uma guerra que vem fermentado há décadas, tornando o que sempre foi encarado pelo Ocidente como algo que arrancava suspiros de "É triste, mas fazer o que?" em um conflito mundial em nome de uma salada cujos ingredientes ainda são pouco claros: petróleo, estratégia, conquista, fé, posse, orgulho, preconceito, etc, tudo misturado e sem nenhum deles se sobressaindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/2926/392/1600/cartoon_jesus_nas_olimpiadas.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2926/392/320/cartoon_jesus_nas_olimpiadas.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo começou com uma charge? Não. Com a seqüência interminável de atentados suicidas? Com a invasão dos israelenses na Palestina? Com a campanha de Maomé pelo Oriente Médio? Pela morte de Jesus? Pela invasão romana? Não. Aliás, se fosse feita uma enquete na região, a resposta absoluta seria um infantilóide "Foi ele quem começou!". Começou exatamente o que ninguém sabe direito. O que todos sabem é que, independente da fé, precisam seguir cegamente a lei do "Olho por olho, dente por dente". O resto é semântica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/2926/392/1600/cartoon_moses_peace_vs_settlers.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2926/392/320/cartoon_moses_peace_vs_settlers.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão é que há muito tempo os humoristas são as vozes da razão em meio à insanidade vigente. São eles os responsáveis, com sua análise crítica, à reflexão a respeito dos acontecimentos. E isso desde antes da humanidade aprender a escrever! É justo crucificar um país por causa de uma charge ofensiva? Até que ponto o respeito à fé é mais importante que o respeito à liberdade de expressão? É nesta "zona cinza" que o problema se instalou, e, confesso, não há resposta fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/2926/392/1600/deus.jpg" target="_blank"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2926/392/320/deus.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é mexer no vespeiro. Com todo respeito à comunidade muçulmana, mas as charges podem até ser ofensivas (e realmente o são!), mas olhem para seus próprios umbigos e vejam a propaganda que os mais fanáticos de vocês estão disseminando há décadas. É ofensivo retratar Maomé com uma bomba no turbante, mas não ver uma mãe idolatrar um filho que se explodiu em um mercado, matando duas dúzias de inocentes no processo? Não julgo dogmas ou preceitos baseados em fé, e tampouco acho que os israelenses são santos (muito pelo contrário). O caso é: não é uma manobra muito baixa utilizar o humor como o estopim de uma guerra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/2926/392/1600/belltoon512.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2926/392/320/belltoon512.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez estejamos chegando ao ponto culminante deste longo conflito. Joguemos no ralo tentativas de acordo e tratados de paz. Já que não tem jeito, que se exploda! Talvez seja até bom. Que nem quando vemos dois moleques se xingando no colégio. Chega uma hora que torra o saco aquele zero-a-zero e a gente quer mais é ver porrada. Resolve de uma vez, cacete!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/2926/392/1600/tira102.gif" target="_blank"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2926/392/320/tira102.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guerra Mundial? Que seja. Hecatombe Nuclear? Fazer o que? Genocídio, milhões de mortos, países dizimados, inocentes chacinados, sangue tingindo as ruas e as casas... Por mais que tentemos achar uma solução, cada vez mais caminhamos para o inevitável. Chame-me de apocalíptico se quiser, doutor, mas eu acho que está na hora do bicho pegar. E o maior sinal disso é que o mundo está perdendo seu senso de humor. E sem isso, de que vale continuar lutando contra a maré? Desce a bomba!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/2926/392/1600/inricristo.0.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2926/392/320/inricristo.0.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo jeito, desta vez a Montanha foi à Maomé. Agora agüenta, Montanha!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-113940240748743131?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/113940240748743131/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=113940240748743131' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/113940240748743131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/113940240748743131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2006/02/quando-o-mundo-perdeu-o-senso-de-humor.html' title='Quando o Mundo perdeu o senso de humor'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-113861840926283615</id><published>2006-01-30T06:44:00.000-04:00</published><updated>2006-01-30T06:53:29.283-04:00</updated><title type='text'>Sacrilégio na Sacristia</title><content type='html'>Padre,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;me perdoa, pois pequei. Um bocado. Se eu tivesse tempo narrava tudo, mas o senhor deve ter outras pessoas para ouvir. Aliás, deve ser um saco ser padre, não é? Ficar aí, nessa casinha, ouvindo as barbaridades das pessoas... Pensando bem, você deve ouvir uma penca de coisas interessantes. Safadezas, sacanagens, putarias... Mas, pensando melhor, você ouve e não pode contar pra ninguém, e isso é uma merda... Ops, desculpe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tudo bem. O que você quer me contar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ansioso? Deve estar morrendo de curiosidade, né? Eu ficaria. Bom, como o senhor deve ter notado, não sou um freqüentador assíduo desta igreja. Nem esporádico. Desta ou de outras igrejas. Acho que minha última confissão foi quando eu tinha dez anos, e mesmo assim foi obrigado. "Padre, eu colei catota de nariz embaixo da carteira". O que um moleque de dez anos tem pra confessar? Que pecado cabeludo um guri pode ter cometido que mereça essa sabatina? E quem é o senhor para julgar? Teu deus não diz que é das crianças o reino dos céus? Putz, deve ser um inferno lá, cheio de pirralho ranheta gritando. E porque "dos céus"? Tem mais de um céu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seu pecado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá, desculpe. Bom, nem sei por que entrei aqui. Na igreja, quero dizer. Acho que o pecado já começou aí. Tava mascando um chiclete que já tinha perdido o gosto, e pensei em colar a borracha babada em algum lugar. Pecado de moleque. Entrei aqui, desviando de carolas, até a estátua de Jesus do lado do altar. Fiquei um tempo olhando pra cara do infeliz. Por que sempre que fazem uma estátua de Jesus ele está de olhos baixos, como se tivesse acabado de levar uma enrabada de um filisteu? Sei lá, se eu fosse montar uma igreja ia fazer o símbolo máximo um tipo de Conan. Um cara forte, troglodita. E o lema seria: "Pecou? Vai ter que encarar esse aí!". Que nem os deuses gregos. Aliás, os deuses gregos eram muito mais divertidos. Zeus comia todas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha a blasfêmia, meu filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpa. Bom, o lance é que eu não colei o chiclete. Fiquei lá, olhando pra estátua do judeu deprê. Sei lá por que. Aí apareceu uma carola do meu lado, toda sorridente. Falou uns lances que não entendi, sobre amor, piedade e morte por nossos pecados. Papo de carola, o senhor sabe como é. Saquei a velha: dava um caldo. E ela gostou da encarada. Se benzeu e foi até a sacristia. Abriu a porta, espiou dentro, e depois me chamou. Levei um tempo pra sacar que era realmente comigo, mas fui. A sacristia tava vazia, e a velha (que nem era tão velha assim...) trancou a porta assim que eu entrei. Foi meio rápido. Quando vi a saia dela tava arriada, a calçola no tornozelo, e meu pau enfiado no seu rabo. Assim, sem muito pudor. Comi o rabo dela em cima da mesa. Enquanto estava sendo empalada, a velha ficava gritando: "Me fode, meu Jesus! Me enraba, meu Deus! Goza dentro, meu Senhor!". Gozei dentro. Foi forte. Foi bom. A melhor gozada da minha vida. Enchi a velha de porra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não terminou aí. Se fosse só isso tava tudo certo. Uma trepadinha sacrílega, coisa leve. Já fiz coisa pior, e nem por isso confessei. O lance foi outro. Assim que acabei, saquei o pau fora daquele cu velho e senti vontade de dar uma surra na carola. Ela subiu a calçola, arrumou a saia e eu enfiei a mão na cara dela. Assim, sem motivo. Só desci o braço, o pau pingando pra fora ainda. Estapeei ela uma, duas, trocentas vezes, até que ela caísse de joelhos no chão. Aí esfreguei meu pau melado na sua cara enrugada, segurando-pelas orelhas. Ela chorou, pediu misericórdia. Isso só me deixou mais louco. Ergui seu corpo e virei-lhe um soco na boca. Daqueles bem dados, sabe? Machucou minhas falanges, mas quebrei uns dois dentes da coroa, que caiu no chão cuspindo sangue. Ela sabia o que ia acontecer, e começou a chorar em pânico. Meu pau ficou tão duro que começou até a doer, mas era uma dor boa, como dor de dente de leite mole. Gozei de novo, escorrendo minha porra no chão. Ela entrou em pânico quando viu isso e começou a se arrastar na direção da porta. Na minha mão tinha uma faca. Com a lâmina eu cortei os tendões de seu tornozelo, rasgando a meia calça no processo. Ela gritou e esperneou, patinando no sangue que escorria no ladrilho. Pulei em cima dela, virei-a para mim e rasguei sua blusa e sutiã, expondo seus peitos murchos. Passei a faca neles, fazendo o sangue escorrer. Ela parou de gritar, e só me olhava com aqueles olhos apavorados. Se mijou toda, a escrota. O cheiro era insuportavelmente forte. Furei seus olhos com a ponta da faca por causa disso. Ela os fechou quando viu a faca se aproximando, então tive que furar por cima das pálpebras. Levantei e deixei-a lá, chorando sangue deitada na poça de mijo. Mexi no armário do canto e encontrei um pouco de soda cáustica. Acho que o senhor usa pra limpar o chão. Joguei em cima dela, que ficou se contorcendo que nem uma minhoca chapada de anfetaminas enquanto o bagulho queimava suas feridas. O sangue dela ainda jorrava. Sujou tudo. O senhor me desculpe a confusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que ela parou de se debater, acho que mais de cansaço que outra coisa, cheguei perto dela. Nesta altura meu pau já estava mole. Termômetro frio, fim da brincadeira. Passei a faca em sua garganta de um só golpe e fiquei assistindo ela gorgolejar até morrer. Limpei a lâmina na sua saia e saí da sacristia. Nem sei por que acabei caindo aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Arrependimento, talvez?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hum, não, não foi isso. Acho que mais curiosidade. Queria ver a sua cara quando contasse o que eu fiz. Além disso, que graça tem matar alguém se não posso contar pra ninguém? Não, não me arrependo de ter enrabado a velha na igreja, e nem de ter matado ela de maneira tão divertida. Aliás, isso não é uma confissão. A verdade é que eu não sou católico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem? Como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é? Não vou ter uma penitência? O senhor não vai me condenar a uma eternidade de sofrimento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Você não é católico, então não acredita nisso. E eu, na verdade, não sou um padre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não? Então quem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MÃE?!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Putz, que sonho maluco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doutor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Divirta-se.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-113861840926283615?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/113861840926283615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=113861840926283615' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/113861840926283615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/113861840926283615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2006/01/sacrilgio-na-sacristia.html' title='Sacrilégio na Sacristia'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-113777591583811283</id><published>2006-01-20T12:45:00.000-04:00</published><updated>2006-01-20T12:51:55.853-04:00</updated><title type='text'>O Crepúsculo da Bicha</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a cena habitual: eu, um bar, uma cerveja. Noite de quinta feira e categoria. Barman bocejando. Caubi Peixoto chorando babaquices no alto falante. Cérebro formigando, saco enchendo. Daí entra em cena uma bichinha. Daquelas, sabe? Camiseta cortada, mãos de tiranossauro, óculos coloridos, cabelinho estranho, magra que nem um somali. Caminhava pisando em ovos com os pezinhos calçando uma sandália cheia de brocados. Bolsinha a tiracolo. Veio até o balcão e estacionou ao meu lado. Pediu um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Saint Remy&lt;/span&gt; pro barman, que preparou o drinque e o entregou sem mostrar qualquer reação. A bicha deu uma bicada na bebida, sem esquecer de deixar o mindinho ereto enquanto erguia o copo. Suspirou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tô passada! - disse, a lígua sibilando entre os dentes. - Pas-sa-da!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que ela esperou algum comentário meu, mas como não dei trela, continuou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não aguento mais essa vida - chorou. - Acabou tudo, a graça, o brilho, o tesão. Quero morrer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então cala a boca e se mata de uma vez, ô caralho! - resmunguei, me arrependendo em seguida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acabou a graça! - gritou ela, saltitando em seu tamborete. - Fiquei ultrapassada! Dê-modê! Sou um fóssil, uma relíquia, uma pantufa velha e puída esquecida embaixo do futón, uma gravata de piano, uma...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uma porra de uma bichola chata! Porra, vai se tratar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sou bicha, sim. Bicha, viado, paneleiro, tresloucada, entrevada e pau no cu! Sou tudo isso, mas não sou mais gay. Não, não sou. Virei uma caricatura, um estereótipo, um cliché de comédia do final do século passado! Sabe por que? Sabe? Hein? Hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque ninguém agüenta mais tanta frescura junta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É! É isso aí! Gay hoje é fino, classudo, elegante, inteligente, compreensivo, refinado. E eu não, sou só uma bicha velha e descontrolada, louca pra subir na mesa e dançar que nem uma doida, fazer um pití, apalpar a bunda do gostosão da festa, fazer comentários impertinentes e sexistas pra todo mundo. E por isso estou fora de moda! Até cowboy gay é melhor que eu! Olha minhas roupas. Olha! Quem, senão uma bicha louca como eu se vestiria assim? Mas não, hoje a "comunidade gay" só veste GAP, Armani, Gucci... Como eu, essa bicha pobre e segregada vou conseguir dinheiro para esse tipo de coisa? Moro de favor num quarto-sala na Barata Ribeiro, e o pouco que ganho não dá nem pra comida, quanto mais para decoração. No meu tempo bicha levava porrada todo dia, dava o cu pra quem estivesse a fim, era o ó do borogodó. Agora não. Só vemos por aí os homossexuais finos, elegantes, bonitos e bem alimentados. São executivos, empresários, ricos. Deixamos de ser minoria, de ser diferentes, de chocar. Somos moda agora. Porra, a merda do mundo virou gay!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi a lamúria sem me manifestar, mas aquilo já estava me enchendo o saco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ô Bornay! Pára de chorar agora ou te meto a mão na cara!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Jura? Jura que faz isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O negócio é o seguinte: esquece cinema, televisão ou revista, tá? Esquece. Agora pensa: quantos gays bonitos, elegantes, educados, refinados e ricos você conhece? Pessoalmente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Taí. Mito. Lavagem cerebral da mídia. Marketing de minorias. É só ir a uma parada gay ou desfile de carnaval e perceber que a realidade é bem diferente. Vocês continuam sendo uma cambada de filhos da puta espalhafatosos, inconvenientes e desagradáveis que só estão no mundo para aporrinhar. Então pára de viadagem e vai pro teu muquifo dar o rabo pra algum pervertido e me deixa em paz, tá legal? Você ainda são uns aliens emplumados, tá certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ficha do viado demorou a cair, mas deu pra notar a hora exata que aconteceu. Os olhos cheios de maquiagem brilharam por trás do óculos, e a boca se abriu num arremedo de sorriso torto. Limpou as lágrimas, se levantou com um salto afeminado e veio correndo em minha direção, a boca já fazendo um bico, pronta para um beijo estalado. Levou um banho de cerveja antes de completar seu intento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai, meu Deus! - gritou ela, empolgada. - Obrigada! Obrigada, obrigada, obrigada... - e saiu do bar correndo a passos curtinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Trás outra, Zé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barman abriu outra cerveja e colocou em cima do balcão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que foda, hein? - disse ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pode crer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gostei do jeito que você lidou com ele. Merecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Valeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe, eu largo daqui a meia hora. Que tal se a gente fosse até meu apê? Comprei um home theater novinho, e o box de Will&amp;Grace. A gente podia assistir juntos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei uma nota em cima do balcão e levantei, sem encostar na cerveja. Ele ainda me olhou com alguma esperança embaixo daquelas sombrancelhas bem aparadas. Me virei para ele antes de sair e mostrei meu dedo do meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Te fresquêia, ô bichona!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-113777591583811283?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/113777591583811283/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=113777591583811283' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/113777591583811283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/113777591583811283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2006/01/o-crepsculo-da-bicha.html' title='O Crepúsculo da Bicha'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-113707038762746659</id><published>2006-01-12T08:39:00.000-04:00</published><updated>2006-01-12T15:30:35.106-04:00</updated><title type='text'>Simbiose</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando eu era moleque, com os hormônios fervilhando em minhas bolas, eu arrumei o esquema ideal de conquista. O senhor me conhece. Uma de minhas poucas qualidades com certeza não é a aparência, então eu podia eliminar a estratégia da mera atração espontânea de meu repertório. Além disso era tímido (ainda sou), o que também não ajudava quando era necessário fazer a abordagem. O esquema ideal surgiu mais por acaso do que por planejamento, mas pelo tempo que durou funcionou a contento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Éramos três amigos. Eu, o Manco (que não era manco, mas que ganhou o apelido após discutir com um bêbado, que o chamou de "Manco das Idéia" (sic)) e o Antenor, o gostosão do bairro, belo como um deus grego, burro feito um cachorro de beira de estrada. A amizade surgiu naturalmente, sem que forçássemos nada, e também naturalmente descobrimos nossas participações no esquema. Antenor era a isca. Manco era o puxador de assunto. Eu era o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;sidekick&lt;/span&gt;, o contra-regra, que ficava nos bastidores garantindo que tudo seria feito a contento. E funcionava, na maioria das vezes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antenor sempre atraía todas as mulheres em qualquer evento. Era a isca. Além de ser dono de uma beleza ímpar (chegou a virar modelo), era extremamente carismático, o que ajudava muito a mascarar sua completa e total ignorância dos assuntos mais básicos. Era o burro simpático, que ninguém entende por que gosta, mas que gosta mesmo sem entender. Ainda assim de vez em quando precisávamos interferir, principalmente quando percebíamos que suas asneiras podiam sair do controle e reverter o esquema vencedor. Nas vezes que era impossível evitar algum comentário especialmente grotesco, a Noite de Caça virava Noite de Briga, o que, no fundo, também tinha sua diversão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que Antenor atraía nossas presas, era hora de Manco atuar. E ele era um mestre no quesito "Tirar assuntos da cartola". Não era feio como eu, mas também não era bonito como o Antenor. Tinha um grande nariz adunco e um ego quase do mesmo tamanho que ele, mas possuía uma lábia invejável. Era mestre em fazer as mulheres se apaixonarem. Conversava a respeito de tudo, e sempre tinha alguma opinião bombástica para dar, mesmo que elaborada de última hora. Seu maior mérito era falar tanto que não dava tempo para suas vítimas pensarem a respeito. A maioria só percebia o esquema no dia seguinte, e aí já era tarde. Além disso Manco era imune ao amor. Tratava as mulheres como patos em sua alça de mira. Deixava-as literalmente de quatro, e saía andando sem pudores, pronto para a próxima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha atuação era mais discreta. Eu ficava no fundo, apenas aguardando os restos caírem da mesa, como uma rêmora presa a uma barriga de tubarão. Nunca fui bonito, nunca tive um bom papo, nunca fui imune ao amor. Eu era o que freqüentemente saía de mãos abanando, o último da fila darwiniana, mas mesmo assim me divertia muito com o esquema. E de vez em quando sobrava alguma coisa interessante para mim, e todas as noites de fracasso eram imediatamente esquecidas. Éramos o Belo Imbecil, o Feio Esperto e eu, a Rêmora Caronista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez Antenor atraiu algo incomum para ele: uma mulher linda e inteligente. Entenda, não é um pensamento machista, eu sinceramente acredito na união das duas qualidades no sexo feminino, já tendo testemunhado mais de uma vez acontecer. O lance é que não era comum esse tipo de mulher se interessar pelo Antenor. Normalmente após duas frases elas fugiam para o Manco, ou mesmo para mim (se a noite estava terminando). O lance é que ele ficou com ela, e depois a trouxe de volta para a mesa. Não me recordo seu nome, mas era uma jóia rara. Sem que me desse conta, começamos a conversar. Trocamos idéias, opiniões, impressões. Era uma conversa e uma visão deliciosas. Mesmo assim acabei beijando uma amiga dela. Naquela noite outro esquema foi naturalmente construído, mesmo que eu não tivesse percebido imediatamente. Nos dias seguintes Antenor trazia sua nova "namorada", que trazia alguma amiga para mim, além de, é claro, sua conversa deliciosa. E eu acabava ficando com suas amigas enquanto fantasiava com ela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia juntei coragem e perguntei por que ela não ficava de uma vez comigo, já que nos dávamos tão bem, e sim com o Antenor, com quem nem ao menos conversava. Sua explicação foi incrivelmente clara e cruel: "Sou muito bonita para ficar com alguém como você. Gosto de conversar com você, mas ninguém compreenderia essa contradição, e isso acabaria nos separando. E gosto demais de você para colocar tudo a perder por causa de sexo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compreendi imediatamente o esquema. Toda vez que ela beijava o Antenor, estava me beijando. E toda vez que eu beijava alguma amiga sua, beijava-a de volta. Éramos, no fundo, namorados que eliminaram o empecilho sexual do contexto. Era algo genial, calculista, sem falhas. Chorei naquela noite em minha cama, desconsolado, apaixonado, amargurado, mas na manhã seguinte racionalizei que era o melhor. Continuamos assim, ela com o Idiota, eu com as Imbecis, mas sempre juntos, mesmo sem nos tocarmos fisicamente. O Manco não entendia nada. Era esperto, mas não muito inteligente. Foram semanas mágicas e estranhas, e que estavam fadadas ao fracasso, mas não ao esquecimento, tanto que estou aqui, quinze anos depois, narrando para você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que nos separamos a amizade com Antenor e Manco também ruiu aos poucos. Antenor arrumou outra namorada, loira, burra e linda como uma pintura de Botticelli, e cometeu o ato primordial: se apaixonou. Perdemos nossa isca. Eu acabei mudando para São Paulo logo depois. Para o Manco foi mais difícil, mas as últimas notícias que tenho dele é que arrumou outro grupo de amigos e continua na luta, sem noção de sua própria idade ou do ridículo. Pelo que sei se diz feliz, mas duvido que realmente seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, a Rêmora, virei o que virei. Perdi meus tubarões, e as migalhas são cada vez mais escassas. De vez em quando penso em arrumar mais um Belo Imbecil e um Feio Esperto para me ajudar, mas aí me lembro do Manco e volto para meu casulo. Foi uma época deliciosa, das melhores da minha vida. Escrever as histórias daquela época seria o suficiente para encher uns três livros, mas sinceramente não sei se teria paciência para isso. Nostalgia vem e vai. Veio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora já foi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-113707038762746659?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/113707038762746659/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=113707038762746659' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/113707038762746659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/113707038762746659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2006/01/simbiose.html' title='Simbiose'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-113594539385250512</id><published>2005-12-30T08:18:00.000-04:00</published><updated>2005-12-30T08:30:14.513-04:00</updated><title type='text'>Resoluções</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2005 foi uma merda. Das grandes. Um ano que passou literalmente em branco, com poucas lembranças dignas de nota mínima. Passou, acabou... Foda-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega a hora de pensar em 2006. O senhor me conhece, eu não tenho a menor espectativa que uma transição numérica faça alguma diferença, mas tenho recebido tantas mensagens de ano novo felizes e esperançosas que me sinto na obrigação de retribuí-las. No meu modo chulo, escatológico e amoral, obviamente. Cheguei a redigir uma resposta ao email padrão enviado pelo presidente da empresa para todos os funcionários, mas me segurei antes de enviar. Por mais que odeie esta merda de emprego, é ele que paga minhas contas miseráveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não poderia deixar em branco esta data tão valorizada por todos, então segue abaixo a minha lista de resoluções para o ano vindouro. Vou imprimi-la e pendurar em minha baia, para "ticar" cada uma sempre que conseguir realizá-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, em 2006 eu prometo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... ser uma pessoa repugnante e anti-social, humilhando a todos indiscriminadamente e envenando quaisquer ambientes que eu esteja com meu mau-humor e meu sarcasmo patológico;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... ter menos medo do sexo oposto, e trepar sem pudores ou limitações morais. Sexo sem pensar. Sexo sem arrependimento;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... me masturbar sempre que tiver vontade, seja em casa, no escritório, no ônibus ou na fila do caixa rápido do supermercado. Me masturbar até lesionar irreversivelmente meu pulso;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... evitar ser preso por atentado violento ao pudor (de novo);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... responder com frases inteligentes e incrivelmente ofensivas a quaisquer pessoa que aparecer na minha frente, seja pedindo as horas, seja declamando Nietzsche;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... chutar a cabeça de meu chefe até que seu cérebro escorra pelas orelhas;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... parar de acreditar em política e partidos políticos definitivamente. Deixar de ter esperança em uma sociedade democrática e utópica, e ter coragem de anular meu voto na eleição;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... deixar de ser otário e tirar minha fatia do bolo público de uma vez por todas;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... não tentar parar de fumar nem de beber, pois sem meus vícios eu não tenho mais nenhuma desculpa pra continuar vivo;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... arrancar o mamilo de alguma puta apenas com os dentes;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... fazer uma coleção de baratas e pregá-las em um mural;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... dormir menos, parar de chorar sem razão e ter menos crises de autocomiseração;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... arrancar toda a roupa sempre que chegar em casa, e ficar balangando a madrugada inteira, mesmo que eu tenha alguma visita;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... castrar meu vizinho de baia para que ele pare de me interromper enquanto escrevo minhas resoluções, e para evitar que essa criatura bisonha procrie;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... fazer uma vasectomia, para evitar que EU procrie;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... gastar todo meu dinheiro em sexo, drogas e video games;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... ir até meu psiquiatra no dia 31/12/2006 e esfaqueá-lo lentamente, enquanto observo sua vida se esvair gota a gota, manchando seu carpete caríssimo, bem na frente de sua família amarrada. Obrigá-lo a assistir antes de sua morte sua esposa me fazendo um boquete, enquanto corto o cabelo dela com uma faca de pão. Estapear seu filho no rosto até que ele fique permanentemente deformado. Estuprar sua filha no cuzinho, sem vaselina. Cortar as pernas de seu cachorro. E aí então sair pelado e sujo de sangue na rua, gritando "Feliz 2007, caralho!!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até daqui um ano, Doutor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-113594539385250512?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/113594539385250512/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=113594539385250512' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/113594539385250512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/113594539385250512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2005/12/resolues.html' title='Resoluções'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-113525345946429498</id><published>2005-12-22T08:10:00.000-04:00</published><updated>2005-12-22T08:10:59.476-04:00</updated><title type='text'>Foda-se o Natal!</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;chega novamente a época dos clichês. Do velho obeso barbudo e pedófilo cercado de duendes-zumbis e viadinhos resfriados. Dos presépios malfeitos e das músicas com sininhos. De gastar o décimo terceiro em presentes e bobagens que levarão doze parcelas sem juros para serem pagas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dezembro é uma época do ano em que o brega, o cafona e o retrógrado são aceitos com sorrisos bestas nos rostos das famílias suburbanas. Somos todos enfeitiçados pelo vírus natalino. Saímos às compras, enfrentamos estacionamentos lotados de shopping centers e empurra-empurra de tias gordas e cheias de sacolas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odeio o Natal. Odeio mais do que tudo. E não por causa de um trauma ou experiência traumática (apesar delas realmente existirem, mas não vem ao caso). Sou um Scrooge do Novo Milênio, mas órfão de fantasmas do passado e futuro (os do presente não me abandonam). Minha vida não seria narrada por Dickens, e eu não viraria personagem da Disney.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou amargo, sim. Sou imune à felicidade, sim. Odeio iluminação de Natal, árvore cheia de bolas coloridas, arroz com uva passa e chester com abacaxi. Odeio sorrisos amarelos consumistas e papel de embrulho espalhado pela sala. Odeio encontro de família e tio bêbado bolinando a sobrinha adolescente. Odeio tia varizenta distribuindo pacotes. Odeio filmes de Natal. Odeio a Xuxa e o Roberto Carlos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um Câncer Natalino em remissão. Tenho crises de urticária só de imaginar a roupa do velhinho filho da puta. Aliás Papai noel é a maior prova que, sim, seus pais mentem para você. E desde que você se conhece por gente. Assim que a gente descobre que a porra do velho esquimó não existe, rui simultaneamente a confiança paterna. "Papai Noel não existe? Então para onde você mandou o meu cachorrinho? E a massagem na empregada? Ela não estava doente de verdade, estava? E por que o padeiro sempre vem aqui quando o papai tá no trabalho?". É tudo de uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia meu pai me disse: "Nesse Natal Papai noel não vem!". "Por que, pai?". "Porque a gente é pobre, caralho!", foi a resposta ébria. E ele não veio mesmo. Comemos arroz, feijão e farinha de rosca aquela noite. Baré Tuti Fruti sem gás (mas com a colher no gargalo). Televisão desligada e pai embriagado. Mãe olhando o vazio. Eu, numa última esperança, desenhei uma cena natalina numa folha e dei de presente pro meu pai. O final de cinema seria a família se abraçando aos prantos, enquanto um exércitode freiras sorridentes invadiria nossa casa cheia de presentes e com uma ceia decente. Não rolou. Meu presente foi uma surra de cinto no lombo. Pra deixar de ser besta. Pra deixar de ser criança. Eu tinha 5 anos e já sabia que o Natal não prestava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me de uma tira do Henfil, que mostrava que apenas no Natal as pessoas eram caridosas. Verdade, verdade. Eu, nem isso faço. Miséria já tenho a minha, não preciso compartilhar com ninguém. Não pedi ajuda, não vem me encher o saco!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foda-se Papai Noel. Foda-se Jesus. Foda-se, foda-se, foda-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Natal é desculpa para falsa moralidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo Natal é hipócrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que você morra engasgado com uma casca de noz, doutor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-113525345946429498?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/113525345946429498/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=113525345946429498' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/113525345946429498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/113525345946429498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2005/12/foda-se-o-natal.html' title='Foda-se o Natal!'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-113441784161723842</id><published>2005-12-12T15:55:00.000-04:00</published><updated>2005-12-12T16:04:01.633-04:00</updated><title type='text'>Sinceridades Baixas</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;festa de fim de ano do escritório. Não queria ir, não estava a fim de ver embriagados os mesmos rostos que vi transtornados o ano inteiro. Mas fui, pela famosa "livre e espontânea pressão" da gerência. Até no amigo secreto me inscreveram. O nome no papelzinho não me dizia nada, e precisei me informar antes de comprar o presente. Que aliás onerou meu orçamento de maneira desnecessária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sexta de noite, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;happy-hour yuppie&lt;/span&gt; pós-trintão. Bar bonitinho. Segurança apalpando minhas bolas na entrada. Verifica a carteira, trouxe 50g de explosivo plástico travestidos de Visa. Cerveja cara. Comida fresca. Peguei uma caipirinha e encostei no balcão do bar. Logo estava cercado de coroas desconfortáveis, ainda calibrando a timidez com goles curtos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antunes, da contabilidade, foi o primeiro a puxar papo comigo. Gravata aberta. Careca sublimando suor, como se tivesse empurrado carvão num alto forno o dia inteiro. Os ralos cabelos do lado das orelhas arrepiados. E a noite mal tinha começado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Odeio essa merda - disse ele sob o bigode.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Qual delas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Essa porra de empresa, essa porra de festa, essa cagada que é minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pelo menos não preciso ir pra casa e ver corrida de homem pelado. Vaca, piranha. Dando pro porteiro! E o Gordo, você viu? Filho da puta. Tenho vontade de matá-lo. Pior é que tirei ele de amigo secreto e tenho que abraçar o corno. Gastei metade do meu décimo terceiro no presente dele. Mas é chefe, vou fazer o quê? Não posso me dar ao luxo de perder o emprego. Não com a vaca estourando meu cartão de crédito todo mês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele foi embora, ainda reclamando. Chegou logo depois o Jonas, colega de mesmo grau hierárquico que eu. Parou do meu lado e ficou quieto por um tempo. Virou a cerveja e pediu outra. Bebeu mais dois goles antes de finalmente abrir a conversa. Estava vestindo um terno impecável. Mas suas orelhas escorriam merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não vou com tua cara - disse, finalmente, sacudindo o vasilhame na direção do meu rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hã?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você me ouviu. Se eu pudesse te chutava da empresa agora mesmo. Te deixava sem um puto, pra morrer na rua. Ainda pagava uma grana pra arrumar um negão pra te enrabar. Filho duma puta. Você é um cocô de cachorro. Um bosta. Um cretino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu queria responder, mas a merda nas orelhas estava me distraindo. Além do mais sempre que ele abria a boca parecia que eu levava um tapa fedorento. Suor. Bílis. Vômito. Excrementos sortidos. Além disso ele ficava esfregando a própria virilha obsessivamente, o que não auxiliava em nada a minha concentração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fodi tua mãe antes do café da manhã - continuou ele. - Teu pai assistiu tudo, o viado. Sabe a pilha de papéis que deixei na tua mesa hoje de manhã? Tudo bobagem. Qualquer macaco treinado saberia fazer esse trabalho. Mas se você não fizer no prazo te arregaço com um cabo de vassoura. Você vai ver. Quando eu for teu chefe, tu tá na rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele continuou por um tempo, e depois foi embora. Até se despediu, saindo em direção à roda dos gerentes, ainda puxando o próprio saco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A caipirinha terminou. Pedi mais uma. Senti alguém parando ao meu lado. Era Cláudia, do Marketing. Ela sorria. De sua boca cheia de batom escorria uma gosma branca. Os cabelos estavam despenteados e a maquiagem borrada. Ah, e ela estava completamente nua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá aproveitando, hein? - disse eu, esperançoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é pro teu bico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não me fala em bico... - continuei minha carga, sem conseguir tirar os olhos daqueles peitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dou pra todo mundo no escritório - disse ela. - Já chupei até o faxineiro. Dei o cu para o Mendonça. Fiz uma espanhola pro Sassá, da Controladoria. Trepei com meia dúzia em cima da máquina de xerox, minha bunda tirando uma cópia a cada penetrada. Já tenho impressa uma bíblia pornô em preto e branco. Mas pra você eu não dou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem ouvi direito. As palavras estavam saindo de sua vulva, e os grandes lábios não são muito articulados. Talvez falte uma língua...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você me assusta - ela continuou. - Mas não do jeito bom. Não. Do jeito ruim. Quando quero brochar penso em você cagando. Seca tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não fala assim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tchau. Vou dar pro Vice Presidente hoje. Viu o carrão dele? Amanhã eu vou te dar ordens, seu filho da puta asqueroso. Vou fazer você lamber as privadas, seu merdinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Também te amo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi embora. Assim que virou a bunda soltou um peido barulhento. Cheirei. Cashmere Bouquet. Eu sabia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou a entrega dos presentes. Durante as descrições dos presenteados eu não ouvia uma única palavra. Até que de repente todos explodiam e gritavam um nome. Aí quando o presenteado agradecia o silêncio retornava. E depois o ciclo se repetia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma hora explodiram "Zebedeu", mas foi uma explosão pífia, que nem um traque molhado. Quem me tirou foi o Pascoal, gerente de relacionamentos. Assim que peguei o pacote descobri que era um livro. Abri o pacote. O título era: "Vai tomar no cu, seu merda ignorante! Espero que você morra engasgado em seu prórpio vômito!". As páginas eram de papel higiênico usado. Mesmo assim agradeci, e sem enrolar muito chamei o meu amigo secreto. Era a Joana, a recepcionista. Ela não escondeu a decepção, e arrancou o pacote de minhas mãos. A foto saiu uma porcaria. Ela abriu e viu o jogo de brincos e colar de bijuteria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Puta que o pariu! - gritou. - Que coisa horrorosa! Eu não daria isso pra empregada da minha empregada! Caralho, vai ter mal gosto assim no inferno! Espero que você tenha guardado a nota fiscal, porque eu não uso esse lixo nem na Festa do Ridículo! Vai se foder! Gastei uma puta grana no meu presente e é isso que eu ganho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bebi mais duas caipirinhas, paguei uma fortuna e fui pra casa. Liguei pra um Disk Sexo e fiquei ouvindo mentiras a noite toda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega de sinceridade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-113441784161723842?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/113441784161723842/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=113441784161723842' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/113441784161723842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/113441784161723842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2005/12/sinceridades-baixas.html' title='Sinceridades Baixas'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-113383377295155469</id><published>2005-12-05T21:41:00.000-04:00</published><updated>2005-12-05T21:54:59.470-04:00</updated><title type='text'>Surfando na Bruna</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a nova celebridade instantânea do momento é a tal da Bruna Surfistinha. Aquela mesmo que deu e contou, em blog e em livro. Deu, escreveu, e o pau comeu. Largou a vida e estourou. Bruna virou Raquel. Raquel virou celebridade, aproveitando seus quinze minutos de Warhol. E está aí, em programas de televisão, revistas, jornais, e principalmente em seu insuportável livro, que pipoca em todo canto como uma doença venérea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não estou aqui afiando um discurso moralista. Não tenho nada contra as prostitutas. Pessoalmente acho degradante para todos os envolvidos na negociata fornicante. Não tem tesão, não tem desejo. Tem lubrificante e gozo falso. Tem depressão pós coito. Tem voltar pra casa e se odiar no espelho. Mas cada um é cada um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando à puta escritora. Não sei até que ponto isso foi algo planejado ou se foi acidental, mas duvido muito desta última. De novo, nada contra quem faz sucesso com o próprio trabalho. Ela foi esperta. Eu sou uma anta que ainda não saiu do blog. Talvez seja inveja, mas também duvido muito. O lance é que não curto a hipocrisia com que o assunto é tratado, como se de repente ela se tornasse uma expert no sexo só porque cobrou pra ser currada por algum velho tarado ou moleque inepto. Proclama que seu texto é um alerta. Mas com a naturalidade que ela fala, o tiro sai pela culatra. Seu aviso se torna sedutor. Seu alarme é erótico, proibido, excitante. Atrai. Pra caralho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senhor bem sabe que não sou nenhum misógino ou impotente frustrado. Gosto de sexo. Gosto de dar uma trepada das boas, extrapolar os limites, fazer as paredes tremerem. Tampouco acho que sexo é algum tabu. O lance não é este. Certa vez disse aqui mesmo neste blog que o sexo era algo excessivamente mistificado, e ainda penso assim. Mas daí a glorificar uma profissão degradante em todos os sentidos é demais. Ou você acha que a maioria das putas estão lá por tesão? Ou que elas te acham gostoso como dizem? Se fosse assim, garanto que não cobrariam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mercado da prostituição não sairá abalado com as declarações da ex-puta. Não enquanto houverem homens incompetentes e com sensos de realidade deturpados. No final é apenas uma saída à miséria, e não tem nada de errado em querer alimentar os filhos (sim, puta tem filho, e não é força de expressão chula). Mas até aí garanto que não tem nada a ser glorificado. Orgulho pode ser, da mesma maneira que um alpinista mostra com orgulho as cicatrizes e os dedos amputados depois de escalar um Everest da vida. Mas não é glamuroso, não é atraente. Cacete, nem erótico é! Encaremos a realidade: Prostituição nada mais é que um estupro consentido, uma exploração amoral e baixa da miséria alheia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já fui em puteiros. Uma vez, durante uma despedida de solteiro, estacionei no bar enquanto os mauricinhos se esbaldavam, sentindo-se fortes, viris, pintudos, superiores às mulherzinhas que estavam lá apenas para receber sua porra mágica. Bati um longo papo com o barman, até que fui abordado por uma das meninas. Obviamente ela perguntou se eu queria um programa, que eu neguei. Sentou do meu lado e pediu que lhe pagasse uma bebida. Concordei. Ela até tentou insistir, e percebi que a noite deveria estar fraca demais pra ela precisar investir tanto em mim. Juro que quase cedi, mas não por tesão, e sim por piedade. E piedade não é algo erótico, apenas para ilustrar o que já disse antes. Pois bem, depois de algum tempo ela desistiu, mas não foi embora. Não tinha mais nenhum cliente livre. A noite acabara. Conversamos. Foi uma conversa simplória como uma conversa de vizinhos, apesar de nenhuma vizinha minha conversar com os seios nus (que eu saiba...). Ela me mostrou a foto dos filhos. Da mãe. Do terreno num barranco que queria comprar. Me mostrou o carnê atrasado da geladeira. Rimos, contamos piadas, nos divertimos. No final ela disse que tinha gostado de mim, e que daria o "serviço" de graça se eu quisesse. Recusei de novo. Como ficar de pau duro depois daquele banho de realidade? Dei-lhe um beijo no rosto e fui embora. Nunca mais nos vimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lance da Bruna Surfistinha é o seguinte: ela é a puta mostrando as fotos. Enquanto está mostrando tudo, sorrimos, protegidos por nosso distanciamento. Daí desviamos o olhar, e a puta continua lá, por mais que num instante ela se sinta quase "normal". Mas a Vida é cruel. Não tem saída fácil. Bruna virou Raquel, mas Raquel ainda é uma puta, e vai ser pro resto de sua vida, por mais que teime em dizer que se aposentou. Porque ela provou algo mais que um milhar de cacetes. Provou da grana, da fama. E quando os leitores e telespectadores derem um beijo de despedida em seu rosto e irem embora, para onde você acha que ela vai voltar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não, meninas, isso não é nada glamuroso. Não interessa o que a Nova, Marie Claire ou TPM possam dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Força, Raquel. Torço por você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, por favor, cale essa matraca antes que seja tarde demais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-113383377295155469?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/113383377295155469/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=113383377295155469' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/113383377295155469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/113383377295155469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2005/12/surfando-na-bruna.html' title='Surfando na Bruna'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-113375405129768434</id><published>2005-12-04T23:39:00.000-04:00</published><updated>2005-12-04T23:49:48.153-04:00</updated><title type='text'>Ressaca</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estou aqui. Uma da manhã, e louco para escrever alguma coisa, mas nada sai. Nada rola, nada flui. Escrevi duzentas linhas, apaguei trocentas. Estou aqui, querendo nada, querendo algo, não tendo nada, não vindo nada. Quero beber, mas não tenho vontade de beber nada em específico. Quero comer, mas não tenho apetite. Mais um cigarro por conta disso. Tenho fumado demais. Tenho bebido demais. Tenho trepado pouco. Ou nada, mas é difícil separar a imaginação da realidade. Acho que enrabei a secretária de meu chefe semana passada, mas não sei se isso não passou de uma punheta no chuveiro. Belos peitos, bela bunda, cara de safada. Feia, muito feia. Feia gostosa. Feia linda. Não mereço. Nem quero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está escuro. O único abajur aceso é o monitor do computador. Digitar no escuro dói a vista. As hemorróidas estão queitas. Cortei a pimenta, isso ajudou. Estou de cuecas. Não quero ficar nu. Meu corpo me brocha. Quando escrevo tenho tesão, mas meu pau encolhe. Cabeça errada funcionando. E como digito com as duas mãos, não sobra nenhuma pra me excitar. Estou vazio. Estou cheio de estar vazio. Onde eu estou? Essa casa, esse lugar, essa merda não tem significado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero ler, mas assim que pego um livro me injurio com dois parágrafos. Não, não, não é isso. Não é o que eu quero. Sai pra lá, escritor de merda. Vai se foder você e seu ego. Tua obra fede. Você é um bosta. Eu sou um bosta. Odeio televisão, odeio odeio odeio odeio eu. Odeio estar acordado à uma da manhã tendo que acordar às sete. E pra que? Pra quê, porra? Pra empilhar mais coisas na minha cabeça cheia. Pra empurrar mais contas com a barriga. Pra encolher mais o pau com barangas frias do escritório. Pra aumentar minha tendinite, até que eu possa pedir uma aposentadoria por invalidez. Inválido já sou. Só não o suficiente para me aposentar. Ainda não sou miserável o suficiente. Sou matéria prima útil. Como matéria fecal. Como merda. Não gosto do gosto, mas ela desce bem, e já está digerida. Não engorda. Não alimenta, mas não engorda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rádio começa a cantar "In the Flesh?". Não. Não é carne. Espírito é desculpa. É epiderme. É invólucro. Confinamento. Claustrofobia eptelial. Crisálida que não seca. E eu preso nessa capa morta e fedorenta. Onde? Como? Por que fazemos perguntas quando só o que queremos é respostas? Quisera eu fosse assim fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já mijei a cerveja. Não tenho nada pra usar de desculpa. Esse sou eu, eu mesmo, sem limites, sem barreiras. Eu de verdade. Bela porcaria. Coisa inútil, lamurienta e sem nenhum conteúdo. Mas escrevo. Escrevo para alguém ler. Não quero ser compreendido, nem tampouco salvo. Quero ser lido, criticado e execrado. Quero ouvir alguém dizer: "Você só escreve merda!". Aí beijo aquela boca crítica de língua, chupo seu veneno e depois mato o desgraçado. Uma cabeçada. Uma joelhada e muitos chutes e socos. Escrevo "merda" em suas costas com uma faca pouco afiada e chuto sua cabeça até espalhar seus miolos no chão. Escrevo merda na merda que você é. Aí bato uma punheta e esporro em seu cérebro. Você é só um porra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso não acontece. Meus críticos tem medo. Quem me lê acha que me entende, mas na verdade apenas curtem o escritor tresloucado da mesma maneira que a um gorila arremessando pedaços de cocô na platéia. É divertido, vamos tomar um sorvete? Risadas pro palhaço e seu espetáculo sofrível. Tragédia alheia é colírio no cu dos outros. Alimenta o conformismo. Estou mal, mas tem pior, pensam. Foda-se. Está mal e vai morrer na merda. Eu não. Eu vivo na merda, e cago pra tua vida miserável. Não tenho nada a perder com a morte. Não tenho vínculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é sempre uma merda pra quem pensa demais, e eu penso demais. Ignorância é bênção? Porra nenhuma. Prefiro abrir os olhos e ficar deprimido do que passar oitenta anos como um cego deslumbrado. Nascer, crescer, namorar, noivar, arrumar um emprego, casar, ter filhos, envelhecer, enviuvar, definhar e morrer? Tá, qual a porra da novidade? Todo mundo já fez isso. É chato. É monótono. É cretino. É animalesco, intuitivo, idiota. Somos idiotas seguindo instintivamente nosso código genético. Pau pra fora, homens! Temos genes a espalhar! Precisamos perpetuar a mesmice. Precisamos continuar fazendo o que fazemos há milênios. Tecnologia é preguiça institucionalizada. O básico é suor, sangue, porra e merda. O resto é firula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria ser um monstro, mas sou apenas um pária fraco. As pessoas não fogem de mim, nem quando as espanto. Acham bonitinho. Acham divertido. Acham genial. Acho que vou vomitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é minha alma o que você está lendo. Quer uma alma vá a um centro espírita. Ou morra e procure a sua. Não venha até aqui a procura de respostas. Não venha me perguntar nada. Eu não sei merda nenhuma. Eu só escrevo. Eu só escrevo. E escrevo mal. Não sei ligar idéias, não sei fazer argumentos. Sou só um merda, louco pra acionar o pau e despejar minha papa genética em alguma boceta receptiva. Sou bicho, assumo. Sou preguiçoso, confesso. Quero que você se foda. Quero mesmo. Você e suas idéias medíocres. Não venha com papo. Não quero consolo, não quero que me compreendam. Só quero escrever, sem saber o que. Um dia eu leio tudo isso, mas não hoje. Hoje eu despejo o que penso ininterruptamente. Nem olho a tela, nem tiro os olhos do teclado. Frases curtas, mal redigidas, nem verso nem nexo. Gemido de coito. Coito inexistente. Vai e vém cheio de grunhidos. Escarro em sua cara. Gosma por gosma pega uma de cada ponta. É isso que você quer? Pra quê? Pra ter prazer? Não tô nem aí pro teu prazer. Meu prazer é ver tua cara de frustrada, sem gozo e recheada de catarro e porra , cujos espermatozóides vão morrer daqui a pouco, pois não tem óvulo no teu útero cheio de pílulas. Sorte deles. Queria ter essa sorte. Mas não sou nem uma gota de porra. Sou só a torneira. O transportador. Sou barrigudo sim, e daí? Chupa minha torneira. Engole a porra, que faz bem pra pele. Não faz? Então pra quê engolir, cretina? Pra fazer os micro-girinos passarem por uma maratona sem linha de chegada? Tadinhos. Estúpidos seres com meia carga genética. Zigotos. Nome feio pra uma coisa tão estranha. DNA com rabo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma e meia da manhã. Chega. Vou tomar um Valium com cerveja vencida. Espero que não acorde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu sei que vou acordar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí começa tudo de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De ressaca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De novo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-113375405129768434?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/113375405129768434/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=113375405129768434' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/113375405129768434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/113375405129768434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2005/12/ressaca.html' title='Ressaca'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-113344260328422061</id><published>2005-12-01T09:03:00.000-04:00</published><updated>2005-12-01T09:10:03.296-04:00</updated><title type='text'>Analogias Deputáticas</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o que o senhor faria se descobrisse que, de alguma maneira, eu venho roubando seu dinheiro? Diretamente de sua carteira, na maior caruda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou então utilizando seus serviços como maneira de justificar algum golpe em uma seguradora, adulterando suas notas para conseguir um reembolso maior? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou que eu bolei um esquema para que seus pacientes se beneficiassem de alguma maneira monetária de suas consultas, ficando com uma parte dos ganhos "por fora"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você chamaria a polícia, não é? E eu seria imediatamente preso. Poderia até rolar um julgamento, caso você não conseguisse um flagrante, mas no final eu teria que ressarci-lo de seu prejuízo e em seguida passar alguns dias sendo currado pelo Mano Pé-De-Mesa no Cadeião de Pinheiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, imagine que num lapso estranho você tenha de algum modo me contratado para trabalhar em seu consultório (calma, é apenas hipotético) e descobrisse que desde que eu fui contratado eu usei o nome de sua empresa para retirar lucro em transações escusas. Tipo, vendendo remédios tarja preta para drogados, que eu consegui negociando parcerias com fornecedores. Parcerias que nunca se realizaram, mas que garantiam uma cota de "amostras grátis" semanal. O que o senhor faria? Me despediria por justa causa, e de novo chamaria a polícia. E eu seria preso e nunca mais conseguiria um emprego decente em minha vida. Literalmente viraria mendigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, todo esse lance acima foi para fazer uma analogia com a papagaiada que acontece no congresso nacional desde que me conheço por gente. A cassação do Zé Dirceu ontem foi apenas mais um dos atos dessa tragédia interminável que é nosso governo. Acompanhei o ritual de cassação do começo ao fim, como se fosse o penúltimo capítulo de uma novela ruim. Assisti cada discurso, até mesmo o apaixonado do réu, que mais serviu como um canto do cisne do que como defesa efetiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final, prevaleceu a opinião pública, que só é consultada quando convém, e ele foi cassado. Oito anos inelegível. Alguns no congresso comemoraram como se fosse final de copa do mundo. Outros ficaram deprimidos por terem cortado na própria carne. O povo exultou: "Mais bengaladas!". E o recém-caudilho-ex-bolchevique-de-cavanhaque saiu do palco, derrotado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu achei desse teatro todo? Foi pouco. Muito pouco. Porque diferente de um funcionário qualquer pego roubando, ele foi demitido e voltou pra casa, pra família, para umas férias de oito anos, bobear remuneradas. Não teve cadeia. Não teve algema. Não teve calça bege e camiseta branca. Não teve curra do Mano Pé-De-Mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ah, mas são coisas diferentes", você me diz, e eu concordo plenamente. É muito pior no caso deles. Pois eles estão lá num cargo de confiança do povo. É, de nós, os babacas, o gado, a massa ignorante. Nós confiamos nesses merdas para gerenciar nosso país. Nós demos a eles o poder para fazer a diferença. E quando os pegamos abusando desta confiança não queremos que eles levem um tapinha na mão e pronto. Queremos que eles sofram no mínimo o mesmo que nós, anônimos idiotas. Queremos que eles tenham suas vidas arrasadas, devastadas, humilhadas. Que devolvam todo o dinheiro. Cada centavo. Que sofram com fome, dívidas e nome sujo na praça, incapazes de fazer um crediário de um microondas nas Casas Bahia. Que passem frio na fila do INSS. Que vejam sua aposentadoria ser retalhada. Que paguem por seus crimes com penas coerentes. Pois nós, quando escorregamos, comumente pagamos com juros excessivos. Que vantagem eles tem sobre nós?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senhor conhece a teoria do Canibalismo Compulsório? É assim: se cada pessoa fosse obrigada a comer o que mata, os assassinatos diminuiriam bastante. Pois obriguemos eles a comerem a merda que semearam! Façamos da vida deles um inferno. Tragam eles para o nosso lado, e deixem-nos viver o resto da vida como um proletário com salário minguado. Isso sim é uma punição exemplar. Garanto que esses filhos da puta pensariam mais de cem vezes antes de armar mais um golpe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tapinha na mão não educa nem moleque de 5 anos. Tem que enfiar um braço no cu deles. Temos que fazer esses cretinos terem medo da gente. Sem bengaladas ou caras-pintadas que isso é piada jornalística. Temos que deixar bem claro que esses filhos da puta são nossos funcionários, e que se eles vacilarem a gente acaba com a vida deles. É o nosso dinheiro que eles estão brincando. Nosso! Sem desculpas malufistas de "rouba mas faz". Faça sem roubar! É para isso que você foi eleito e é pornograficamente bem pago! Então faça direito, ou então nós fodemos sua vida literalmente de verde e amarelo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Democracia só funciona quando o governo tem medo do povo. Chega de sermos cordeiros ou psicopatas enrustidos. Chega de retóricas panfletárias. Chega de frases de ordem em cima de caminhões na frente de fábricas. Chega de papo. Tropeçou a gente chuta a cabeça. Vacilou a gente enfia uma faca nas tripas. Mexeu no meu, o pau comeu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí quem sabe essa merda não anda?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-113344260328422061?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/113344260328422061/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=113344260328422061' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/113344260328422061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/113344260328422061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2005/12/analogias-deputticas.html' title='Analogias Deputáticas'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-113326038803107613</id><published>2005-11-29T06:24:00.000-04:00</published><updated>2005-11-29T06:36:57.453-04:00</updated><title type='text'>Remelas Reincidentes</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está difícil dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não por causa de remédios nem nada disso. É algo diferente, que nunca senti antes. Já tive insônia, o senhor bem sabe disso, mas o fato é que desta vez eu não consigo precisar a razão. É simplesmente algo que me incomoda, como um comichão permanente no cérebro. Você sabe que as coisas não estão andando bem quando se pega lavando louça às quatro da manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já ouvi falar que os maiores gênios da humanidade sofriam de insônia. Agora eu pergunto: se todo gênio é insone, por que nem todo insone é gênio? Sou contra aquela máxima que diz que dormir é perda de tempo. Eu gosto de dormir. Torna o dia mais curto, e com menos espaço para o sofrimento arrastado que é minha vida. Mas isso é papo de depressivo, e o sintoma em pauta é outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Televisão de madrugada é uma coisa bizarra. É o submundo da grade de programação. Tudo aquilo que o telespectador médio não tem estômago para assistir em horário nobre é despejado na madrugada. Filmes ruins, séries jurássicas e datadas, programas bizarros e muita, mas muita reprise. No rádio não é diferente. Lembro um dia que o DJ disse que estava na maior ressaca, e que já que não tinha ninguém escutando àquela hora, ele ia tirar uma soneca. Para não ficar em silêncio a noite toda, deixou um disco do Pink Floyd rolando em repetição. Pelo que sei ele não foi punido por isso, ou porque REALMENTE não tinha ninguém além de mim ouvindo, ou porque há mais fãs de Pink Floyd insones do que eu imagino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ultimamente tenho tirado minhas madrugadas para escrever. É, doutor, até pornografia cansa, principalmente quando se começa a descer a ladeira da vida. Um dia, quando era moleque, flagrei meu pai se masturbando no banheiro com uma Playboy da Cláudia Raia, e aquilo foi um bocado deprimente. Ele já tinha passado dos 50, e pelo estado de minha mãe era até compreensível. Mas sempre que vejo os pés de galinha se acumularem nos cantos de meus olhos e os fios grisalhos começando a surgir em minha têmpora, é exatamente aquela imagem do velho pelancudo socando uma de olhos arregalados e boca aberta que invade minha mente. Cláudia Raia que me desculpe, mas velho punheteiro é de broxar qualquer um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas voltando ao meu novo hobby. O grande culpado é este blog, que em sua tecnologia obscura permite às pessoas que entram leiam e comentem meus textos. Comecei a acreditar que escrevo bem, e daí para começar a escrever seriamente foi um pulo no abismo. Todo dia eu escrevo entre duas e dez páginas de texto. Biográficos. Ficções. Pensamentos. Escarros e esporradas. E por alguma razão bizarra guardo tudo em uma pasta em meu disco rígido. Talvez para uma posteridade qualquer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho pretensões de publicar um livro. Não me interessa que outros leiam o que escrevo. Não escrevo para ser lido, mas para preencher minhas noites sem poesia. Não, não escrevo mais poemas. Essa merda eu larguei faz tempo, e não pretendo voltar. Poesia é uma masturbação mental sem orgasmo no final. Coisa de viado. Coisa de otário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja por isso que eu tenha deixado o blog meio às moscas nesse último mês. Tava de bode, tava de saco cheio. O que eu queria escrever não queria que o senhor lesse. Ainda não quero. Mas é uma coisa que me liberta, me tranqüiliza muito mais que os tarja preta que o senhor me receita. Sem planos, sem elaborações. Apenos sento na frente do computador e deixo o cérebro vomitar letras, como estou fazendo agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criei um personagem. Sou eu mesmo, mas sem freios, sem escrúpulos, totalmente amoral, mas livre no mundo, e não confinado em minha bolha de mediocridade. Coloco-o em situações que já me enervaram no passado e faço com que ele reaja do jeito que eu gostaria de ter feito na mesma situação. Voam sangue, tripas e fluidos corpóreos diversos. Assassinatos. Estupros. Torturas. Escatologia e epifania. Epinefrina e tubaína sem gás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim passo os dias. Com o sol, sou o proletário pau mandado de sempre. De noite sou um escritor frustrado, insone e bodeado com pornografia. Haja cigarro e vinho barato. Haja hemorróida e tendinite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durma-se com um zumbido desses.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-113326038803107613?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/113326038803107613/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=113326038803107613' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/113326038803107613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/113326038803107613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2005/11/remelas-reincidentes.html' title='Remelas Reincidentes'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-112971754938328289</id><published>2005-10-19T06:25:00.000-04:00</published><updated>2005-10-19T12:42:56.163-04:00</updated><title type='text'>Fodendo o Referendo</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deixemos de lado se sim ou se não. Esqueçamos por um momento ideologias panfletárias ou discursos apaixonados. Ignoremos caubóis ou hipongos temporões e raciocinemos. O cu é mais embaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me perguntaram alguma vez se eu era a favor ou contra o aumento da carga tributária? Ou mesmo o aumento do salário mínimo? Ou então o aumento do salário dos congressistas? Ou se eu achava realmente útil deixar de rodar um dia da semana com meu carro? Ou então... Vou parar, pois a lista é grande, e acho que você já foi capaz de me entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referendos nada mais são do que atestados de incompetência do poder legislativo de um país. São uma manobra populista de baixíssimo nível, que dá ao cidadão a falsa impressão de estar influindo com o destino da nação, interferindo na criação e manutenção das leis. A pergunta é: se é necessário um referendo para se tomar uma decisão tão estúpida quanto a que é proposta, por que não aplicar a mesma medida com todo o resto? Por que não fechar de uma vez o congresso, demitir todos os deputados e vereadores, colocar um macaco treinado no poder, e deixar todas as decisões para o povo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu respondo: a voz do povo é o coro da ignorância. Me incluo neste balaio. Não temos competência para julgamentos deste tipo. É por isso que a democracia necessita tanto de líderes. Se deixarmos na mão do povo, cedo ou tarde a anarquia se alimentará de si própria, e o caos reinará absoluto. Alguém já disse que a inteligência de um povo é inversamente proporcional ao tamanho da turba. E num país que por tanto tempo foi governado por coronéis que consideravam a ignorância uma bênção para o povo, pois assim eles podiam deiar e rolar incólumes, esta verdade é quase profética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tem mais. Deixemos agora de lado a cretinice do tal referendo, e nos concentremos no dito cujo. Façamos um exercício mental a respeito de perguntas indutivas (você vai adorar esta, doutor!). Imaginemos que a pergunta do referendo não seja a respeito do comércio de armas de fogo, mas a seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Você é a favor do sexo com sua mãe?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Garanto que a maioria se levantaria e responderia um retumbante "NÃO!", sem pensar no fato que, se não houvesse sexo com mães eles provavelmente nem teriam nascido. É uma pergunta que deixa margem a uma infinidade de perguntas e interpretações, que o eleitorado normalmente não se preocupa em responder antes de apertar o botãozinho barulhento do microondas eleitoral. Principalmente porque toda informação que eles têm provêm de campanhas idiotas e sem objetivo claro, seja por um lado, seja por outro. Sim, voltamos a falar de armas. Pode esquecer sua mãe, doutor. Come ela mais tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bandeira do SIM é a diminuição da violência. O que esqueceram de dizer é que, caso não exista mais comércio de armas de fogo, quando alguém quiser/precisar/desejar comprar uma irá diretamente para o mercado negro. Pela lei da oferta e da procura, isso indubitavelmente provocará um aumento do tráfico de armas e munições, e conseqüentemente o aumento da violência, com guerras em favelas semelhantes a do tráfico de drogas. As próprias drogas são o exemplo vivo e diário disso. Desde que foram declaradas ilegais, no final dos anos sessenta, o consumo de drogas cresceu exponencialmente no mundo todo. De um bando de cabeludos fedorentos querendo tirar uma onda de abrir portas da percepção o tráfico de drogas se tornou um dos negócios mais lucrativos do mundo, independente de Guerras ao Tráfico ou campanhas de conscientização que beiram o patético. Ou seja: proibir simplesmente NÃO FUNCIONA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o reacionário NÃO levanta uma bandeira hipócrita: o cerceamento dos direitos. Isso é bobagem sem tamanho. Direitos são adquiridos e revogados todos os dias. O direito de ir e vir é garantido em constituição e na Declaração Universal dos Direitos do Homem, mas mesmo assim vemos presídios superlotados de pessoas que perderam esses direitos por qualquer razão. Da mesma maneira o direito à vida é desrespeitado em diversos lugares no mundo onde é legal a pena de morte. Direitos são conquistas, e não presentes. E a população tem sim o direito de escolher a quais pode ou não pode ter. É uma retórica imbecil e ultrapassada. De novo, NÃO FUNCIONA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no meio de tudo isso estamos nós, testemunhando a falência da competência de nossos legisladores eleitos, que jogam em nossa cara farelos de pão seco e dizem que estão matando nossa fome, e bombardeados de ambos os lados com discursos sem pé nem cabeça a respeito de um assunto que, sinceramente, não temos competência para tratar. É para isso que eles foram eleitos, e pelo qual são exageradamente bem pagos. Então ao invés de encher nosso saco e tomar nossos domingos fazendo perguntas cretinas, por que eles não mexem as bundas e começam a trabalhar de verdade? Isso é democracia, e não essa piada que armaram e travestiram em rede nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E isso não é discurso de quem tem preguiça de votar. Eu iria de bom grado se soubesse que ia fazer alguma diferença. Mas não faz. E nunca fará. Por isso vou votar em branco no referendo. E conclamo a todos que eu sei que estão lendo isso que me sigam. Não é voto em branco, é o voto FODA-SE! Se conseguirmos mais de 50% de votos FODA-SE! este referendo vai pro saco, e os imbecis eleitos vão ser obrigados a trabalhar. Aliás, foi exatamente para isso que eles foram eleitos, e não para votarem o aumento dos próprios salários. EU não tenho esse direito, tenho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensa nisso, doutor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-112971754938328289?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/112971754938328289/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=112971754938328289' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/112971754938328289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/112971754938328289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2005/10/fodendo-o-referendo.html' title='Fodendo o Referendo'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-112848475116486128</id><published>2005-10-04T23:57:00.000-04:00</published><updated>2005-10-04T23:59:11.170-04:00</updated><title type='text'>Hein?</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje acordei feliz. Saltei da cama, lavei o rosto e sorri para meu reflexo. Saltitei até a cozinha e preparei um café da manhã reforçado. Tomei um banho demorado, me troquei e fui trabalhar. No trânsito nem me preocupei com a morosidade. Ouvi música e até cantarolei. Cumprimentei o porteiro do edifício, e subi até o escritório. Chegando lá distribuí bom dias e tomei um café solúvel sem reclamar do gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando sentei na frente do computador, senti vontade de escrever um poema. Escrevi, reli e adorei. Era bonito, era engrandecedor, tinha uma mensagem otimista. Trabalhei cantarolando hits dos anos 80, e quando acabou o expediente vim para casa. Não conseguia entender aquela alegria toda! Como eu, justo eu!, poderia estar tão feliz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só realmente compreendi pouco antes da hora de dormir (ou seja, há 15 minutos). Foi quando eu peguei a caixa com os remédios tarja preta que você me prescreve toda vez. Tinha uma novidade lá. Uma caixinha linda, com letras azuis bonitas sobre um fundo amarelo claro. Era o remédio novo que você tinha me receitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora estou aqui, me recusando a ir dormir até o efeito passar. Porque ele vai passar. E quando acontecer, Doutor, me aguarde. Vou até aí e cubro você de beijos... quero dizer, de murros! Sufoco você em uma pilha de ursinhos de pelúcia fofinhos... quero dizer, num monte de cocô! Quero dizer, MERDA! Ai, que horror...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra você aprender a não me usar de cobaia pra esses anti-depressivos novos, seu safadinho! Quero dizer, deu filho duma... Ah, deixa pra lá, que agora está passando uma reprise de Friends, e eu não posso perder!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, provei da sua alegria e não gostei. Quero dizer, gostei. Só não gostei do que virei. Ou gostei?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BOSTA!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, que horror...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-112848475116486128?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/112848475116486128/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=112848475116486128' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/112848475116486128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/112848475116486128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2005/10/hein.html' title='Hein?'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-112787248302943541</id><published>2005-09-27T21:51:00.000-04:00</published><updated>2005-09-27T21:54:43.040-04:00</updated><title type='text'>Chutando Ubaldo</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje foi dia de rodízio, e como não suporto ficar no escritório até tarde sem motivo algum (e nem um pouco a fim de trabalhar mais sem ganhar hora extra), fui até o carro. Normalmente passo as três horas seguintes ouvindo música ou lendo um livro. Mas, além do frio, eu tinha esquecido minhas fitas (é, sou pobre!) e material para leitura. Na rádio só passava a mesma merda de sempre. Então liguei o carro e fui até o shopping mais próximo, pois lá tem uma daquelas livrarias imensas em que deixam a gente ler os livros sem pagar nada. Biblioteca chique.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parei o carro na rua pois não tinha os quatro reais do estacionamento, e fugi do flanelinha, entrando na livraria pela porta dos fundos. Era um café, e pessoas bonitas e bem vestidas afastavam o frio com &lt;span style="font-style:italic;"&gt;capuccinos &lt;/span&gt;cheios de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;chantilly&lt;/span&gt;. Me senti invisível por um momento. Era uma verruga peluda e cancerosa em uma pele aveludada, que ninguém fazia questão alguma de olhar. Um garçom apressado com a bandeja forrada de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;croissants &lt;/span&gt;passou zunindo por mim. Continuei andando, esfregando o frio das mãos. Passei pela seção de informática sem realmente ver nada, e fui até a seção de revistas. Duas horas e meia de leitura, não dava pra atacar um livro. Passei por revistas masculinas e de moda sem realmente me interessar, até achar uma coisa que imaginava que não existisse mais: uma MAD. Carreguei a revista até o sofá duro e desconfortável ao lado do caixa (o único desocupado) e comecei a ler. Imediatamente percebi que, se a MAD não tinha acabado nos anos oitenta, deveria. O formato era o mesmo e preguiçoso de sempre, com o humor rasteiro e sem graça americanóide. Uma merda que não servia nem pra limpar minha bunda. Me irritou, e abandonei-a na mesinha. Fiquei sentado por dois minutos ainda, temeroso em perder meu lugar, quando percebi as prateleira de pocket books ao meu lado. Estiquei o braço e, num golpe de sorte resgatei um Bukowski ainda inédito para mim. Pronto, havia conseguido a leitura ideal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste meio tempo uma gordinha sentou ao meu lado. Carregava meia dúzia de revistas e uma sacola. Colocou as primeiras no colo e a última entre nós. Uma barreira consumista contra a escrotidão e a sujeira representada por mim. Gostei dela. Uma atitude ousada, sentar do meu lado, tendo como única defesa uma sacola de cartolina cheia de roupas. As revistas eram óbvias. Marie Claire, Nova, essas merdas. Passei a ignorá-la, pois a minha leitura estava ótima. Adoro o velho Buk. Ele sabe tirar um sorriso de meu rosto com suas merdas diárias e biográficas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente passa por minha visão periférica algo interessante. Uma garota, recém mulher, com uma roupa apertada demais no corpo um pouco acima daquele manequim. Cabelos castalhos com luzes, nariz meio adunco, mas nada que estragasse o rosto. Bunda grande, cintura fina, peito médio. Bonita, sim, confesso. Ela circula à minha frente, examinando as prateleiras a esmo. Percebo que ela está um pouco nervosa, pois examina livros de culinária e de auto ajuda com o mesmo interesse forçado. Em segundos ela desaparece, e retorno à leitura. "Escritores gostam de cheirar as próprias merdas". Boa, Buk!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sei quanto tempo passei ali, mas li umas trinta páginas. Já não estava mais numa livraria de um shopping metido. Estava nos hipódromos de Los Alamitos, nos bares de Los Angeles. A sacola da gorda caiu sobre meu braço, e ela rapidamente reconstruiu sua muralha com um pedido de desculpas. Lemos. Eu era um velho decrépito tentando escrever antes de morrer. Ela uma gorda morfética tentado descobrir como não morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí a morena retorna de seu limbo. Continuava aflita, mas não era medo, era um nervosismo bom. Algo ansioso. De vez em quando ela pulava de um corredor a outro, mas evitava parar na minha frente. Eu lia um parágrafo do livro e outro de sua bunda flanante. Não cruzamos olhares nenhuma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí a gorda levanta, me dando uma visão indesejável de sua calçola bege quando sua calça apertada desceu quando ela torceu seu corpo. A morena com cabelos iluminados quase saltou de alegria. Pegou rapidamente um livro da prateleira e sentou-se ao me lado. "A Casa dos Budas Ditosos", João Ubaldo Ribeiro. Aí, um brilho de verniz na capa queimou minha retina e compreendi o que estava acontecendo. Uma única palavra, uma mensagem sutil, um tapa em minha cara. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;LUXÚRIA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria coincidência? Para confirmar minhas suspeitas virei-me para ela e olhei-a nos olhos. Eles estavam focados em mim, e os lábios brilhantes com algum batom caro se torceram num sorriso adorável. Sorri de volta, e retornei para meu livro. Mas não lia mais. Tremia. Suava. Hiperventilava. Ela continuou com sua postura. O rosto era belo, mas os pés se sacudiam, denunciando sua ansiedade. Pés bem calçados num salto agulha, em contraste com meu sapato surrado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu faria com aqueles pés? Lamberia, morderia, mastigaria cada falange, estalaria seus ossinhos em meus molares. Faria aquele rosto delicado se contorcer de dor. Arranharia aquelas coxas grossas, lamberia o sangue ralo que escorreria. E ela gritaria, impotente, assustada, submissa. Estapearia aquela bunda grande. Beijaria suas celulites e perfuraria a carne lisa com agulhas de acupuntura. E ela rasgaria a fronha com os dentes, incapaz de saber se gozava ou chorava. E eu a enrabaria sem lubrificação, as pregas rasgando com a passagem de meu pau latejante. Eu a colocaria de quatro e apertaria seus peitos médio e macios até deixar marcas permanentes. Morderia sua omoplata e puxaria seu cabelo bem cuidado até arrancar tufos iluminados, que colocaria em minha boca salivante. E pararia quando ela começasse a gemer, abandonando-a sozinha na cama. Se reclamasse, estapearia seu rosto maquiado e me masturbaria com suas lágrimas magoadas. Esporraria em sua cara, em seu cabelo, e acenderia um cigarro. Se ela fizesse menção de se levantar e ir embora torceria seu braço até as juntas estalarem, e a enrabaria novamente. E isso iria noite adentro, dia afora, e quando me cansasse daquela coisa eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pisquei os olhos, retornando de meu delírio. Ela ainda me observava, e percebi que estava prestes a puxar conversa. Não, lindinha, não, leitora e tradutora de luxúria, não faça isso. Você não tem noção de onde está se metendo. Você é demais para mim, eu não mereço isso. Não sei o que você viu em mim, talvez um charme rude, uma transgressão erótica, uma perversão fugidia, uma promessa inconseqüente, mas não me interessa. Seríamos tanto, faríamos tanto, e você sairia machucada. E não merece. Não, não merece. Pois parece uma pessoa legal, parece alguém destinada a felicidade, e isso você não encontrará comigo. Não, não será uma noite apenas, e você sabe disso. Somos perfeitos demais um para o outro para dar certo. Você linda. Eu deplorável. Perfeito, perfeito demais. Não, não, sim, por que não?, não!, talvez, não, não, não faça isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechei o livro e levantei. Ela se assustou e derrubou os Budas Ditosos. Dei um passo rápido e chutei o livro. Chutei Ubaldo e fui embora. Antes de sair de perto, virei-me para ela e disse: "De nada". E fui embora. Não olhei para trás. Larguei o livro em uma prateleira qualquer e saí dali. Fui até o carro. Inconscientemente fiquei dando voltas no quarteirão do shopping, queimando combustível, cada fibra minha, cada ribossomo, cada mitocôndria querendo retornar ao sofá, ao Bukowski, ao Ubaldo, aos cabelos morenos iluminados, à bunda grande e aos sapatos finos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando deu oito horas peguei o caminho de casa, e escrevi sobre isso. Sobre aquela morena que eu nunca mais veria. Sobre minha covardia patológica e meu medo de viver. Sobre isso, que você acabou de ler, e que espero que analise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Analise, e não se alise. É, você entendeu!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-112787248302943541?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/112787248302943541/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=112787248302943541' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/112787248302943541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/112787248302943541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2005/09/chutando-ubaldo.html' title='Chutando Ubaldo'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-112773837456514223</id><published>2005-09-26T08:33:00.000-04:00</published><updated>2005-09-26T08:39:34.573-04:00</updated><title type='text'>Eu, Velho Maldito</title><content type='html'>Levanto a bunda do banco de pedra para coçá-la. Hemorróidas. Os dedos doem. Reumatismo. Tusso como um cachorro tuberculoso, mas dou mais uma tragada. Peido. Fungo. Fedo. Enojo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os anos se passaram, e nada realmente mudou. Aparelhos eletrônicos e roupas diminuíram com o mesmo ritmo de sempre. O mundo não acabou, como esperado. Nem o petróleo, ou a crise. E eu persisto aqui, sentado nesse banco de pedra no meio da noite, observando o deprimente &lt;span style="font-style:italic;"&gt;trottoir &lt;/span&gt;dos travestis da praça. Sou uma estátua deprimente. Sou ponto de referência duvidosa. Sou mau exemplo a novas e novas gerações cada dia mais ignorantes. Sou fruto degenerado do século XX que insiste em permanecer vivo, mesmo odiando tudo, mesmo sendo igualmente odiado, um estorvo, um entrevero, uma hemorróida nos anais da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tusso novamente, e escarro algo marrom. Quase acerto o pé de um transeunte, que nem comenta nada, tão assustado está por ainda permanecer naquele bairro fétido àquela hora. Minha cara enrugada se retorce num esgar desdentado. Acho que ainda posso chamar isso de sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resmungo para os zumbidos elétricos dos automóveis híbridos que reverberam em meu cérebro. Gemo para o swish-swish dos sapatos de polímeros macios, e bato os pés de chinelo no chão de pedra até meus joelhos reclamarem. Reclamo uma reclamação sem sentido a um garoto que estaciona seu carro ouvindo uma paródia de algo que já se chamou música, enquanto negocia o rabo peludo que irá foder naquela noite. Isso não mudou. Isso nunca vai mudar. Como eu. Sou como a sodomia patológica da humanidade. Eterna, por mais incômoda que seja, não interessa o liberalismo que vivamos. Sou um pau no cu, nada mais que isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os anos passaram lentos demais, e tudo que fizeram foram encarquilhar esse corpo descuidado. Mas não morro. Não, não me é permitido esse alívio. Pois vim aqui para sofrer, para amargar uma existência longa e inútil. Sou uma ironia à geração saúde. Persisto, persevero, permaneço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro que durante um tempo escrevi um blog. Para alguém. Quem? Com certeza um inútil que a esta altura já morreu faz tempo. Nossa, blog, que coisa velha! Mas sou velho, sou antigo, sou ultrapassado constantemente pela vida. Não sei por que parei de escrever nele. Talvez porque tenha virado uma obrigação. Talvez tenha perdido o sentido. Talvez precisasse dele para alguma coisa, mas esta coisa se perdeu na névoa de minha mente entulhada de tumores e aneurismas. O raciocínio migrou para o intestino grosso e hoje cago idéias, mas só falo merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um velho inútil, quase mendigo, sentado num banco de pedra de uma praça cheia de travestis, curtindo a coceira das hemorróidas e a ausência de nostalgias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu Deus, por que eu não morro?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-112773837456514223?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/112773837456514223/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=112773837456514223' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/112773837456514223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/112773837456514223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2005/09/eu-velho-maldito.html' title='Eu, Velho Maldito'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-112688266917214258</id><published>2005-09-16T10:56:00.000-04:00</published><updated>2005-09-16T10:57:49.186-04:00</updated><title type='text'>Estuprando Paris Hilton</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vez ou outra nos deparamos com uma figura emblemática na mídia, daquela que qualquer gesto mundano é narrado, descrito, destrinchado e analisado como se fosse algo de suma importância para as vidas de nós, reles desconhecidos da massa plebéia, nessa cultura de idolatria à fama que importamos de nossos brothers.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já temos nossas versões nas terras abaixo do equador. O nascimento de Sasha e Joaquim. Casamentos e divórcios relâmpago. Flagras de famosos em situações que beiram o ridículo. Xerecas de Piovanis ou Beijos de Buarques, apenas para citar dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bola da vez (ou do dia), é a magricela-sem-sal-mas-com-muito-dinheiro Paris Hilton, que está de passagem pelo Brasil, que talvez só tenha vindo pensando se tratar de um safári na Rain Forest.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascida cagando dinheiro, Paris não fazia parte do Time "A" das celebridades até mostrar aquele vídeo horrível dela sendo enrabada por um ex-namorado, num pseudo pornô-gonzo que envergonharia Seymour Butts. De repente, a riquinha sem graça virou socialite. Só se falava nela. Reality shows, celulares hackeados, filmes ruins e muita, mas muita fofoca, transformaram a sonsa em estrela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, ela poderia ser comparada a uma mistura da Sasha com o Chiquinho Scarpa, tamanha a futilidade que essa criatura bisonha evoca. Forma e conteúdo passam longe, mas mesmo assim é só ela coçar a bunda ou deixar o decote cair para mostrar os peitinhos muximbas e espocam flashes e matérias bombásticas. E a tudo ela ri, exibindo aqueles olhos meio blasè, meio chapados de crack, como uma Diana antiga riria dos mortais que a idolatravam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que eu perco tempo pensando nisso, doutor? Porque sou um desocupado, um nada, um cocô de cachorro pisado por uma alpercata surrada. Então eu acabo sendo uma das vítimas do bombardeio cretino. Não dá pra abrir um site de notícias, entrar numa banca de jornais ou mesmo andar num ônibus fedorento sem ser atingido. E incomoda, principalmente porque eu faço uma questão absurda de pensar, de analisar, de entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mude de canal, diz você. Não compre a revista, sugere. Entre em outro site, recomenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é o que eu quero. Alienação não é opção. Não há para onde fugir! Minha única e triste opção é descarregar os cachorros neste blog, mesmo sabendo que isso simplesmente não resolverá nada. Mas vale a tentativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero que ela morra pobre. Que coma a dieta dos Maluf-na-Cadeia pro resto de seus dias. Que caia no esquecimento tão rápido quanto virou celebridade. Que implore entrevistas em programas evangélicos. Que termine uma puta drogada num dos quartos do hotel do papai. Que apenas veja novamente os holofotes e os flashes quando for flagrada dando a bunda em troca de um brilho, toda gorda, asquerosa e berebenta. Que sofra. Muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, se ela caísse na minha mão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, mesmo que tudo isso aconteça a ela, em segundos outra figura semelhante surgiria renascida das merdas, espelhando as aspirações da classe miserável com sorrisos e excessos. E a massa os consumindo como se fosse um narcótico, uma saída para a própria existência ralé, até exaurí-los completamente. Aí, o ciclo recomeça. Suas vidas já são tão medíocres e miseráveis que nada que eu faça ou rogue irá piorá-las, e isso me consola um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que nem você, seu sugador de vidas patéticas, súcubo de tragédias pessoais, parasita de neuroses.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-112688266917214258?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/112688266917214258/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=112688266917214258' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/112688266917214258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/112688266917214258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2005/09/estuprando-paris-hilton.html' title='Estuprando Paris Hilton'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-112600467211507380</id><published>2005-09-06T07:01:00.000-04:00</published><updated>2005-09-06T07:04:32.123-04:00</updated><title type='text'>Dez Reais</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estava eu caminhando sob o clima instável, com as mãos no bolso e os olhares no asfalto velho e quebradiço como meu raciocínio vespertino, negro e sujo como a alma que eu sabia não ter, e pensava no recheio magro de minha carteira. Dez reais. Os últimos da quinzena que acabara de começar. O pouco que reservei para mim de meu surrado ordenado. Decidi usá-los para mim. Dez paus ávidos por preencher alguma boceta capitalista faminta, eu só ainda não sabia qual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhei pelo centro. Tinha fome, mas não queria gastar o dinheiro com comida. Não, não, comida não. Eu queria alguma coisa nova, uma experiência, uma inspiração, um acontecimento. A isso eu daria de bom grado tudo o que eu tinha: os dez paus. Os onze, até.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a rua era chata. Pessoas chatas, olhares severos mirando o nada especulativo de suas existências medíocres. Ruas sujas e abandonadas por algum político miserável e pela população descrente. Trombei com um executivo apressado. Olhei para ele nervoso. Posso assustar quando faço minha cara de nervoso, pode acreditar. Não foi o caso, pois o babaca nem olhou para mim. Resmungou algo que poderia ser tanto um pedido de desculpas quanto uma blasfêmia cabeluda entupida num ralo moralista, e foi embora junto com a torrente humana de fim de expediente, ávidos para chegar em casa e estender suas vidas patéticas mais um dia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não. Eu procurava vida no ambiente ermo e estéril da cidade grande. Eu tinha dez paus, dez falos rígidos e pulsantes esperando para serem extenuados. Eu flanava como a porra de uma alma penada depenada de suas asas de anjo, incapaz de deixar esse mundo imundo. E não tinha onde gastar meu último dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou uma garoa, e a vazão humana aumentou de ritmo. Eu não, fiquei me molhando miseravelmente, misantropicamente, enquanto os ratos se protegiam sob toldos amarelos e passarelas de neon. Ri, cuspindo gotas de chuva que escorriam dentro de minha boca. Minha camisa se encharcou e transformou minhas costas numa cachoeira até meu rêgo, e não era um regato, era uma cavidade anal. Minha calça se encharcou na minha bunda e nos tornozelos, mas ficou seca no meio, e a chuva, acho que num espasmo estético, achou legal e parou de me molhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuei andando pelas ruas semi iluminadas por postes com sensores apressados, talvez contagiados pela turba que agora diminuia. De canto de olho via uma bunda passando por mim, e acompanhei-a. Dez paus, moça, só isso, tudo isso, só tudo. O que consigo de você com isso? Um joelho? O canto de um seio? Um sussurro safado em meu ouvido? Ela anda com pressa culpada, eu a sigo com pressa ansiosa. Sabe andar de salto alto. São poucas assim hoje em dia. É uma arte perdida. Tec-tec-tec, equilibrando-se habilmente no asfalto irregular. Imagino-a nua, apenas de saltos altos, pois ela não seria ela se os tirasse. Seria mais uma. Não valeria meus dez paus. Sigo-a pelas ruas. O décimo primeiro acorda, eu ajeito seu pescoço despudoradamente. Ela está a três metros, mas anda como se estivesse numa marcha atlética, os braços junto ao corpo agarrados a uma bolsa de vinil barata, a bunda alternando a altura das bochechas como se fossem pistãos de um motor bem lubrificado. Dez paus duros valem uma volta naquela máquina?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí ela entra numa igreja, e os dez paus broxam. Pensei em segui-la para dentro, mas seria por teimosia. O tesão morreu. Ela não vale meus últimos trocados. Não vale nem um minuto. Não vale uma desculpa para entrar na merda de uma igreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do lado do templo velho e sujo de fuligem, outro resplandecia a neon. Era um estúdio de tatuagem. Na porta uma moça magra, com cabelos negros chanel, fumava um cigarro com cara de saco cheio. Top preto, barriga de fora, umbigo perfurado por uma jóia grande. Me vi imaginando em que outros lugares haveriam jóias naquele corpo. Ela me viu. Deus, devo estar parecendo um mendigo! Olhos bonitos escondidos por miligramas excessivos de maquiagem feia. Não sei porque entro. Em meio a gravuras, caveiras e pastas de plástico tem um careca. Sua nuca parece um gibi pulp. Tem mais metal naquela cara que o necessário. Imaginei ele entrando num banco ou aeroporto o trabalho que não daria. O careca sorriu pra mim um dente de ouro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E aí, o que vai ser? - ele perguntou, acho que pra me zoar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um Ele-Fante. Na minha bunda. Vai se chamar John.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um elefante? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Elefante não. Ele-Fante, John. Te dou dez paus por ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai custar mais que isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá. E se eu trocasse por um velho diabético cego e sem as pernas numa cadeira de rodas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mais caro ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí de lá para a rua. A morena chanel tinha desaparecido. Azar dela. Perdeu meus dez paus. Nem vai saber, a piranha. Deve dar pro careca, a vaca. E ele só tinha um, com certeza supervalorizado pelo mercado especulativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuei vagando sem rumo até cansar. Não consegui ordenar a mente o suficiente para saber onde gastar a porra dos dez reais, então os entreguei a um mendigo, que quase me beijou ao ver a nota. Mandei-o tomar no cu e fui pra casa. Uma punheta me esperava. Depois de um copo de leite, não sei bem por quê.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-112600467211507380?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/112600467211507380/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=112600467211507380' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/112600467211507380'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/112600467211507380'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2005/09/dez-reais.html' title='Dez Reais'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-112562647947513010</id><published>2005-09-01T21:55:00.000-04:00</published><updated>2005-09-01T22:01:19.483-04:00</updated><title type='text'>A Puta da Vida</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu estava num bar perto de casa, enrolando numa cerveja de pobre e contando rachaduras do balcão, quando ouvi uma voz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma mulher. Maquiada. Decotada. Aloirada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hrmmm?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Posso sentar do teu lado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha resposta foi uma bicada na minha cerveja morna. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela sentou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tudo bem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tava ótimo. Agora não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me paga uma bebida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não tenho nem pra pagar a minha direito. Se vira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela pediu uma coca light.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá sozinho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Infelizmente, não mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí eu me liguei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você tá me cantando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum-hum...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ou você é louca, ou é puta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sou louca...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Caralho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não tá a fim de companhia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Tô duro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Essa é a idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os nós dos meus dedos esbranquiçados de tanto apertar aquele pescoço curto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A gente podia ir pra um lugar mais calmo, se conhecer melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quanto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ô cretina, quanto é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Duzentos, mas pra você faço por cento e cinqüenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Prefiro bater uma punheta pra um cadáver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Posso me fingir de morta, se é o que você curte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com uma faca cega eu abro os pontos macios daquela pele, e me lambuzo com sangue venal...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A noite tá fraca, é? Vai encher o saco de outro, piranha do caralho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum, gosta de falar palavrão? Eu também gosto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai tomar no cu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aí é mais caro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a faca afiada eu tiro a pele de seu rosto, e visto-a no meu como uma máscara. Obrigo-a a ver-se como uma criatura de fim de festa de carnaval...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe, eu gostei de você. Se for bonzinho, posso fazer até por cem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai meu saco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Chupo tuas bolas, também. E engulo tua porra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela engasga com sangue e esperma. Aproveito e cago na sua boca. Ela chora. Sangue...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se você fosse esperta, ia procurar alguém que te queira. Eu tô fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sou bonita?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Parece que pegou fogo e apagaram na tamancada. Mas já comi coisa pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tenho uma amiga que ia topar fazer um bem bolado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ô puta estúpida! Não tenho dinheiro pra uma, quanto mais pra duas! Vai se foder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Prefiro você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quebro a janela, jogo os cacos em cima do colchão, deito ela de bruços em cima, e fodo seu cu com um cabo de vassoura...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não te comeria nem de graça. Sai fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você tá de pau duro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duro, forte rijo e pulsante. Como nunca esteve antes. Dói. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Some, ô vagaba de quinta! Caralho, a gente não pode nem beber em paz? Vai te foder!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você tá a fim, que eu sei. Vamo lá...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo ela deitada no próprio sangue um dia inteiro. Depois lambo suas feridas coaguladas e purulentas. Bato uma punheta e esporro na tua cara deformada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer ver meus peitinhos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quero, mas não vou pagar nada por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É cortesia. Olha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Feio. Caído. Estrábico. Mamilos nojentos. Estrias nojentas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você também não é nenhum Brad Pitt.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E você não é ninguém. É menos que ninguém. Nem me disse teu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É Jennyfer. Com Y.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que nem o corte do legista no teu tórax.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde você vai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Embora. Não transo pseudônimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de sair, ainda ouvi ela dizer: "Pisseudômino? Isso eu nunca fiz."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora esqueçamos o que deveria ter sido, e vamos aos fatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mesma cena. Eu no bar. Cigarro com gosto de esterco. Cerveja pior que mijo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei, bonitão, tá a fim de um programa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sacudo a cabeça de um lado para o outro e estico o polegar apontado pra baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tomar no cu, só tem duro nessa merda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doutor, a vida seria muito mais interessante se tivesse roteiro pré estabelecido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11916552-112562647947513010?l=psicopataenrustido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/feeds/112562647947513010/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11916552&amp;postID=112562647947513010' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/112562647947513010'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11916552/posts/default/112562647947513010'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://psicopataenrustido.blogspot.com/2005/09/puta-da-vida.html' title='A Puta da Vida'/><author><name>Alexandre Heredia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08812510441051179536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_mTVku2uzbQM/SfhhLEE2lEI/AAAAAAAAAtI/EuLRuwIcfYs/S220/P1010208.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11916552.post-112498154359685406</id><published>2005-08-25T10:44:00.000-04:00</published><updated>2005-08-25T10:52:23.606-04:00</updated><title type='text'>Sobre Medíocres e Bobos</title><content type='html'>Doutor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;muitas vezes, durante nossas conversas, tratamos sobre méritos e realizações, objetivos e metas, e todas essas merdas motivacionais que você recita de cor e salteado que nem um papagaio de piada. Algo até dá pra aproveitar, mas a maioria é lixo puro. Papo manteiga de babaca iludido. Cretinice pseudo-nova-era-pós-yuppie-suicida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria de nós quer realizar algo na vida. Para alguns, é formar uma família, com filhos, bichos, remelas, fraldas sujas, dívidas e carnês das Casas Bahia. Para outros é ser ricaço, viver num loft na Paulista, ter um carro alemão ou um italiano (que não seja um fusca ou uma Romisetta), comer modelos anoréxicas, andar com roupas caras e trecos tecnológicos inúteis, como palms e celulares que cantam, dançam e fazem café (alguns, segundo ouvi falar, até pagam um boquete, 
